Toyota e Ferrari com sangue nos olhos: como WEC chega para 24H de Le Mans 2026
A edição 2026 das 24 Horas de Le Mans espera aproveitar o auge que o endurance mundial vive para oferecer um novo espetáculo histórico no circuito de La Sarthe. Portanto, fique por dentro de como chega o Mundial de Endurance (WEC) para a prova mais importante do calendário
Chegou a semana mais importante da temporada 2026 do Mundial de Endurance (WEC). A partir desta quarta-feira (10), os carros já vão à pista para dar início às atividades das 24 Horas de Le Mans, no circuito de La Sarthe, na França. Esta etapa, que costuma ser a quarta do calendário, será apenas a terceira neste ano, mas já tivemos um pequeno desenho do que podemos esperar baseado nos dois primeiros compromissos do campeonato.
Devido ao adiamento das 1.812km do Catar, em março, o WEC começou somente em abril, com as 6 Horas de Ímola. Naturalmente, era de se imaginar que a abertura do campeonato iria indicar muita coisa para a primeira parte do ano, até por termos visto um cenário bem próximo do esperado, com a Ferrari dominando as primeiras atividades e a tradicionalíssima Toyota virando o jogo no domingo para vencer a corrida.
No entanto, o que foi visto em pista na Itália não se repetiu na segunda rodada, as 6 Horas de Spa. Neste último ensaio antes das 24 Horas de Le Mans, o grid da classe Hipercarro se mostrou bastante equilibrado e com um Balanço de Performance (BoP) aparentemente cirúrgico, apesar de não disponibilizado ao público. Com isso, praticamente todas as marcas tiveram chances reais de brigar por pontos na classe rainha, um cenário raro de se atingir no WEC.
No final, a BMW levou a melhor na base da estratégia e marcou uma dobradinha, com o #20, de Sheldon van der Linde, René Rast e Robin Frijns, à frente do #15, de Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello. Além disso, a Peugeot marcou a pole-position, a Genesis pontuou pela primeira vez nesta jornada com o brasileiro Pipo Derani, Alpine e Cadillac tiveram momentos fortes ao longo do final de semana e a Aston Martin conquistou o melhor resultado no WEC com um quarto lugar. O resto do grid foi equiparado a Toyota e Ferrari.
Todas as equipes tiveram momentos de destaque em Spa, um sinal bastante animador para o restante da temporada. Um BoP voltado para a igualdade de desempenho é fundamental para manter a classe Hipercarro competitiva e equilibrada. Ainda assim, vale lembrar que o BoP de Le Mans segue critérios diferentes dos utilizados ao longo do restante do WEC, sem considerar os resultados das etapas anteriores e, historicamente, favorecendo os protótipos LMH, que têm dominado a prova nesta era. A questão que fica é: esse cenário vai se repetir em 2026?
Na realidade, desde a introdução da classe Hipercarro, nenhum protótipo LMDh venceu em Le Mans, com apenas o Toyota GR010 e a Ferrari 499P somando vitórias no período desde 2021. E isso não é um bom sinal para a prova.

Claro que o título do WEC é valioso e conta como um Mundial da FIA, mas a grande coroa da temporada é a prova francesa. E, de momento, a classe Hipercarro ainda peca no quesito de deixar as duas plataformas com chances reais de disputar a vitória em Le Mans. No ano passado, por exemplo, a Porsche Penske fez uma corrida essencialmente perfeita, mas não conseguiu bater de frente com a Ferrari, que vacilou e perdeu a chance de formar uma dobradinha na ponta, mas ainda venceu com a AF Corse #83 de Yifei Ye, Robert Kubica e Phil Hanson.
Portanto, um dos grandes pontos para esta semana é se o BoP vai, enfim, ser mais generoso com os LMDh ou se a plataforma LMH — que dá às montadoras uma maior liberdade na produção em troca de um custo mais alto — seguirá reinando.
Porém, não é possível simplesmente resumir o domínio recente da Ferrari e a força da Toyota em Le Mans apenas ao BoP e à plataforma LMH. As duas montadores sempre abrem o campeonato pensando em La Sarthe, e esse ano não será diferente.
Para 2026, a Toyota decidiu adotar um novo carro e aposentar o GR010 de vez depois de uma temporada 2025 decepcionante, para dizer o mínimo. Agora, com o TR010 praticamente pensado inteiramente para Le Mans, a marca japonesa se recoloca entre as grandes favoritas para a corrida nesta edição, mesmo com uma performance surpreendentemente abaixo em Spa-Francorchamps e um acidente nos dias de testes no circuito francês no último fim de semana.

