Brawn revela em livro relação tensa com Wolff e Lauda e justifica saída da Mercedes em 2013: “Não confiava neles”

Ross Brawn foi chefe da Mercedes desde que vendeu sua equipe à montadora alemã ao fim de 2009. Nos anos seguintes, o britânico compartilhou o comando do time prateado com Toto Wolff e Niki Lauda, mas a relação entre os dirigentes ‘azedou’. Brawn, um dos artífices dos ‘anos dourados’ da Ferrari na F1, não via mais razão para continuar na Mercedes ao lado de pessoas que não poderia confiar: “Não via futuro nisso”

Ross Brawn, uma das figuras mais icônicas da história recente da F1, está prestes a lançar um livro sobre sua carreira. Com o título de ‘Total Competition’, a publicação, prevista para ser colocada à venda na Europa a partir de 3 de novembro, foi escrita em conjunto pelo ex-presidente da Williams, Adam Parr. Na obra, Brawn comentou sua passagem pela Mercedes, encerrada ao fim de 2013. O ex-dirigente disse que deixou a equipe, que viria a se tornar tricampeã do Mundial de Construtores, por não confiar em Niki Lauda, presidente não-executivo da equipe, e em Toto Wolff, nomeado como diretor-esportivo da Mercedes ao fim de 2012.
 
A relação de Brawn com a Mercedes começou em 2009. Naquela temporada, o britânico assumiu o espólio da Honda, que havia deixado a F1, e firmou um acordo com a montadora alemã para o fornecimento dos motores naquela temporada. A união resultou em um sucesso inesperado e avassalador: com apenas um ano de vida, a Brawn conquistou os títulos do Mundial de Construtores e de Pilotos, com Jenson Button. Ao fim daquele ano, o engenheiro vendia a equipe para a Mercedes, que voltava à F1 como equipe em 2010 com Nico Rosberg e Michael Schumacher.

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Ross Brawn revelou ter vivido uma relação tensa com Toto Wolff e Niki Laua na Mercedes (Foto: Mercedes)
Os problemas de Brawn começaram quando o britânico teve de compartilhar a gestão da equipe com Lauda e Toto Wolff, que foi alçado ao posto de diretor-esportivo da Mercedes após a saída de Norbert Haug, que se aposentou em 2012. Em seu lugar, assumiu Wolff, que até então era acionista da Williams.
 
“O que aconteceu na Mercedes é que pessoas que eu não podia confiar foram impostas a mim. Eu nunca soube muito o que eles estavam tentando fazer. Niki me dizia uma coisa, então eu ouvia que ele estava falando outra coisa”, escreveu Brawn, que contou que soube de críticas dirigidas de Toto Wolff a ele por meio de uma conversa gravada pelo ex-chefe de equipe Colin Kolles.
 
“Então eu estava começando a lidar com pessoas que eu não sentia que realmente poderia confiar; as pessoas dentro da equipe, que me deixaram decepcionado em termos de abordagem. Então, no começo de 2013, soube que Paddy Lowe tinha assinado contrato para se unir à equipe e que tinha assinado em Stuttgart. Quando confrontei Toto e Niki, eles se culparam uns aos outros. Eu me encontrei com eles. E os dois apontaram um ao outro”, revelou.
 
“Eu não podia confiar neste povo, não via futuro nisso, ao menos se eu estivesse disposto a entrar em guerra e tirá-los de lá. Não via futuro nenhum com as pessoas que eu não sentia que poderia confiar”, acrescentou o britânico.
 
Brawn disse que jamais viveu algo parecido na carreira e, por não querer estar num ambiente de guerra, achou que o melhor era deixar a equipe. Desde então, o engenheiro chegou a ver seu nome ligado à F1, novamente pela Ferrari, mas jamais Ross assumiu sua vontade de regressar ao esporte. “Eu nunca tinha enfrentado isso e talvez não me sentia apaixonado o bastante com todo o projeto para seguir em frente com isso.”
 
“Acho que uma complicação em tudo isso foi que Toto e Niki se tornaram acionistas, o que foi uma decisão interessante para a Mercedes. E eu nunca entendi muito isso. A visão dela [Mercedes] era que eles, ao serem acionistas, ganhariam um maior respeito por parte da equipe. Que eles, em parte, são donos da equipe. Por isso, ao chegar e se tornarem acionistas, eles colocaram seu dinheiro onde suas bocas estavam. Era isso o que eles esperavam”, finalizou.
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