Ainda em busca de rumo pós-Whiting, FIA troca postura punitiva por ‘segue o jogo’

A direção de prova da F1 oscilou entre posturas punitivas e lenientes até aqui em 2019. A categoria ainda sofre sem Charlie Whiting, referência no quesito, mas aparenta ter um novo rumo. Entretanto, isso não chega a garantir falta de turbulência daqui em diante

A temporada 2019 da Fórmula 1 começou com promessas de mudanças. Os carros ganhavam um novo perfil aerodinâmico, com componentes simplificados para facilitar ultrapassagens. Era para ser o grande ponto de discussão nesse primeiro semestre, mas acabou ficando em segundo plano. É que pouco antes do início da temporada, o GP da Austrália, Charlie Whiting morreu aos 66 anos por conta de embolia pulmonar. Era uma bomba que caía no colo da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que levou tempo até entender qual rumo seguir ao perde seu icônico diretor de provas.
 
A solução inicial tinha cara de tapa-buraco. Michael Masi, diretor de provas da australiana Supercars, foi chamado para convocar a mesma função no GP da Austrália. O campeonato de turismo fazia a preliminar da F1 na ocasião. Masi nunca foi oficializado como diretor de provas da categoria de monopostos, mas permaneceu. O aprendizado foi na marra, com o escolhido precisando trocar um pneu com o carro andando.
 
E, verdade seja dita, a própria FIA parecia não saber exatamente qual rumo tomar. Foram anos e anos em que a imagem que se tinha da tomada de decisões esportivas era Whiting. Sem ele, a identidade se perdeu. Talvez esse tenha sido um dos motivos por trás de um primeiro semestre em que a tomada de decisões foi inconstante.
Sem Charlie Whiting, a direção de prova da F1 ficou comprometida (Foto: Reprodução)

Exemplo claro disso veio entre os GPs do Canadá e da Áustria, separados por apenas três semanas.

 
Em Montreal, Sebastian Vettel teve a vitória tirada das mãos por escapar da pista e regressar de maneira considerada perigosa enquanto tentava se defender de Lewis Hamilton. A punição de 5s aplicada ao fim do GP relegou o alemão ao segundo lugar e causou a icônica cena da troca de placas. Foi um momento controverso: houve aqueles que elogiaram a F1 por cumprir o regulamento esportivo ao pé da letra, assim como houve aqueles que viam punições sendo aplicadas em excesso.
 
Nas declarações oficias, a FIA se defendeu e não apontou erros na postura punitiva. Só que isso seria posto à prova na Áustria, quando Max Verstappen espremeu Charles Leclerc para firmar ultrapassagem e vencer. O holandês foi alvo imediato de investigação dos comissários, que precisaram de horas e horas para tomar uma decisão. Ela veio, e em nova direção. A manobra do holandês foi considerada legal, para surpresa de muitos.
Verstappen ganha a posição de Leclerc na Áustria: um ponto de virada na F1 (Foto: Reprodução)

Entretanto, o próprio Masi veio a público para dizer que a decisão da Áustria não contradizia a do Canadá. Eram laranjas e maçãs, disse ele. De fato, voltar à pista de forma perigosa não é o mesmo que bater rodas, mas a FIA estava deixando claro que poderia ser mais leniente.

 
Dá para dizer que essa leniência é definitiva? Não. Afinal, o que mudou uma vez pode mudar de novo. Pode ser até mesmo que Masi não continue em 2020, o que voltaria a mudar o panorama. Aí a FIA pode buscar alguém necessariamente com um tipo de postura – pró-punições ou contra. O que se viu nos GPs anteriores foi, acima de motivos de celebração ou irritação, uma amostra de que a F1 ainda está lidando com a ausência de Whiting. É um panorama perigoso, mas que pode ser resolvido.
 
Até que os ajustes sejam definitivos, ainda teremos muito pano para manga em termos de discussões. Teremos GPs com algumas punições que consideramos justas e outras que consideramos injustas, por excesso ou falta de vigor. São cenas dos próximos capítulos. Até lá, fica apenas uma certeza: não é fácil encontrar alguém que consiga calçar os sapatos de Whiting.

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