Le Mans vai colocar hipercarros à prova e definir rumos do WEC na temporada 2021

As 24 Horas de Le Mans chegam neste fim de semana com muita expectativa sobre o rendimento dos hipercarros e uma grande dúvida sobre a confiabilidade das máquinas em provas de longa duração. Além disso, nomes consagrados estão na disputa na prova que integra a famosa Tríplice Coroa do automobilismo

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Depois de três etapas, o Mundial de Endurance chega ao seu maior palco, para realizar a mais tradicional prova do calendário, as 24 Horas de Le Mans. Assim como em 2020, a pandemia de Covid-19 alterou a data da corrida no Circuito de La Sarthe. Por isso, chegamos agora, na metade final de agosto, ansiosos pela prova que, diferente de Fuji e Sebring, teve melhor sorte e seguiu no cronograma do WEC.

A ansiedade é justificável. Além da volta do público, algo que não aconteceu na edição de 2020 pela Covid-19. São esperados até 50 mil espectadores nas dependências do local, todos testados e vacinados, em uma forma de reaproximar os fãs de máquinas e pilotos. A medida visa diminuir o prejuízo financeiro do ano passado.

Já os hipercarros chegam como grande novidade em Le Mans. Estreantes no WEC na atual temporada, os novos modelos da classe principal do Mundial, ainda estão começando pouco a pouco. Mas serão os comandantes do longo grid de 62 carros que vão entrar na pista no próximo fim de semana. É a capacidade máxima de inscrições, o que mostra uma ligeira evolução em relação ao ano passado quando foram 59.

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TOYOTA; WEC; ALPINE; 8 HORAS DE PORTIMÃO;
A Alpine (#36) foi valente contra uma Toyota não muito superior nas 8 Horas de Portimão (Foto: FIA WEC/Twitter)

Hipercarros: Os favoritos?

Apesar de serem mais velozes, os hipercarros não entram tão favoritos em Le Mans por um simples motivo: a confiabilidade. Na classe principal, a Toyota domina com vitórias em todas as etapas disputadas. O trio composto por Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Kazuki Nakajima venceu em Spa e Portimão. O outro carro, com Mike Conway, Kamui Kobayashi e José María López levou a melhor em Monza. Não é surpresa, então, dizer que lidram com folga o campeonato.

Sobrou, para a Alpine, o resto. O trio que contra com Nicolas Lapierre, Matthieu Vaxvière e André Negrão terminou duas vezes em segundo lugar e ficou com terceiro em outra corrida. Além disso, garantiu a pole-position na etapa portuguesa. Pesa contra o time francês, no entanto, o consumo excessivo de combustível, que exige mais pit-stops e atrasa em relação aos rivais da montadora japonesa, especialmente em corridas de 24 horas. Um pódio nunca está descartado, mas resta torcer para ver quem sobrevive à maratona.

Ainda há a Glickenhaus Racing, que perdeu a primeira corrida do ano, em Spa, mas fez as corridas seguiu. Um dos trios conta com o brasileiro Pipo Derani, mas ainda não inspira confiança. Nos testes, andou bem, mas a incógnita paira sobre a marca americana.

Com duas vitórias em Spa-Francorchamps e no Algarve, o trio Buemi/Nakajima/Hartley chega a La Sarthe na liderança da pontuação da divisão dos Hypercars, com 75 pontos contra 69 de Conway/López/Kobayashi, vencedores em Monza. Negrão/Lapierre/Vaxivière vêm em terceiro com 60 – Pipo Derani, que só guiou na Itália, não pontuou ainda.

WEC; MUNDIAL DE ENDURANCE; SPA-FRANCORCHAMPS; PRÓLOGO WEC; TOYOTA; HIPERCARRO; HYPERCAR;
A Toyota foi superada pelos LMP2 no prólogo do WEC em Spa. Vai se repetir na França? (Foto: Toyota)

LMP2: A vez das zebras?

Pelos problemas de confiabilidade dos hipercarros em corridas tão longas, como essa de 24h, a LMP2 pode ter um carro como vencedor geral. E o grid possui qualidade suficiente para isso, especialmente as equipes que dominam o certame até agora: a Jota e a United Autosports.

Nomes como Anthony Davidson, António Féliz da Costa, Tom Blonqvist e Stoffel Vandoorne se destacam na liderança, mas Le Mans vai nos oferecer outros pilotos para observarmos. Afinal, é a classe com mais inscrições, com 25 no total.

