Audi toma Ferrari como exemplo e busca “ser a referência” para rivais da F1 nos próximos anos

Ex-Ferrari, Mattia Binotto lembrou que o time de Maranello demorou para ter sucesso nos anos 1990, quando já contava com Jean Todt, Ross Brawn e Michael Schumacher à frente do projeto

Mattia Binotto, líder do projeto da Audi na Fórmula 1, voltou a falar dos planos de brigar pelo título somente em 2030 e até usou a Ferrari como exemplo, lembrando que Jean Todt e Ross Brawn demoraram para formar uma equipe vencedora. Além disso, fez uma comparação com o futebol, explicando que a mudança da Sauber para o time de fábrica da marca alemã é como “sair da terceira divisão para ganhar a Champions League”.

Vale lembrar que a categoria passa a competir sob um novo regulamento em 2026, o que promete alterar a ordem de forças do grid — e que pode ser, inclusive, uma vantagem para as estreantes. Além de mudanças robustas na aerodinâmica dos carros, as unidades de potência terão a parte elétrica ampliada, passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% das antigas — e combustível 100% sustentável.

Sob o comando de Binotto e Jonathan Wheatley, a Sauber apresentou fortes sinais de evolução em 2025, e agora espera levar esse mesmo embalo para a trajetória como Audi. Em algumas oportunidades, o engenheiro italiano já destacou os planos de brigar pelo título da F1 em 2030, apontando para as dificuldades de estruturar uma escuderia realmente forte para a disputa do Mundial.

Agora, em entrevista ao portal neerlandês RacingNews365, Mattia foi questionado se espera, pelo menos, subir no degrau mais alto do pódio antes desse prazo. “Vencer corridas, sim. Estamos mirando lutar por um campeonato em 2030, o que é diferente: tornar-se a referência para o restante do paddock em 2030”, começou.

Mattia Binotto comparou a jornada da Audi com a da Ferrari nos anos 1990 (Foto: Reprodução/X)

“Do ponto de vista da imprensa e dos fãs, pode parecer um prazo muito longo — eu concordo. Mas, quando olhamos quanto tempo leva para criar bases sólidas, não é tanto assim. É muito desafiador. Se pudermos vencer antes, vamos tentar vencer antes. Mas olhe também para as outras equipes, quanto tempo às vezes leva para construir fundamentos”, seguiu.

Vale lembrar que Binotto começou a trabalhar na F1 em 1995, como engenheiro de testes da Ferrari. “Tive a experiência da Ferrari. Jean Todt entrou em 1993 e o primeiro título veio em 1999. Então, fazendo uma conta simples, dá para ver quanto tempo levou com Michael Schumacher, Jean Todt e Ross Brawn”, lembrou.

“Construir uma equipe envolve o número de pessoas e como elas interagem, as ferramentas, os processos, as metodologias, o espaço, a manufatura — há muita coisa envolvida. Muitas vezes comparamos isso ao futebol. A Sauber, como equipe privada, não tem culpa nenhuma; fizeram um bom trabalho. Mas talvez você esteja jogando a terceira divisão e decide que quer ganhar a Champions League”, sublinhou o líder da Audi.

“Não é porque na temporada seguinte o nome passa a ser Audi que você vai ganhar a Champions League. Para vencer a Champions League, é preciso definir a jornada, os planos. E isso leva algumas temporadas”, concluiu.

Líder da Audi ainda fez uma comparação com o futebol (Foto: Reprodução)

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