Leclerc lidera manhã de bizarrices em último dia de testes da F1 no Bahrein. Bortoleto é 9º

Teve carro da Haas se desmanchando, vidro da cabine de largada estourando e Max Verstappen mostrando o dedo do meio do mais completo nada durante a manhã de testes da Fórmula 1 no Bahrein. A liderança? Ficou com a Ferrari de Charles Leclerc

Não choveu e nem teve apagão, o que já traz certa normalidade ao Bahrein, mas aconteceu de tudo um pouco na sessão da manhã no terceiro e último dia de testes coletivos da pré-temporada da Fórmula 1, nesta sexta-feira (28). A liderança, no entanto, ficou nas mãos de Charles Leclerc, com a Ferrari, graças à volta em 1min30s811 registrada ainda na primeira parte da atividade. Andrea Kimi Antonelli, dono de dois dos três setores do traçado barenita, terminou em segundo com a Mercedes, com Lando Norris fechando o top-3 com a McLaren.

Dessa vez, o clima no Bahrein foi exatamente como já é de costume: sol e sem probabilidade de chuva, o que ajudou as equipes a darem sequência aos trabalhos sem preocupações com pista molhada. Mas nem por isso a atividade correu totalmente tranquila, pelo contrário. Primeiro, o vento e a sujeira causaram alguns sustos, com alguns pilotos dando escapadas aqui e ali em diferentes pontos do circuito de Sakhir.

A curva 4 foi uma das mais traiçoeiras, pegando Norris e Gabriel Bortoleto no contrapé. No caso do brasileiro, ainda que não confirmado pela equipe, é possível que o quique sobre a zebra tenha causado danos no assoalho, forçando-o a ficar parado nos boxes durante praticamente metade da sessão enquanto os mecânicos da Sauber trabalhavam em reparos no fundo do carro. Gabriel conseguiu voltar faltando pouco mais de meia hora para o fim.

Bizarrice maior aconteceu do lado da Haas, que simplesmente viu a cobertura do motor do carro de Oliver Bearman se soltar e ficar pelo canto da reta principal. A equipe conseguiu reparar o rombo na lateral esquerda a tempo de devolvê-lo à pista para as simulações de corrida.

Gabriel Bortoleto teve problemas no terceiro dia da pré-temporada (Foto: Sauber)

Na hora final, quando vários pilotos deram início aos long runs, eis que a bandeira vermelha foi acionada, mas não por acidentes ou qualquer outro motivo causado por um dos carros. Do nada, o vidro da cabine de largada, que fica próxima à linha de chegada, estourou, jogando estilhaços por todos os lados.

Circunstâncias esquisitas à parte, Leclerc foi quem comandou praticamente toda a sessão com tempo estabelecido ainda na primeira hora. A marca, na verdade, foi mais em função dos pequenos deslizes de Antonelli (setor 1) e Norris (setor 3) do que pelo domínio de Charles, que não foi o melhor em nenhum dos trechos da pista.

Kimi, portanto, ficou em segundo, a 0s077 do tempo do monegasco, com Norris fechando a sessão em terceiro, 0s055 mais lento que o jovem italiano. Max Verstappen — que também garantiu a cota de bizarrices ao mostrar o dedo do meio em direção ao pit-wall do nada — usou o novo conjunto de bico e asa dianteira da Red Bull e finalizou em quarto, com destaque para a simulação de corrida.

Jack Doohan fechou na quinta posição com a Alpine, enquanto Alexander Albon foi o sexto colocado com a Williams. Isack Hadjar colocou a Racing Bulls em sétimo, à frente do Aston Martin de Fernando Alonso. Bortoleto e Bearman fecharam o top-10.

Depois da pausa de uma hora para o almoço, as equipes retornam à pista para as quatro horas finais de testes da pré-temporada. Apenas Verstappen e Albon seguem na programação, enquanto os demais pilotos que andaram pela manhã cederão os lugares aos respectivos companheiros.

