Alonso diz que “não sente muita falta da F1” e se vê movido por “tentar fazer possíveis desafios impossíveis”

Fernando Alonso criticou a F1 ao dizer que a categoria segue sendo “mais do mesmo” porque nada mudou em 2019. O bicampeão, contudo, não descartou um retorno oficial ao Mundial e disse que regressaria não por causa de um carro competitivo, mas porque aprecia a F1. Alonso falou também que uma possível participação no Dakar está em ‘stand by’ e acredita que sua segunda Indy 500 “vai ser interessante”

Fernando Alonso abre um mês importante na sua temporada porque, além de disputar as 6 Horas de Spa-Francorchamps pelo WEC neste fim de semana, também já pensa na sua segunda participação nas 500 Milhas de Indianápolis, corrida que vai ser realizada no último domingo do mês. Na Bélgica, Alonso não se furtou a falar sobre a Fórmula 1, diz que “não sente muita falta” e vê o Mundial como “mais do mesmo”, mas não descartou de bate-pronto um retorno. Tampouco negou que vá disputar o Dakar em 2020, mas disse que sua presença no maior rali do mundo está em ‘stand by’ no momento. E sobre a Indy, mesmo com pouco tempo de pista com o carro #66 da McLaren, acredita que vai poder viver uma jornada interessante.
 
Em entrevista ao jornal ‘Mundo Deportivo’, de Barcelona, Alonso contou que segue acompanhando a F1, ainda que à distância, e que gosta da categoria como um todo, apesar de reclamar da mesmice quanto à luta por vitórias nesta temporada e nos últimos anos.
 
“Não sinto muita falta da F1. Logicamente, estou vendo todas as corridas e é mais do mesmo. Algumas equipes podem piorar um pouco e outras podem melhorar, mas a Mercedes continua em primeiro, Ferrari em segundo e Red Bull em terceiro, e isso vem há muitos anos. A F1 é um campeonato que está marcado pela capacidade do carro que depois de fazer isso por tantos anos não sinto falta”, disparou o bicampeão.
Dakar? Volta à F1? Fernando Alonso não descarta nada para o futuro (Foto: Michelin)

Recentemente, Alonso anunciou, em conjunto com a Toyota, o fim do seu ciclo como piloto do Mundial de Endurance, mas sugeriu que vai seguir ligado à fábrica japonesa em “novos desafios”. O espanhol realizou um teste com o carro vencedor do último Rali Dakar com Nasser Al-Attiyah, mas ainda não se sente totalmente pronto para um desafio de tamanha envergadura no momento. Por outro lado, Fernando não descartou sua presença na prova em 2020, na Arábia Saudita.

 
“É uma coisa que tenho de avaliar. Fiz um teste na África do Sul e a verdade é que foi divertido. Mas também testei a MotoGP no fim de 2015 [risos] e não é algo que planejo. Uma coisa é se divertir e testar novas categorias e outra é se comprometer a uma disputa em alto nível dentro do automobilismo. O Dakar, no momento, está de ‘stand by’ porque não tenho toda a informação do quão competitivo poderia ser e se estou preparado para um desafio assim”, comentou.
 
“Vencer no primeiro ano é impossível. Tenho a consciência disso porque jamais fiz um rali na vida, mas vendo que Sébastien Loeb, nove vezes campeão do mundo, não conseguiu vencer um Dakar, ou vendo Carlos [Sainz], um dos melhores pilotos das histórias dos ralis… não é simplesmente chegar lá e vencer. Portanto, para alguém que sequer competiu um rali na vida, a dificuldade deve ser impensável”, complementou.
 
Em relação a um possível retorno à F1, Alonso diz que não importaria se tivesse na mão um carro incapaz de lutar por vitórias e títulos, como viveu nos seus últimos anos no grid como piloto da McLaren.
 
“Não voltaria por um carro competitivo, voltaria porque aprecio [a F1]. É como no ano passado, quando me diziam que se tivesse um carro competitivo com certeza não sairia. A diferença é que, no Dakar ou em outra categoria, é que na F1 não tenho nada mais a provar. Me aposentei marcando 21 a 0 no meu companheiro, coisa que nunca havia sido feita antes na F1”, lembrou o espanhol, recordando o placar que impôs a Stoffel Vandoorne em classificações no ano passado.
 
“De modo que não tenho nada mais a provar’, bradou Alonso, que em seguida fez menção à sua saída do WEC mesmo tendo um carro dominante como o Toyota TS050 Hybrid. Agora estou deixando um carro que faz 1-2 em todas as corridas. Eu não me movo pela competitividade. Sou movido pelas coisas que gostaria de fazer, as sensações e os desafios impossíveis, tentar fazê-los possíveis”, acrescentou.
 
E por falar em desafio, Alonso fez menção ao que lhe espera nas próximas semanas. Fernando tem o sonho de vencer em Indianápolis para ser o segundo piloto da história a alcançar a Tríplice Coroa. Mas o espanhol reconhece que não vai ser uma tarefa fácil.
 
“O desafio da Indy está em curso. Logicamente falta ver quando chegar a hora da verdade, onde nós estamos. Fizemos somente um teste no Texas e estávamos somente nós na pista, e depois o teste em Indianápolis ficou comprometido gravemente pela chuva. Só tivemos uma hora e meia de testes”, explicou.
 
“Tivemos alguns problemas de juventude [do carro], de bateria com o carro, de telemetria, e no fim só pudemos rodar 29 voltas. É difícil saber o quão competitivos podemos ser, mas é um campeonato onde todos os carros são iguais, de modo que o pior ou o melhor podem estar dentro de um nível de competitividade muito próximo. Vai ser interessante”, finalizou o bicampeão mundial de F1.

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