Chefe da Red Bull fala em “pedir esclarecimentos” à FIA sobre DAS da Mercedes

A Mercedes colocou na pista o DAS, o engenhoso sistema de direção de eixo duplo, já nesta manhã de primeiro treino livre do GP da Áustria. Mesmo a FIA já tendo informado às equipes sobre a legalidade da novidade desenvolvida pela equipe, a Red Bull quer saber mais a respeito

Antes mesmo de a temporada 2020 do Mundial de Fórmula 1 começar, lá na Austrália, em março, a Red Bull já ameaçava protestar junto à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) contra o DAS, o sistema de direção de eixo duplo, uma das grandes novidades desenvolvidas pela Mercedes para o W11 deste ano. A pandemia do novo coronavírus e o adiamento do início do campeonato para o primeiro fim de semana de julho, na Áustria, somente adiou a polêmica, que voltou à tona desde a última quinta-feira. A equipe hexacampeã do mundo colocou na pista o novo DAS no Red Bull Ring no primeiro treino livre do GP da Áustria. Assim, mesmo a FIA tendo dado sinal verde ao dispositivo, Christian Horner, chefe da Red Bull, está com aquela chamada ‘pulga atrás da orelha’.

“Estamos buscando esclarecimentos da FIA e começamos a levantar algumas questões sobre o assunto”, declarou o dirigente inglês em entrevista à emissora Sky Sports durante a sessão que foi dominada pela Mercedes, teve a liderança de Lewis Hamilton, enquanto Max Verstappen foi o terceiro, porém 0s6 atrás do hexacampeão do mundo.

Valtteri Bottas
Valtteri Bottas fez uso do DAS no primeiro treino livre do GP da Áustria (Foto: F1/Twitter)

O DAS — Direção de Eixo Duplo — Dual Axis Steering, na sigla em inglês, permite mudanças na configuração do volante e cambagem do carro. Com o DAS, os pilotos puxam e empurram o volante, em vez de apenas virar para um lado e outro. É assim que controlam o posicionamento da suspensão e, por tabela, dos pneus e sua área de contato com o asfalto.

Valtteri Bottas aciona o DAS no primeiro treino livre na Áustria (Vídeo: Reprodução/F1)

Em suma, puxar para a frente faz a barra de direção puxar também o sistema de suspensão do carro, alterando a cambagem. Empurrando-o para trás, o efeito oposto.

O sistema desenvolvido pela Mercedes provocou debate no paddock da Fórmula 1 nos testes de pré-temporada, realizados em fevereiro em Barcelona. A FIA, depois de analisar os detalhes do DAS, liberou o funcionamento do dispositivo neste ano, mas o baniu para a próxima temporada.

Quando questionado se a Red Bull pretende desenvolver o seu próprio DAS, Horner não deu maiores detalhes. “Depende do que ele faz e do que ele alcança. É um sistema inteligente, é um sistema engenhoso. Mas essas regras são tão complexas que é tão somente sobre entender em qual parte das regras ele [o DAS] se encaixa”.

No fim das contas, o chefe da equipe tetracampeã do mundo reconhece que a Mercedes largou na frente, mas acredita que, tendo como armas o maior entrosamento com a Honda e a juventude de Max Verstappen, talvez seja possível desafiar o poderio da escuderia que domina a Fórmula 1 desde 2014.

“É bom ver os carros novamente, ouvir os motores novamente e voltar à normalidade. A Mercedes tem sido muito forte nos últimos cinco ou seis anos, entra nesta temporada fomo favoritos, e vai ser um grande desafio batê-los. Mas fizemos progressos, essa relação com a Honda só cresceu nos últimos seis meses durante o inverno, portanto estamos muito esperançosos entrando neste ano”, disse.

“Max está pronto para enfrentar o desafio de lutar pelo título, desde que possamos entregar o equipamento certo”, concluiu.

O segundo treino livre no Red Bull Ring acontece logo mais, às 10h (horário de Brasília). O GRANDE PRÊMIO transmite em tempo real todas as atividades do fim de semana do GP da Áustria de F1.

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