5 coisas que aprendemos na sexta-feira do GP da China da Fórmula 1 2026

Enquanto a Mercedes mostrou mais uma vez que segue imponente na luta contra as rivais do top-4 da Fórmula 1, Alpine e Haas provaram que até existe um equilíbrio interessante no pelotão intermediário

Uma semana após George Russell e Andrea Kimi Antonelli conquistarem o 1-2 no GP da Austrália, a Mercedes voltou a mostrar que realmente não está para brincadeira na temporada 2026 da Fórmula 1. Nesta sexta-feira (13), as Flechas de Prata viram o britânico conquistar a pole-position da corrida sprint do GP da China — e com direito a uma vantagem monumental para cima dos principais rivais mais uma vez, já que 0s621 separaram o atual líder do Mundial e Lando Norris, terceiro colocado.

Mas enquanto a escuderia liderada por Toto Wolff se estabelece cada vez mais no topo da categoria, a Red Bull viu um revoltado Max Verstappen esbravejar bastante por causa do desempenho do RB22. E não foi apenas o tetracampeão mundial que saiu cuspindo marimbondos: Isack Hadjar, que terminou atrás de Pierre Gasly e Oliver Bearman, deixou claro que os taurinos “precisamos de um pouco mais de tudo” se quiserem ser competitivos no Circuito de Xangai.

Se a situação está ruim pelos lados de Milton Keynes, a McLaren ficou um pouco mais satisfeita com o maior entendimento que agora possui da unidade de potência da Mercedes após o primeiro dia de atividades. Claro que ainda falta um longo caminho para Lando Norris e Oscar Piastri, que ficaram impressionados com o desempenho dos carros da fabricante alemã, principalmente nas retas.

No pelotão intermediário, a disputa foi das mais interessantes. Enquanto Racing Bulls e Audi se destacaram em Melbourne, agora foi a vez de Alpine e Haas colocarem as manguinhas de fora e mostrarem que, nem se for com somente um dos carros, vão ser sempre candidatos ao top-10.

GRANDE PRÊMIO listou as lições que a classificação sprint do GP da China trouxe. Confira!

Mercedes bem distante no horizonte

Muitos acreditavam que a pista de Xangai ajudaria os rivais a se aproximarem um pouco mais do desempenho da Mercedes, já que possui mais curvas de média velocidade e pontos de frenagem, que deixam a vida dos pilotos mais fácil na hora de recuperar energia. No entanto, a escuderia de Brackley mostrou que, assim como foi na Austrália, onde os competidores passam apenas 11% da volta com o pé no freio, sabem muito bem como gerenciar a bateria.

Russell, por exemplo, foi o que mais sacrificou velocidade na chegada da Curva 6, optando pela técnica do lift and coast, perdendo cerca de 20 km/h antes de fazer o contorno rumo à Curva 7. Além disso, entre os carros do top-4, os prateados são os únicos que efetuam o chamado super clipping no trajeto em direção à Curva 11, o que tem ajudado bastante no desempenho do W17 na reta oposta. Tanto é verdade que, ao longo do 1,2 km de extensão, a dupla é a que menos perde desempenho.

E essa estratégia se provou certeira no SQ3 da classificação desta sexta-feira. Nos setores 1 e 2, Russell e Antonelli viraram tempos similares ao dos rivais, mas constroem uma vantagem significativa no setor 3. O britânico, por exemplo, completou esse trecho em 39s989, enquanto Norris, terceiro colocado, cravou 40s564 — o que explica bastante a vantagem de mais de 0s6 na briga pela pole-position.

Mercedes está voando na longa reta oposta do circuito na China (Foto: Reprodução/F1)

Red Bull perdeu as asas?

Esperava-se a Red Bull sofrendo com a confiabilidade da unidade de potência nesse início de temporada 2026 da F1, como aconteceu no Albert Park, mas pelo menos até aqui, os problemas vistos na China ficaram longe de ser culpa do motor. E como normalmente costuma fazer quando o carro não está lá essas coisas, Verstappen deixou a atividade bastante irritado com a falta de aderência do RB22, classificando o dia como um verdadeiro “desastre” para os taurinos.

É bem verdade que ver o tetracampeão mundial contornando as curvas 11, 12, 13 e 14 não foi algo muito agradável, já que fica nítida a dificuldade do neerlandês em encontrar qualquer equilíbrio, principalmente com o eixo dianteiro. Foi por isso, inclusive, que o dono do #3 chegou a passar reto na Curva 16 ainda no SQ2, passeando pela caixa de brita.

