Endurance

Com Orige, Marques e Kray, AJR #88 vence etapa de abertura da temporada do Endurance Brasil em Curitiba

Em meio a um grid formado por 33 carros, a vitória na empolgante etapa de abertura da temporada 2019 do Endurance Brasil ficou com o trio formado por Vicente Orige, Carlos Kray e Tarso Marques a bordo do protótipo AJR #88 na classe P1. Na GT3, a vitória ficou com a dupla formada por Xandy e Xandinho Negrão com um Mercedes-AMG

Grande Prêmio / RODRIGO MATTAR, de Curitiba
A temporada 2019 do Endurance Brasil começou neste sábado (30) com as 4h de Curitiba – e foi uma corrida repleta de alternativas, variáveis, bandeiras amarelas, entradas do Safety Car, vários abandonos... e um final absolutamente espetacular. Ao fim de 153 voltas, menos de meio segundo separava os dois primeiros colocados. E numa chegada digna de provas Sprint, o AJR #88 da equipe JLM Racing guiado por Vicente Orige/Tarso Marques/Carlos Kray derrotou o Mercedes-AMG GT3 de Xandy e Xandinho Negrão por escassos três décimos de segundo.
 
Antes da disputa, que contou com a participação de 33 carros, foi respeitado um minuto de silêncio em memória de Cali Crestani, piloto que disputava a categoria com o folclórico protótipo Tornado III com motor de moto (Hayabusa) e era muito querido pela comunidade da categoria. Crestani perdeu a luta contra um câncer no início deste ano.
 
A pole era do AJR #65 de Nílson e Beto Ribeiro, mas no pulo inicial, o carro líder do pelotão foi deixado para trás. David Muffato deu uma largada espetacular com outro AJR – que no treino de aquecimento horas antes deu um enorme susto, com direito a incêndio, rapidamente debelado, mas que causou danos na carenagem e em algumas partes do motor. O filho do lendário Pedro Muffato não se fez de rogado e assumiu a liderança, seguido pelo carro #5 de Júlio Martini, da equipe MC Tubarão.
Vitória do protótipo AJR #88 na etapa de abertura da temporada 2019 do Endurance Brasil (Foto: Bruno Terena)
A primeira hora de prova registrou nada menos que três entradas do safety-car, todas pelos mais variados motivos, desde saídas de pista a problemas técnicos. Aliás, foi uma corrida muito atribulada em todos os níveis. As disputas foram ferrenhas em todas as partes do pelotão e isto potencializou os problemas e muitas outras intervenções do carro de segurança. Muitos carros foram ficando pelo caminho e alguns competidores em potencial perderam chances logo no início.
 
Um dos carros que logo enfrentou problemas foi a Mercedes-AMG GT3 de Guilherme Figueroa/Júlio Campos, fora de combate após um enrosco com a Ferrari 488 GT3 de Chico Longo/Daniel Serra. A dupla da Via Itália Racing, favorita em sua divisão após a categórica conquista da pole nos treinos oficiais, perdeu oito voltas em decorrência do incidente.
 
Muffato e seu parceiro Pedro Queirolo acabariam beneficados pela combinação de múltiplos períodos de neutralização da disputa e também pelas três janelas de pit stop obrigatórias para reabastecimento e troca de pilotos. Chegaram a ter meia pista de frente para o 2º colocado, mas um pneu furado atrasou a dupla e pôs os planos da equipe do #113 por terra.
 
Com alguns percalços, quase todos os AJR foram ficando pelo caminho. Menos, justamente, o bólido de Muffato/Queirolo; o pole da corrida, que sobreviveu a uma penalização e o carro do trio Orige/Kray/Tarso Marques, para brigar contra os GT3 que resistiram no pelotão da frente.
 
Uma aposta em nova entrada de safety-car, fez com que o Porsche 911 GT3-R de Marcel Visconde/Ricardo Maurício alcançasse uma liderança pontual, perdida na última parada de box para a Mercedes dos Negrão. Como a janela de pit tem um tempo mínimo de 3min a ser cumprido, Ricardo Maurício retornou à pista em seu último turno como quarto colocado, sendo ultrapassado logo depois pelo AJR de Nílson e Beto Ribeiro.
Tarso Marques, Vicente Orige e Carlos Kray no topo do pódio em Curitiba (Foto: Bruno Terena)
Não obstante, a Mercedes guiada por Xandinho Negrão na última janela não teria como segurar o ritmo do AJR #88, que na média era de dois a três segundos mais veloz. A diferença baixou com o correr das voltas e, a quinze minutos do fim, as 4h de Curitiba tinham um novo líder.
 
Mas a corrida nos reservaria ainda uma surpresa de tirar o fôlego. Talvez por um erro de cálculo – ou de consumo de combustível ou nas contas para a última volta, Orige tirou o pé e Xandinho Negrão veio comendo a diferença entre os dois primeiros nos últimos metros. Acabou que por um triz o piloto do Mercedes não conseguiu a ultrapassagem que mudaria o resultado final. A vantagem dos vencedores foi de apenas 0s379 na quadriculada – muito pouco para uma corrida com quatro horas de duração.
 
Os quatro primeiros fecharam na mesma volta dos dois que duelaram pela vitória, pois Queirolo e Muffato ficaram com a terceira posição apesar de todos os problemas e a dupla Marcel Visconde/Ricardo Maurício foi alçada ao quarto posto por conta de uma parada não programada do AJR de Nílson e Beto Ribeiro, para reabastecimento.
 
Daniel Serra e Chico Longo ainda conseguiram recuperação suficiente para fechar a disputa em 6º na geral, seguidos pela estreante Mercedes-AMG GT4 de Leandro Romera/Alexandre Auler, que fizeram ótima corrida para vencer entre os carros de sua categoria.
 
O Ginetta G57 dos irmãos Fábio e Wagner Ebrahim, mais Pedrinho Aguiar, acabou em oitavo – quarto entre os protótipos da classe P1 - por conta de uma colisão que danificou um braço da suspensão traseira esquerda e atrasou a corrida do Team Ginetta Brasil. Não fosse por isso, e o protótipo construído em Leeds, que chegou a ocupar a segunda colocação, poderia ter sido um terceiro elemento na luta pela vitória.
 
Fechando os 10 primeiros colocados, terminaram o Aston Martin V12 Vantage de Guilherme e Sérgio Ribas, seguidos por outro carro estreante que mostrou bom desempenho – o Ginetta G55 GT4 de Renan Guerra/Ésio Vichiese/Kreis Jr.
 
Nas demais categorias com carros fora do top 10, vitória de Rafael Simon e Gustavo Simon na P3 com um protótipo MRX de motor oito válvulas – muito bem preparado pela Motorcar; que emplacou ainda a vitória na P4, para carros com pneus nacionais, com Mário Marcondes e Ricardo Haag. 
 
Na GT4 Light, criada para abrigar alguns carros sem chance de brigar com as Mercedes-AMG, Ginetta e o Audi TCR, venceu a CLA 45 AMG de Arthur Caleffi e Ian Ely. A divisão P2 sequer teve pódio, já que nenhum dos carros inscritos recebeu a quadriculada final.
 
A próxima etapa do campeonato será em 25 de maio: a data marca a estreia de Goiânia como sede de uma das etapas do Endurance Brasil.