Anistia Internacional alerta F1 sobre risco de limpar imagem da Arábia Saudita com GP

A organização alertou sobre a prática de Arábia Saudita de usar o esporte para distanciar o país da imagem de violador dos direitos humanos

O GP da Arábia Saudita sequer foi confirmado, mas segue causando polêmica. A Anistia Internacional alertou a Fórmula 1 sobre a prática dos sauditas de usar o esporte para passar uma imagem de transformação e modernidade em um país que possui um histórico de violações aos direitos humanos.

O calendário provisório de 2021 conta com uma corrida de rua em Jedá, um cronograma que foi apresentado aos chefes de equipe no início da semana, em uma reunião da Comissão de F1.

A Fórmula 1 negocia para visitar Jedá, na Arábia Saudita (Foto: Reprodução/Twitter)

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Jedá, contudo, não seria o destino final da Fórmula 1 na Arábia Saudita, já que a ideia é levar a corrida para o complexo de entretenimento Al-Qiddiya, que ainda está sendo construído na capital Riad.

Receber a F1 faz parte de um plano maior da Arábia Saudita, chamado ‘Visão 2030’. O projeto, apresentado em 2016 pelo príncipe Mohammed Bin Salman, tem como meta diminuir a dependência do país do petróleo, diversificar a economia e desenvolver setores como saúde, educação, infraestrutura e turismo. Foi esse movimento, aliás, que levou Fórmula E e Rali Dakar ao país.

A Arábia Saudita, contudo, tem uma barreira importante para a realização do plano: o histórico negativo no campo dos direitos humanos. Um panorama que piorou em 2018, após a morte do jornalista Jamal Khashoggi, torturado, assassinado e desmembrado em outubro de 2019 no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

Assim, a Arábia Saudita olha para o esporte como uma alternativa para se mostrar diferente. O Rali Dakar, por exemplo, focou nas belezas naturais do país, enquanto a Supercopa da Espanha mostrou homens e mulheres dentro de um mesmo estádio de futebol, algo bastante incomum no país ditatorial, um dos mais fechados do mundo.

“A Fórmula 1 deveria perceber que o GP da Arábia Saudita de 2021 seria parte de um esforço em curso para limpar o histórico abismal do país no campo dos direitos humanos”, disse Félix Jakens, chefe de campanhas da Anistia Internacional do Reino Unido. “A tentativa frustrada de comprar o Newcastle United obviamente não dissuadiu as autoridades sauditas, que aparentemente ainda vêm o esporte de elite como uma maneira de mudar uma reputação severamente manchada”, seguiu.

“Apesar da fanfarra em cima do fato de as mulheres sauditas agora poderem dirigir um carro sem serem presas, as autoridades recentemente prenderam e torturaram várias ativistas dos direitos das mulheres, incluindo Loujain al-Hathloul e Nassima al-Sada”, apontou. “Se o GP da Arábia Saudita for adiante, no mínimo a Fórmula 1 deveria insistir para que todos os contratos tenham padrões de trabalho rigorosos em toda a cadeia de abastecimento e que o evento seja aberto a todos, sem discriminação”, defendeu.

Ainda, Jakens pediu o apoio da comunidade da Fórmula 1 para denunciar as violações cometidas pela Arábia Saudita.

“Antes da corrida em Jedá, instamos todos os pilotos da F1, donos e equipes que considerem falar sobre a situação dos direitos humanos no país, incluindo expressar solidariedade com os defensores dos direitos humanos que estão presos”, pediu.

A revista inglesa Autosport procurou a organização da Fórmula 1, que não quis se pronunciar especificamente sobre o caso da Arábia Saudita, mas assegurou que o campeonato mantém foco nas questões de direitos humanos.

“Há décadas, a F1 trabalha duro para ser uma força positiva onde quer que corra, incluindo benefícios econômicos, sociais e culturais”, declarou. “Esportes como a Fórmula 1 são unicamente posicionados para cruzar fronteiras e culturas para unir países e counidades para compartilhar a paixão e a empolgação de uma competição e conquistas incríveis”, seguiu o porta-voz.

“Assumimos nossa responsabilidade muito seriamente e deixamos nossa posição clara em relação aos direitos humanos e outras questões para todos os nossos parceiros e países que nos recebem, que se comprometem a respeitar esses direitos na maneira como esses eventos são sediados e realizados”, completou.

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