Embora Max seja o mais reclamão, Hadjar também falou poucas e boas, afirmando que a Red Bull está ainda mais longe de McLaren e Ferrari do que estava há uma semana. Bem, ainda restam três atividades competitivas na pista chinesa: será que o time dos energéticos vai ser capaz de replicar o que fez nos últimos anos e apresentar um salto de desempenho entre a sexta-feira e o sábado?

Max Verstappen ficou insatisfeito com o desempenho da Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Adeus, ‘Macarena’!

Bem, as expectativas para ver a Ferrari utilizando novamente a famigerada asa ‘Macarena’ — que fica de cabeça para baixo quando os pilotos ativam o Modo Reta — eram altas, mas a escuderia decidiu abrir mão da inovação logo após o fim do único treino livre do fim de semana. Acreditava-se que a asa traseira ajudaria na redução do arrasto e, consequentemente, na gestão de energia ao longo dos setores de alta velocidade, mas provavelmente os ganhos não foram aqueles que os italianos esperavam.

Logo após o fim da classificação, ao ser questionado sobre a decisão da equipe de utilizar a asa convencial, Leclerc foi curto ao dizer que a ‘Macarena’ “não muda muita coisa”. Hamilton seguiu pelo mesmo caminho e reconheceu que a decisão de levá-la a Xangai foi um tanto “prematura”, considerando que a peça foi utilizada por apenas cinco voltas durante os testes coletivos no Bahrein.

Mas os problemas encontrados nesta sexta-feira vão muito além do uso ou não do mecanismo. Durante o SQ3, o monegasco voltou a enfrentar falhas na liberação de energia, assim como ocorreu na Austrália, e sofreu com a falta de potência da SF-26, principalmente no setor 3 — o que justificaria parte do déficit de 1s008 em relação ao tempo da pole de Russell. Por isso, Frédéric Vasseur garantiu que esse será um dos principais focos de atenção da Ferrari para o restante do fim de semana.

Charles Leclerc lamentou a falta de potência da SF-26 na fase final da classificação (Foto: Ferrari)

Avanço da McLaren

Sim, a McLaren começou 2026 de forma muito tímida e bem atrás de Mercedes e Ferrari, como ficou nítido no GP da Austrália. No entanto, é inegável que os comandados de Andrea Stella deram um passo importante neste primeiro dia na China. Ainda estão bem atrás das Flechas de Prata, é verdade, mas pelo menos decidiram se livrar da polêmica acerca da falta de informações em relação à unidade de potência e focaram mais no próprio desempenho, o que realmente vai ajudar Norris e Piastri.

O atual campeão mundial, inclusive, disse estar “muito feliz” pelo fato de ter conseguido superar a dupla de Maranello, contra quem acredita ser a verdadeira luta neste fim de semana. Piastri, por sua vez, mostrou-se mais impressionado com o desempenho de Russell e Antonelli, embora tenha reconhecido que não há muito a ser feito quanto a isso neste momento.

Claro que ainda há algumas coisas que precisam ser analisadas, principalmente em relação ao ritmo de corrida, pois a pista em Xangai costuma maltratar os pneus, especialmente os traseiros, devido aos esforços longitudinais e laterais. Contudo, os papaias começam a dar sinais de que estão entendendo mais o MCL40.

Lando Norris apresentou sinais de evolução na China (Foto: McLaren)

O sobe o desce do pelotão intermediário

Se a ordem de forças da chamada ‘F1 A’ parece estar muito bem definida, o mesmo não pode ser dito da ‘F1 B’. Após os testes de pré-temporada no Bahrein, a Haas e a Alpine despontaram como principais nomes desse grupo, até que a classificação na Austrália apresentou um cenário diferente, com Racing Bulls e Audi terminando na frente. Mas a situação mudou de novo na China.

Na classificação da sprint, Gasly e Bearman mostraram que realmente existe um potencial traiçoeiro na Alpine e na Haas, respectivamente. Isso porque os dois não dificultaram apenas para Gabriel Bortoleto, Nico Hülkenberg, Liam Lawson ou Arvid Lindblad, mas também para Verstappen e Hadjar. No SQ2, a dupla passou com folga para a fase final e deixou os taurinos desesperados na zona de corte.

É bem provável que essa ordem mude novamente nas próximas corridas à medida que as equipes vão começando a entender como os carros funcionam em diferentes pistas. No entanto, o fato é que Alpine e Haas, diferentemente de Racing Bulls e Audi, pelo menos podem contar com uma unidade de potência confiável.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Corrida Sprint00:0002:0004:0005:00
Classificação04:0006:0008:0009:00
Corrida04:0006:0008:0009:00

*Horário de Brasília

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