Do outro lado deste duelo está a Ferrari, com a tricampeã 499P. Diferentemente da Toyota, a marca italiana aposta na estabilidade e no auge do protótipo para se manter no topo e consolidar ainda mais esse reinado recente em Le Mans. Além disso, os italianos seguem com todos os trios vencedores na pista para este ano.
Na AF Corse #83, Ye, Hanson e Kubica defendem o título das 24 Horas de Le Mans. No #50, Miguel Molina, Nicklas Nielsen e Antonio Fuoco seguem juntos depois de vencerem em 2024. Por fim, o #51 é guiado pelos atuais campeões da classe Hipercarro do WEC, Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi e James Calado, vencedores da prova em 2023. Nove pilotos, nove vencedores de Le Mans. Vai ser difícil encontrar uma formação tão forte assim no grid.
Mas mesmo assim, há outras marcas para se ficar de olho nesta semana. A BMW vem de uma dobradinha e, com isso, ganhou um grande embalo com o M Hybrid V8 atualizado para 2026, assim como a Cadillac, que instalou um novo pacote aerodinâmico no V-Series.R. Além disso, a marca norte-americana marcou a pole-position no ano passado e mostrou um forte ritmo em Spa, que costuma ser um bom indicativo para a semana em La Sarthe. Por outro lado, perdeu a chance de brigar no topo por conta de punições.
A Aston Martin ainda parece um pouco mais distante da briga pela vitória, mas pode sonhar com um bom resultado depois de ficar em quarto na Bélgica. O mesmo serve para Alpine e Peugeot, que surpreenderam neste começo de ano, mas ainda não foram capazes de transformar potencial em resultados.
Ou seja, o cenário nos Hipercarros está aberto, mas conta com claros favoritos. O mesmo não pode ser dito para a LMGT3.

Tradicionalmente, a classe secundária do WEC sempre carrega muito equilíbrio, e foi assim nas duas primeiras etapas da temporada. Ainda assim, é preciso destacar o Porsche #92 da Manthey, que venceu a edição do ano passado, é o atual campeão do Mundial e está na liderança atualmente.
O trio composto por Riccardo Pera, Richard Lietz e Yasser Shahin tem lidado muito bem com a pressão dos adversários e controlado bem a vantagem quando está em posição superior. O que mais chama a atenção é a consistência em meio a um grid tão equilibrado, o que pode ser o grande trunfo da Manthey para as 24 Horas de Le Mans mais uma vez.
Por outro lado, Pera, Lietz e Shahin ainda não conhecem o sabor da vitória em 2026. Em Ímola, o triunfo ficou com o BMW #69, de Parker Thompson, Anthony McIntosh e Daniel Harper. O trio da WRT, no entanto, não pontuou nas 6 Horas de Spa, que foram vencidas por Antares Au, Marvin Kirchhöfer e Thomas Fleming no McLaren #10.
Há quem argumente que este trio, inclusive, é o mais forte até o momento na temporada 2026, justamente porque venceu em Spa e só não fez o mesmo em Ímola porque o carro quebrou na hora final, quando Au, Kirchhöfer e Fleming lideravam.

Entre os brasileiros, Dudu Barrichello, Augusto Farfus, Daniel Serra e Custodio Toledo fazem parte do grid nesta temporada na LMGT3. Entre os quatro nomes, apenas Serra já venceu em Le Mans. No caso, triunfou em duas oportunidades na extinta classe LMGTE Pro: em 2017 e 2019.
Farfus, por outro lado, é um dos pilotos mais experientes em corridas de 24 horas no grid deste ano e já ficou na segunda posição em 2024, junto de Sean Gelael e Darren Leung, que competem com o brasileiro em 2026 novamente, agora a bordo do BMW #32.
Barrichello, por outro lado, corre por fora com um trio mais vulnerável pela Heart of Racing, com Gray Newell e Jonny Adam, mas a força de Dudu nas classificações pode ser um trunfo para o Aston Martin #23 roubar um pouco dos holofotes em 2026. Vale lembrar que o brasileiro é o líder isolado no IMSA SportsCar, na classe GTD.
Por fim, temos a classe LMP2, que corre apenas em Le Mans e não compete a temporada completa do WEC. Por lá, todos os protótipos inscritos são Oreca 07 – Gibson, oferecendo um grid naturalmente bem equilibrado para a prova. Entre os pilotos, muitos grandes nomes são destaques, como Kévin Estre no TDS #14, Laurin Heinrich no APR #4, Renger van der Zande no DKR #3, Mikkel Jensen no United #22, Julien Andlauer no Duqueine #30 e Nico Müller no Inter Europol #343.
Pietro Fittipaldi, renomado piloto de LMP2, também retorna à prova, agora a bordo do Vector #26. Além dele, Daniel Schneider também compete pelo Brasil nesta temporada, guiando o #22 da United.
Os carros do WEC vão à pista para dar início às sessões das 24 Horas de Le Mans nesta quarta-feira (10). A partir das 9h (horário de Brasília, GMT-3), acontece o TL1. Depois, às 13h45, é hora da classificação, que é seguida pelo TL2 às 17h.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades das 24 Horas de Le Mans 2026, com transmissão AO VIVO e COM IMAGENS dos treinos livres, da classificação, da Hiperpole e da prova em si, além do warm-up no sábado (13) de manhã.
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