Ainda sem renovar com Mercedes na F1, Hamilton fala em “muitas peças se mexendo”

Lewis Hamilton se pronunciou nas redes sociais pela primeira vez desde seu aniversário, em 7 de janeiro, e falou sobre os treinamentos na altitude neste auge do inverno europeu. Sobre a assinatura da renovação de contrato com a Mercedes, o heptacampeão não deu detalhes, mas ressaltou que “há muito trabalho nos bastidores”

Depois de pouco mais de dez dias, Lewis Hamilton quebrou o silêncio nas redes sociais. Neste período, o heptacampeão, que fez 36 anos no último 7 de janeiro, vem se dedicando ao preparo físico e mental depois de ter vencido a Covid-19 no fim do ano passado. Mas o que todo mundo quer saber é sobre a renovação do seu contrato com a Mercedes, já que Lewis abriu 2021 sem vínculo com a equipe de Brackley. E embora não tenha falado diretamente sobre o assunto, o recordista de vitórias na Fórmula 1 deu algumas pistas.

Em postagem na sua conta no Instagram na última segunda-feira, Hamilton ressaltou o que tem feito como treinamento nos últimos dias, com preparo físico no ar rarefeito nas montanhas geladas da Europa. Lewis, que vive em Mônaco, onde o inverno nesta época do ano é bastante rígido, relatou como é o trabalho no ar rarefeito e como tudo isso influencia na sua preparação.

“Ei, mundo, não estou aqui há um tempo. Estou nas montanhas treinando todos os dias, ajustando minha mente e o corpo. Estou escalando até o topo da montanha todas as manhãs. Em três dessas caminhadas, faço esqui cross-country quando chego ao pico, que fica a 3.400m [de altitude], é matador. Amo treinar na altitude, há menos oxigênio no alto, então treinar é muito mais difícil que no nível do mar. Só de subir as escadas, você se sente a 2.000m”, explicou.

LEWIS HAMILTON; TREINO;
Lewis Hamilton se dedica ao preparo físico e mental durante as férias da F1 (Foto: Instagram/Lewis Hamilton)

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“Normalmente, quando termino o treino aqui e volto ao nível do mar, a corrida é como numa brisa. Estou tentando buscar o equilíbrio correto entre o cardio e fortalecimento”, detalhou o heptacampeão.

No fim do seu texto, Hamilton deu algumas pistas sobre o atual momento em que negocia a renovação de contrato com a Mercedes.

“Além disso, há muito trabalho nos bastidores. Muitas peças se mexendo, mas só estou passando para que vocês saibam que estou bem, saudável e mentalmente forte agora na minha bolha. Espero que vocês sigam da forma mais otimista possível com tudo o que ainda está acontecendo”, ressaltou Lewis, que deixou uma última mensagem.

“Mantenha a cabeça erguida. Mal posso esperar para ver todos vocês novamente em breve. Mando amor e luz para você”, concluiu.

A renovação de Hamilton com a Mercedes virou uma grande novela. Juridicamente desempregado desde o começo do ano, o piloto vive uma situação incomum na sua carreira na Fórmula 1.

Segundo reportagens recentes do jornal britânico Express e do italiano Corriere della Sera, o principal motivo do imbróglio entre as partes era a questão financeira. De acordo com a publicação oriunda da Itália, o heptacampeão não abre mão de receber € 45 milhões (R$ 293,7 milhões). A quantia informada pelo diário italiano é um pouco maior que a informação trazida pelo periódico britânico, que dá conta de € 40 milhões (R$ 261,1 milhões) pedidos por Lewis para colocar a assinatura no novo contrato.

Ocorre que a Daimler, empresa-mãe da Mercedes, não concorda em pagar o valor exigido por Hamilton na sua totalidade, uma vez que a matriz não deseja manter os custos elevados em tempos de incerteza econômica e de um panorama ainda bastante crítico para o mercado automobilístico. Por isso, a companhia presidida por Ola Kallenius tem como opção mais barata George Russell, que impressionou a todos pela sua performance no GP de Sakhir, realizado no primeiro domingo de dezembro, em prova que o prodígio de 22 anos substituiu Lewis — que se recuperava após ter testado positivo para a Covid-19 — e quase venceu.

A Ineos, nova acionista da Mercedes, entrou na jogada, segundo o Corriere della Sera, se comprometendo a bancar parte do salário exigido por Lewis e evitar que o heptacampeão deixe a equipe. Mas segundo informações do De Telegraaf, a gigante petroquímica britânica não está disposta a arcar com os altos custos por mais que uma temporada.

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Em entrevista à revista britânica Autosport, Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, se disse tranquilo sobre a questão, mesmo tendo na retina a decisão abrupta tomada por Nico Rosberg cinco dias depois de ter conquistado o seu único título mundial, em 2016. Pouco depois de chegar à maior glória da carreira, o alemão surpreendeu o mundo e anunciou sua aposentadoria das pistas com efeito imediato.

“Não me preocupa nem um pouco, porque sempre vou respeitar as decisões de Lewis, seja para ficar conosco por muito tempo, seja para deixar o esporte e buscar interesses diferentes”, assegurou o ex-piloto e hoje chefe e acionista da Mercedes.

Toto não descarta a possibilidade de Hamilton simplesmente sair de cena da Fórmula 1. “Acho que devemos estar prontos para qualquer coisa que foi lançada sobre nós. Mas, ao mesmo tempo, conversamos muito e somos muito transparentes uns com os outros. Acho que temos mais a conquistar juntos”, complementou o dirigente.

No último dia 12, o De Telegraaf reportou outro entrave para que o novo acordo seja assinado: a equipe prefere que o contrato seja de apenas um ano de duração, só que Lewis prefere um vínculo plurianual, como foi desde que se uniu ao time, em 2013, sempre assinando contratos com duração de três temporadas.

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