Robert Kubica vai correr com Louis Déletraz e Yifei Ye. Em busca da Tríplice Coria, Juan Pablo Montoya vai acelerar novamente no circuito francês com a DragonSpeed. Outros ex-F1, com Kevin Magnussen, Paul Di Resta e Jean-Éric Vergne também vão estar na longa pista de La Sarthe.

Só há um brasileiro na LMP2. Felipe Nasr vai correr na Risi Competizione, com um protótipo da Oreca, ao lado de Oliver Jarvis e Ryan Cullen. Atualmente na briga pelo título IMSA SportsCar, pode repetir o bom desempenho, mas o forte grid dificulta a missão.

Na LMP2, Phil Hanson (United Autosports USA), um dos atuais campeões junto ao português Filipe Albuquerque, comanda a classificação com 74 pontos, dezoito à frente do trio Félix da Costa/Davidson/González (JOTA). Esteban Garcia e Norman Nato, da Realteam Racing, são os líderes da LMP2 Pro-Am após a 3ª etapa.

DANIEL SERRA; FERRARI; AF CORSE; LE MANS; 2021;
Daniel Serra vai disputar as 24 Horas de Le Mans pela quinta vez (Foto: Ferrari)

LMGTE-Pro: Grid curto, mas disputa intensa

Ao longo da temporada, a LMGTE-Pro possui apenas quatro carros: dois Ferrari, dois Porsche. Em Le Mans, o grid vai dobrar, com mais dois carros da montadora alemã e outros dois Corvette. Com Miguel Molina e Sam Bird, Daniel Serra espera repetir os feitos de 2017 e 2019, quando venceu a prova. No ano passado, chegou em segundo lugar. O grande desafio é, no entanto, chegar na frente, algo que ainda não aconteceu na atual temporada.

Quem domina o campeonato, com duas vitórias em três corridas é a dupla da Porsche formada por Kévin Estre e Neel Jani que ganha, nesta prova, a companhia de Michael Christensen. Outra dificuldade é a outra dupla da Ferrari, com James Calado e Alessandro Pier Guidi.

Kévin Estre e Neel Jani (Porsche) são os líderes da classificação geral de pilotos GT, somando dois pontos a mais (76 a 74) do que Ale Pier Guidi e James Calado, da Ferrari. Miguel Molina e Daniel Serra, também da Ferrari, têm 54 e estão em terceiro.

FELIPE FRAGA; WEC; MUNDIAL DE ENDURANCE; RED BULL;
Felipe Fraga em ação em Spa na LMGTE-Am (Foto: Andrew Lofthouse/RF1)

LMGTE-Am: Poucos nomes badalados, muito equilíbrio

A classe é dominada por Ferrari, Porsche e Aston Martin. Essa última, aliás, é a montadora que abriga os dois brasileiros que vão correr em 2021. Felipe Fraga e Marcos Gomes chegam com o mesmo objetivo, de finalmente mostrar um desempenho competitivo em Le Mans.

Mas com 23 carros, a LMGTE-Am preza pelo equilíbrio, mesmo que sem tantos nomes badalados na disputa. Cada brasileiro já conseguiu um pódio até agora: Fraga na estreia, em Spa; Gomes, em Monza. Ambos em segundo lugar. A dupla, porém, conta mais com as imprevisibilidades da longa prova para sonhar com uma vitória.

A briga é ingrata, ainda mais com equipes que mostraram bons resultados e lideram o certame até o momento, como o trio de Antonio Fuoco/Roberto Lacorte/Giorgio Sernagiotto ou a AF Corse, com Nicklas Nielson/François Perrodo/Alessio Rovera. No meio do caos, porém, não custa nada sonhar com um pódio.

Na pontuação da LMGTE-AM, o trio italiano formado por Antonio Fuoco, Roberto Lacorte e Giorgio Sernagiotto, da Cetilar Racing, chegou à França líder com 54 pontos. Gomes e Farfus, mais o canadense Paul Dalla Lana, estão em terceiro, a dez dos ponteiros. Fraga, junto a Ben Keating e Dylan Pereira, é o sexto colocado com 29,5 pontos.

Ausente em Le Mans por compromissos com o Pure ETCR na Hungria, Augusto Farfus figura em décimo nesta classificação junto a Marcos Gomes com 15 pontos. Felipe Fraga é o 12º com 9,5 pontos.

24H DE LE MANS 2021: GUIA DE PILOTOS E EQUIPES – LMGTE-PRO
24H DE LE MANS 2021: GUIA DE PILOTOS E EQUIPES – LMGTE-AM

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