Chefão diz que gestão de Ecclestone “cagava” na F1: “Reclamava, mas não fazia nada”

No momento em que trabalha junto às equipes e à FIA para definir o novo Pacto da Concórdia a partir de 2021, Chase Carey criticou duramente a antiga gestão da F1, chefiada por Bernie Ecclestone. Na visão do empresário, o ex-supremo do esporte era crítico demais, mas fazia pouco para tornar o esporte melhor e mais sustentável, deixando de discutir pontos cruciais, com os custos galopantes da categoria

A era Liberty Media na F1 entra no seu quarto ano com um enorme desafio pela frente: o acerto conjunto entre a própria categoria, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e as equipes para definir o novo Pacto da Concórdia, documento que rege as relações comerciais e determina a distribuição de receita no esporte. A empresa norte-americana, desde que tomou as rédeas da F1, vem se dedicando a torná-la mais atraente, sustentável e rentável. Na visão do atual chefão da categoria, Chase Carey, o Liberty Media corre atrás para resolver pontos pendentes desde que o Mundial era gerido por Bernie Ecclestone. Sobraram farpas do norte-americano contra o ex-supremo do esporte. O executivo lembrou das críticas ferozes do britânico contra a os motores híbridos — em vigor no grid desde 2014 — e entende que Ecclestone “cagava” no produto F1.
 
As declarações de Carey foram feitas durante evento realizado em Baku, no Azerbaijão, e veiculadas pelo site da revista britânica ‘Autosport’. O atual comandante da F1 entende que Ecclestone não tratou como deveria de pontos cruciais para o esporte, como os custos galopantes da categoria. Uma das metas do Liberty Media com a assinatura do novo Pacto da Concórdia, contrato que vai vigorar a partir de 2021, é tornar a distribuição de receita mais justa e proporcionar mais justiça à F1.                  
 
“Acho que questão a questão de coisas como custos chegou a um ponto em que deveria ter sido tratada antes. Acho que o esporte, provavelmente, não se organizou”, disse Carey, que citou os motores híbridos, sempre criticados por Ecclestone, como exemplo de uma F1 que precisava se modernizar.
Chase Carey disparou contra o tom crítico adotado por Bernie Ecclestone a respeito da F1 (Foto: AFP)
“Falei sobre o mecanismo híbrido e a incrível tecnologia envolvida nele, e, no entanto, os anos que nos antecederam foram principalmente de pessoas que o criticaram ao invés de dizer: ‘Este é o mecanismo mais eficiente, é uma obra incrível de tecnologia’, e ‘foi um passo para o esporte lidar com uma questão importante’”, disse.
 
Carey entende que o trabalho feito nos últimos anos pelo Liberty Media tem sido fundamental para que a F1 atraia vários países interessados em receber uma etapa do Mundial. O calendário de 2020 tem 22 GPs — incluindo o GP da China, prova adiada, mas ainda sem nova data definida —, tendo como novidades a volta do GP da Holanda e a entrada do Vietnã.
 
O interesse da empresa norte-americana é de um cronograma de até 25 etapas. Há uma fila de locais que desejam receber a F1 como Arábia Saudita, Argentina e Miami, além do desejo do Liberty Media em realizar uma segunda corrida na China.
 
“Havia muitas questões sobre o lado do promotor, e acho que a força disso foi evidenciada, foi muito positiva. Temos a sorte de ter muito mais demanda do que oferta de corridas. Queremos ser seletivos e queremos parcerias de longo prazo, mas isso tem sido positivo”, destacou Carey para, novamente, alfinetar o antigo comandante da F1.
 
“Acho que é um sinal do interesse no esporte, o interesse que não estava sendo aproveitado porque o esporte não estava fazendo as coisas que eram necessárias. O esporte tornou-se um pouco crítico demais, como eu disse, cagando em cima dos motores. Bernie dizia que eu sequer compraria um ingresso. Está reclamando, não consertando”, disparou.
 
“Houve problemas, mas não houve ação suficiente para resolver os problemas, como os custos. As pessoas reclamavam, mas não faziam nada. Geralmente na vida, se você tem problemas, você os corrige”, concluiu Chase Carey.

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