A grave crise econômica pela qual atravessa o Azerbaijão, que enfrenta uma forte desvalorização da sua moeda local, o Manat, em face à brusca queda no preço do barril de petróleo, não vai afetar a realização do GP da Europa, que vai ser disputado em 19 de junho nas ruas da capital, Baku. Ao menos, é o que garante a organizadora da primeira corrida do Mundial de F1 em solo azeri. O Circuito da Cidade de Baku (BCC) defende que a corrida vai impulsionar a economia local “a curto e a longo prazo” e que sua realização não está ameaçada.
O Azerbaijão, país que fica às margens do Mar Cáspio, é uma das nações que depende muito da sua indústria petrolífera e, portanto, tem sua economia sendo seriamente afetada pela queda no preço do barril, que chegou a ser cotado a US$ 25,75 (R$ 105,70) na última quarta-feira (20).
Em entrevista à agência de notícias estatal ‘Azertac’, Ali Hasanov, conselheiro presidencial, explicou como a crise do petróleo vem interferindo nas finanças do país. “O Azerbaijão é um país do petróleo. Os preços do petróleo e dos seus derivados caíram três vezes desde o começo de 2015. Isso significa que entra três vezes menos dinheiro no Azerbaijão”, comentou.
Baku vai ser o palco do GP da Europa em junho (Foto: Getty Images)
O economista azeri Natig Jafarly defendeu a realização de eventos de grande porte previstos em breve no país, como o GP da Europa de F1 e os Jogos Islâmicos de 2017. Mas a organizadora da primeira prova do Mundial no Azerbaijão defende a realização da competição e disse que a crise pela qual atravessa o país não vai prejudicar que a corrida vá em frente.
“A desvalorização do Manat não vai impactar na realização da primeira corrida de F1 no Azerbaijão. Na verdade, quando o orçamento para o GP da Europa foi aprovado, inicialmente ele foi calculado em dólares. Como resultado, nós não estamos sendo afetados por qualquer tipo de mudança no orçamento atual”, disse um porta-voz do Circuito de Baku, que reconhece a crise econômica no Azerbaijão, mas procurou expor um ponto de vista favorável sobre o impacto que a corrida poderá ter sobre o país.
“O Circuito da Cidade de Baku compartilha das preocupações de cada um de nós sobre a desvalorização atual da nossa moeda corrente nacional. O BCC também entende que realizar um evento de grande porte requer um aporte financeiro significativo. Entretanto, gostaríamos de salientar uma vez mais que o impacto econômico global, tanto a curto como a longo prazo, direta e indiretamente, criado pela corrida de F1 vai beneficiar enormemente a economia nacional”, comentou.
“O impacto do aumento do turismo e do número de visitantes que vão estar no comércio de Baku e em áreas como restaurantes, bares, hotéis e redes varejistas será de milhões, se não mais, injetados na economia. Da mesma forma, a realização da corrida vai criar milhares de empregos diretos e indiretos ligados ao evento”, defendeu.
“Estamos confiantes de que a realização desta corrida não vai apenas contribuir para a recuperação da economia em curto prazo, mas também vai levar a economia adiante pelos próximos anos, superando quaisquer tipos de preocupações existentes que estão sendo levantadas contra o custo da realização deste evento”, complementou.
A realização do GP da Europa em Baku vem cercado de alguma polêmica. Primeiro, porque a prova vai ser disputada apenas uma semana após o GP do Canadá, o que vai requerer um enorme esforço da F1, sobretudo em termos de logística, dada a considerável distância entre os dois países. Outro ponto diz respeito também sobre a data do evento, marcado para o mesmo dia, porém algumas horas depois, da chegada das 24 Horas de Le Mans, a principal prova do Mundial do Endurance, numa manobra para evitar que pilotos da F1 disputem a lendária corrida em Sarthe.
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