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O novo conjunto dianteiro do RB21 chamou atenção (Foto: Reprodução)

Confira como foi a sessão matinal do 3º dia de testes da F1 em Sakhir:

Com apenas uma mudança na escalação oficial do dia — Alonso teve de assumir o carro da Aston Martin pela manhã no lugar de Lance Stroll, que passou mal —, os pilotos deram início ao terceiro e último dia de testes coletivos no circuito de Sakhir com ao menos uma boa notícia: a chuva que atrapalhou bastante os dois primeiros dias deu lugar ao sol, ainda que tímido, brilhando no céu barenita. Nos termômetros, 17°C, com asfalto em 26°C e umidade relativa do ar em 49%.

A sexta-feira marcou o retorno de Verstappen ao volante do RB21 depois de um dia um tanto esquisito para a Red Bull, que precisou contornar uma falha no motor de Liam Lawson para não comprometer o programa de testes da tarde. O diretor-técnico, Pierre Waché, também confirmou que haveria mudanças no carro para o encerramento dos testes, e, de fato, o veículo apareceu com uma frente nova (bico e asa dianteira) para ser usada. Pista liberada, o neerlandês partiu primeiro com os aero rakes instalados no carro para coleta de dados aerodinâmicos.

O começo da sessão, no entanto, teve liderança de Antonelli, com 1min31s189, tempo registrado depois de breve duelo particular contra Leclerc, que chegou a tomar a ponta do novato, mas perdeu logo em seguida. A Ferrari, aliás, optou por uma mudança na tampa do motor da SF-25, mais estreita, para estudar a temperatura interna da unidade de potência.

Pouco antes, nos boxes, Alonso simplesmente viu o carro apagar antes mesmo de cruzar a linha de saída e teve de ser empurrado de volta para a garagem pelos mecânicos da Aston Martin. Após alguns ajustes, o espanhol conseguiu ir à pista, mas não completou tempo. Com 20 minutos transcorridos, ele, Albon e Norris eram os que apareciam ainda sem volta computada.

Enquanto isso, Antonelli seguia na liderança, com Leclerc, Doohan, Bortoleto, Bearman, Verstappen e Hadjar na sequência. Assim que Albon foi à pista, contudo, colocou a Williams em terceiro com o tempo de volta em 1min32s599 — detalhe, com o composto C2. Leclerc, então, deu o troco sobre Kimi ao fazer os dois melhores setores e finalizar o giro em 1min30s861, 0s200 mais rápido que o novato da Mercedes.

30 minutos completados, um pedaço de fibra de carbono no gramado da reta principal chamou atenção, e logo o culpado foi relevado: de repente, eis que a lateral esquerda do Haas de Bearman, na altura da cobertura do motor, surgiu se desmanchando no meio da pista. Por segurança, a direção de prova acionou a bandeira amarela até o britânico retornar aos boxes.

Bearman perdeu a tampa do motor no Barehin (Vídeo: Reprodução/Sky Sports)

Perto da primeira hora de testes, Verstappen assumiu o terceiro posto com a Red Bull, enquanto Norris enfim ia à pista (e quase rodava já na curva seguinte à saída dos boxes, possivelmente pelos pneus frios). Só que, de novo, não cruzou a linha de chegada para assinalar a primeira volta rápida da sessão. A McLaren, na verdade, trabalhava intensamente no carro, mas a movimentação não indicava problemas, já que a mesma atitude foi tomada nos dois dias anteriores e Norris demonstrou ritmo de corrida impressionante na tarde de quinta.

Enquanto Leclerc mantinha-se na liderança (agora com 1min30s811, ainda apostando em stints curtos), Norris permanecia como o único dos dez sem tempo registrado. Antonelli, Verstappen, Albon, Hadjar, Doohan, Bortoleto, Bearman e Alonso apareciam na sequência, ocupando as posições de segundo a nono.

Com 2h38min para o encerramento da sessão, Norris marcou a primeira volta rápida em 1min32s137, exatamente à frente de Bortoleto por 0s088. Mais alguns giros, e o britânico por pouco não causou a primeira paralisação do dia, ao perder a frente do MCL39 na curva 4 e quase bater na barreira de proteção. Felizmente, ele conseguiu evitar o acidente e retornar à pista sem grandes problemas.

