Bahrein confirma Red Bull e Mercedes na ponta, ‘F1 B’ imprevisível e Haas na lanterna

Eduardo Benvenuti, o BRKsEDU, analisa os destaques, positivos e negativos, da prova que abriu a temporada 2021 do Mundial de Fórmula 1 e opina: Lewis Hamilton venceu em Sakhir não só com o talento, mas também com um empurrãozinho da FIA sobre os limites de pista

Hamilton vence na estratégia e pega Verstappen: assista como foi o GP do Bahrein (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Finalmente a Formula 1 abriu temporada de 2021 com o GP do Bahrein do último domingo (28). Por ser a primeira etapa do ano, havia grande expectativa, em especial porque normalmente só descobrimos as reais forças de cada equipe na classificação e na corrida. Diante de tudo o que se viu em Sakhir, é possível, sim, sonhar com uma temporada disputada, já que, apesar do domínio da Red Bull na classificação, o que se viu foi uma corrida bastante acirrada. Em relação aos destaques, tanto positivos quanto negativos, listo os seguintes pontos:

– A Red Bull está extremamente forte tanto em classificação quanto em corrida, e creio que, se Sergio Perez não tivesse largado do pit-lane, a vitória teria ficado com Max Verstappen, já que Lewis Hamilton não teria pista livre após ao menos uma de suas paradas nos boxes. E em função do ritmo da Red Bull, vimos uma apresentação fantástica de Perez, que saiu de último para quinto lugar depois de inúmeras ultrapassagens. Quanto a Verstappen, me surpreende ele não ter vencido a corrida, e acho que já passou da hora de a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) rever o tema dos limites de pista — eu preferiria que houvesse algum limitante fixo, como grama, grama sintética ou brita, para que os pilotos tivessem um real controle de onde podem e não podem ir;

Hamilton e Verstappen disputaram até a última volta o triunfo no GP do Bahrein (Foto: Beto Issa)

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– A Mercedes finalmente não é a equipe dominante após inúmeros anos. O carro obviamente continua forte e demonstrou bom ritmo de corrida, mas vai exigir bastante talento de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas para conseguir ficar à frente da Red Bull. Hamilton venceu o GP do Bahrein com seus dois braços e mais um empurrãozinho da FIA em relação aos limites de pista — o que não tira seu mérito de conseguir extrair um máximo de cada carro que pilota. Bottas performou de acordo com o esperado, indo bem, mas não o suficiente para ficar perto de Hamilton;

– A McLaren parece estar mais próxima da Red Bull e da Mercedes do que esteve nos últimos anos. Não acho que terá chances de disputar diretamente com elas, mas deve conseguir pódios e, quem sabe, até uma vitória, contando com abandonos e safety-cars ao longo da temporada. Fiquei bastante surpreso com o desempenho de Daniel Ricciardo, já que imaginava que ele não teria dificuldade de se impor frente a Lando Norris — no fim das contas, o britânico foi quem dominou seu companheiro de equipe;

A McLaren aparece como a grande força do pelotão do meio da Fórmula 1 (Foto: Beto Issa)

 – A Ferrari melhorou demais sua performance em relação a 2020, e Carlos Sainz teve um desempenho bem melhor em relação a Charles Leclerc do que Sebastian Vettel vinha apresentando. A equipe não me parece estar tão rápida quanto a McLaren, mas também deve brigar por eventuais pódios e, quem sabe, vitórias ao longo do ano, contando também com abandonos e safety-cars inesperados;

–  A AlphaTauri parece estar muito rápida, mas foi difícil julgar o ritmo de corrida da equipe já que Yuki Tsunoda não se classificou bem para a corrida e Pierre Gasly teve problemas ao perder o aerofólio dianteiro logo na primeira volta. O que já deu para perceber é que Tsunoda tem muito talento, e se continuar evoluindo como piloto tem muito potencial para pontuar com frequência ao longo do ano… e, dependendo do ritmo da AlphaTauri, quem sabe não consegue seu primeiro pódio?

– A Aston Martin, ao menos pra mim, teve como destaque o lindo safety-car (com um baita som de motor, diga-se de passagem). Em relação aos carros da F1, deixou muito a desejar. Lance Stroll foi apenas o décimo e Sebastian Vettel teve inúmeros problemas ao longo do fim de semana e terminou apenas em 15º após ser penalizado por colidir com Esteban Ocon;

Sebastian Vettel teve um dia de cão em sua primeira corrida pela Aston Martin (Foto: Beto Issa)

– A Alfa Romeo teve um ano muito complicado em 2020 e aparentemente evoluiu em 2021. Deve brigar por pontos a cada fim de semana, coisa que quase conseguiu no Bahrein, com Kimi Räikkönen terminando em 11º e Antonio Giovinazzi em 12º. Creio, aliás, que se não apresentar bons resultados este ano, o italiano vai sair da F1 ao fim da temporada;

– A Alpine não teve uma boa estreia. Parece que o time perdeu ritmo em relação ao ano passado. Fernando Alonso é um dos melhores pilotos de todos os tempos e em nenhum momento me pareceu estar disputando algo além de poucos pontos. E acabou tendo de abandonar a corrida. E Esteban Ocon terminou apenas em 13º após ser acertado por Vettel;

– A Williams continua contando com um dos melhores pilotos do grid, George Russell, e continua também com um carro lento. Porém, o grid como um todo parece mais equilibrado e creio que este ano Russell conseguirá pontuar para a Williams. Nicolas Latifi não tem o mesmo nível que Russell, mas costuma fazer corridas limpas e imagino que talvez consiga pontuar este ano também;

NIKITA MAZEPIN; HAAS; GP DO BAHREIN; F1;
Nikita Mazepin bateu logo nas primeiras curvas da corrida (Foto: Bahrain International Circuit)

 – A Haas vem em 2021 com o carro mais lento do grid e com dois pilotos novatos na F1. Mick Schumacher é muito talentoso, tem um histórico de demorar um pouco para se adaptar, mas uma vez encaixado ao novo ambiente, performa extremamente bem. O alemão completou a corrida. Nikita Mazepin é muito endinheirado, tem na bagagem inúmeros erros, aos quais conseguiu se safar por ser extremamente rico, e rodou inúmeras vezes durante todo o fim de semana, sem conseguir completar uma única volta sequer na corrida.

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