Chamado de “militante” por Mario Andretti, Hamilton se decepciona: “Pura ignorância”

Recentemente, o campeão mundial de Fórmula 1 em 1978 afirmou que Lewis Hamilton “está criando um problema que não existe” ao se manifestar de forma enfática contra o racismo. O hexacampeão rebateu: “Não vai me impedir de continuar lutando por mudanças”

Único piloto preto na história da Fórmula 1 e cada vez mais perto de tornar-se o competidor mais bem-sucedido de todos em número de títulos e vitórias, Lewis Hamilton vive momento sublime nas pistas e, fora delas, levanta uma luta solitária ao ser uma voz ímpar no meio da categoria ao se levantar frontalmente contra o racismo, a desigualdade social e todo tipo de preconceito. As manifestações antirracistas lideradas pelo hexacampeão mundial, no entanto, continuam a irritar parte da chamada maioria branca, que enxerga na atitude do britânico de 35 anos como “militância”.

Semanas atrás, Bernie Ecclestone não somente minimizou os protestos — que ganharam corpo ao redor do mundo depois do assassinato de George Floyd pelo policial branco Derek Chauvin em 25 de maio em Minneapolis, nos Estados Unidos —, mas foi além ao usar uma expressão racista para justificar o racismo. Agora foi a vez de Mario Andretti, campeão mundial de F1 em 1978, criticar Hamilton pelas manifestações dentro e fora das pistas. O norte-americano de origem italiana, branco de 80 anos, foi frontalmente rebatido pelo hexacampeão.

Lewis Hamilton criticou as falas de Mario Andretti e Jackie Stewart sobre os protestos antirracistas (Foto: AFP)

Em entrevista ao jornal chileno El Mercurio concedida na semana passada, o patriarca dos Andretti afirmou: “Respeito muito Lewis, mas por que se converter num militante? Ele sempre foi aceito e ganhou o respeito de todo mundo. Acho que o objetivo disso é pretensioso. Sinto muito, ele está criando um problema que não existe.”

Nos stories de sua conta no Instagram, Hamilton criticou as declarações de Mario. “Isso é decepcionante, mas infelizmente é uma realidade que algumas das gerações mais velhas que ainda hoje têm voz não conseguem sair do seu próprio caminho e não reconhecem que há um problema.”

“Novamente, isso é pura ignorância, mas não vai me impedir de continuar lutando por mudanças”, garantiu o líder da temporada 2020 do Mundial de Fórmula 1.

Outro campeão a negar a existência do racismo foi Jackie Stewart que, ao site Good Morning Britain, disse que “ele [Hamilton] fala muito a respeito disso, mas não acho que exista um problema tão grande. Não há resistência à mudança. Se [pretos] forem bons no que fazem, vão ser aceitos na Fórmula 1”.

Hamilton se mostrou decepcionado com o comentário do ex-piloto escocês, hoje com 81 anos. “Nunca é tarde para aprender e espero que este homem pelo qual sempre tive respeito possa dedicar algum tempo para se educar”, rebateu o recordista de poles e a cinco triunfos de superar Michael Schumacher para tornar-se o maior vencedor da história da F1.

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