Já Bortoleto parecia ter problemas no assoalho, com os mecânicos da Sauber trabalhando freneticamente no fundo do carro. Não demorou para que a entrada do box fosse fechada, indicando uma provável retirada da peça para reparos. Instantes antes, Gabriel deu uma escapada na curva 4 e passou por cima da zebra, o que pode ter causado danos no assoalho. Até tal momento, ele havia completado 22 voltas no teste.

Lando Norris passou perto de um acidente sério na manhã da sexta-feira no Bahrein (Vídeo: Reprodução/F1TV)

Enquanto isso, próximo da marca das duas horas de atividades, Norris pulava para terceiro com 1min30s943, mas ainda chamava a atenção a forma como brigava com a aderência do carro, dessa vez escapando na curva 1. E Leclerc permanecia na liderança, seguido por Antonelli.

Bearman conseguiu retornar aos trabalhos depois do drama da cobertura do motor se desmanchando. Até então, nenhum stint relativamente longo havia sido completado, com os pilotos ainda dando preferência aos compostos C3 e C2.

Com menos de duas horas para o encerramento, a Red Bull instalou o conjunto dianteiro novo, com a ponta do bico terminando na segunda aleta da asa dianteira (semelhante à da Ferrari), no carro de Verstappen, que melhorou a própria marca para 1min31s209, ficando logo atrás de Norris. Antonelli, por sua vez, até pegou o melhor setor 1, mas as perdas nos trechos seguintes o fizeram ficar a 0s121 de Charles, continuando em segundo.

Uma hora e meia para o fim da manhã de testes, Verstappen deu início às simulações de corrida calçado com os compostos C3, mas não sem antes sacar o dedo meio quando passava pelo pit-lane por alguma razão ainda desconhecida. Vale lembrar que o neerlandês tem um total de 8 dos 12 pontos na superlicença que suspendem o piloto por uma corrida, então a ver como a FIA vai encarar o comportamento.

Max Verstappen, por alguma razão, mostrou o dedo do meio em direção ao pit-wall (Vídeo: reprodução/F1 TV)

Na pista, o tetracampeão completou um stint de dez voltas em ritmo bastante consistente, em 1min35s5 em quase todos os giros. Comparado aos feitos pelos rivais Leclerc e Norris, que oscilaram mais no long run, é um resultado animador para a Red Bull, que busca progresso para recuperar o topo da tabela na ordem de forças do mundial.

Na hora final, Norris calçou os duros C2 para outro stint longo, mas o trabalho logo teve de ser interrompido quando, a cerca de 45 minutos para o fim da atividade, a bandeira vermelha entrou em ação, e o motivo completou as bizarrices do dia: o vidro da cabine da direção de prova, que fica próxima à linha de chegada, simplesmente estourou, espalhando cacos pela reta. Os fiscais correram para promover a limpeza total, mas o imprevisto causou paralisação de dez minutos.

Pista novamente liberada, e Norris por pouco não tirou Leclerc da liderança, mas a saída de frente na parte final comprometeu qualquer possibilidade. Mesmo assim, fechou a sessão com o melhor setor 1, investindo na sequência nos long runs. Nos cinco minutos finais, o teste de largada entrou em ação, e foi engraçado ver Bortoleto e Hadjar tendo um revival do que foi a final da F2 no ano passado, ainda que sem querer. Ao todo, Hadjar foi quem mais andou, completando 73 voltas, enquanto o problema com o assoalho fez Gabriel dar apenas 35 giros.

F1 2024, Testes de pré-temporada, Bahrein, Dia 3, Manhã:

1C LECLERCFerrari1:30.811 66
2A ANTONELLIMercedes1:30.888+0.07761
3L NORRISMcLaren Mercedes1:30.943+0.13257
4M VERSTAPPENRed Bull Honda1:31.209+0.39847
5J DOOHANAlpine1:31.239+0.42861
6A ALBONWilliams Mercedes1:31.444+0.63358
7I HADJARRacing Bulls Honda1:31.761+0.95073
8F ALONSOAston Martin Mercedes1:32.084+1.27349
9G BORTOLETOSauber Ferrari1:32.147+1.33635
10O BEARMANHaas Ferrari1:32.361+1.55059
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