Análise: F1 começa morna na pista porque fatos estavam mais quentes fora dela

O primeiro dia de treinos livres do GP da Austrália não despertou a atenção que deveria por ser uma estreia de temporada. As situações que ocorreram na pista de Albert Park em si acabaram ofuscados pela dimensão que o 'caso Van der Garde' alcançou e até mesmo pelo lançamento que a F1 fez de suas novas ferramentas digitais — e que geraram reclamação do público que tentava entender o que se passava nos TLs

Quando o relógio bateu às 22h30 (de Brasília) na noite de ontem, a minoria estava prestando total atenção no primeiro carro que foi à pista — curiosamente o de Max Verstappen, o novato sensação que divide opiniões. O mundo queria saber o que seria da Sauber: se Giedo van der Garde ia pilotar um dos carros, se seria Marcus Ericsson o rifado, se Felipe Nasr estava livre da situação, se os oficiais de justiça estavam ali na entrada do paddock, se Monisha Kaltenborn seria presa, se os mecas da equipe cruzariam os braços contra o holandês, se a superlicença chegaria a tempo, se a peruca dos juízes da Corte de Victoria são passadas aos sucessores. 

Tinha algo no ar muito mais denso e válido que um TL1 de F1, ainda que o TL1 fosse o primeiro do ano.

Em paralelo a isso, a F1 apresentava seu novo grafismo, e este foi outro tema que dominou poucas horas antes de os carros irem à pista. Finalmente a F1 se entregava ao mundo digital, interligando seu novíssimo site ao app e a internet ao tablet/smartphone.

Toda mudança gera um período de adaptação. Mas não era nem questão de o povo se acostumar com o reposicionamento das informações na tela da TV; era a F1 mesmo quem tinha de se entender melhor com a adaptação. Porque faltou informação.

O novo grafismo da F1 (Foto: Reprodução F1)

Com a notícia de que Van der Garde não poderia guiar porque lhe faltava a superlicença, o assunto foi diminuindo de importância mesmo nenhum carro da equipe suíça tendo saído dos boxes. O povo que foi saindo daquela situação catártica aos poucos tentava entender o que estava acontecendo no Albert Park. OK, a Mercedes estava na frente com Nico Rosberg e Lewis Hamilton, mas e o resto? Só o F1.com ajudaria a responder.

A nova página vai ao encontro do que a FOM – Formula One Management – pregava já no meio do ano passado: uma inevitável entrega ao mundo da internet e dos apps para celulares. E claro que não poderia deixar de existir a tentativa de a empresa gerida por Bernie Ecclestone em lucrar mais: o F1 Access é a chave para que o fã se conecte principalmente às atividades em pista e ao tempo real que está acompanhando pela TV – uma segunda tela, pois.

 
Só que o negócio apresentou falhas. Se o novo padrão da TV passou a ser mais ‘clean e full’, o GC parece ter, neste primeiro momento, perdido seu caráter informativo. Aquele que não estava devidamente conectado no site ou no aplicativo da F1.com teve enorme dificuldade em saber, por exemplo, os tempos dos pilotos e suas diferenças. E mesmo aqueles que estavam usando a ferramenta reclamaram nas redes sociais — aquelas até então ignoradas por Bernie & cia. — que ela não funcionava corretamente.
 
A F1 até teve de pedir pelo Twitter que o app fosse reinstalado.
Van der Garde deixa paddock em Melbourne já sem macacão da Sauber (Foto: Twitter/FOX)

O fim de sexta-feira/começo de sábado tende a trazer soluções. Já se sabe que há "conversas construtivas" entre os lados de Van der Garde e Sauber que podem colocar um fim, ao menos para este fim de semana, na história que ameaçou a vida de Monisha Kaltenborn e as vagas de Marcus Ericsson e Felipe Nasr. E a F1, agora amiga do microcosmo social, já recebeu a penca de queixas e sugestoes que devem fazê-la mudar a condução na TV e na internet durante os treinos.

Com um dia de atraso, a F1 pode se concentrar onde deve. A F1 pode, enfim, começar.

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