Chefe da Sauber volta a defender adoção de teto orçamentário, mas faz ressalva: “Tem de ver como vamos monitorar”

Chefe da equipe mais fraca do grid na temporada passada, Frédéric Vasseur voltou a defender a introdução de um sistema para limitar os gastos das equipes, de modo a tornar a F1 mais equilibrada e com mais chances de bons resultados para todos. Contudo, o dirigente francês se mostrou em dúvida sobre como monitorar o quanto cada equipe gasta

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Enquanto as equipes trabalham nos projetos dos carros para a temporada 2018, os dirigentes da F1 vez ou outra se pronunciam sobre um tema que há tempos faz parte do noticiário do esporte, porém sem perspectivas reais de ser colocado em prática, ao menos por enquanto: o teto orçamentário. As poderosas Ferrari e Mercedes já se declararam contrárias à medida, que por sua vez agrada em cheio às equipes intermediárias e do fundo do grid. Parceira da Ferrari, a Sauber, por meio do seu chefe, Frédéric Vasseur, defendeu a limitação de gastos para tornar o esporte mais equilibrado e oferecer mais chances para todos. O dirigente francês, contudo, tem uma preocupação: como monitorar o que cada equipe gasta ao longo de uma temporada? 

 
Além das equipes do meio para o fim do grid, o teto orçamentário é defendido pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e também pela empresa responsável pela gestão da F1, o Liberty Media. A ideia, para 2021, é justamente diminuir o abismo entre as escuderias e proporcionar um esporte mais interessante para o fã.
 
Em setembro de 2017, o ‘Business Book GP’, famosa publicação que aborda o lado financeiro e comercial da F1, listou quanto cada equipe gastou na última temporada. E os números mostram a enorme diferença entre as equipes. A Sauber, por exemplo, é quem teve o menor orçamento, com € 90,9 milhões (R$ 358,82 milhões) ao longo do ano. A Force India, mesmo tendo um grande desempenho ao alcançar o quarto lugar do Mundial de Construtores pelo segundo ano seguido, gastou € 145,05 milhões (R$ 572,57 mi). 
A Sauber sonha com uma F1 mais parelha. Para isso, defende a adoção do teto orçamentário (Foto: Andy Hone/LAT Images)
A equipe dona do maior orçamento da F1 é a tetracampeã Mercedes, com € 497,5 milhões (R$ 1,96 bilhão, na cotação atual), mais de cinco vezes o previsto pela Sauber.
 
É justamente nesse cenário que Vasseur gostaria de ver mudanças significativas na F1. “Se tivermos o mesmo dinheiro das equipes de ponta, vamos reduzir a diferença. Mas não sei se nós vamos ter de fazer isso via regulamento, ou algo como a adoção de peças-padrão. Então, as maiores equipes vão conseguir gastar o mesmo que agora, mas apenas para ganhos pontuais”, sugeriu o dirigente em entrevista à revista britânica ‘Autosport’. 
 
Contudo, o francês ressaltou que seria difícil fazer o monitoramento do que cada equipe gastaria. “Nós podemos seguir com o monitoramento financeiro, mas estou um pouco assustado com isso. No papel, isso pode dar certo, mas então você tem de ver como vamos conseguir monitorar isso durante a temporada para evitar estarmos em uma situação em que vemos notícias nos sites de que Ferrari ou Mercedes gastaram € 10 (R$ 39) mais que o permitido”.
 
“Algo do tipo, para o espetáculo e a imagem da F1, seria o pior cenário possível. Porque, nesta fase, para os fãs, o lado ruim da F1 é que isso se tornou questão de dinheiro. E se nós estamos falando sobre orçamento, isso seria um pesadelo”, acrescentou.
 
Na visão do engenheiro, o teto orçamentário somente afetaria em maior proporção as três maiores equipes do grid, enquanto deixaria as outras sete com um nível bastante parecido.
 

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“Se você quer ter um teto orçamentário de US$ 150 milhões (R$ 483 milhões), então isso não vai afetar a Force India, não vai afetar a nós, e não vai afetar a maioria das equipes. Se você tirar os pilotos e o marketing, isso seria para as três principais equipes”, ponderou. “A melhor forma seria fazer isso por meio de um regulamento, limitando o orçamento necessário. A Mercedes vai sempre conseguir gastar muito mais do que nós, o que é ok, mas ao menos você tem de dar a chance para as equipes pequenas estarem numa posição para lutar por pódios”, complementou.

 
Para Vasseur, a adoção de tal regra seria salutar para o esporte como um todo, e quem sairia ganhando, no fim das contas, seria o fã da F1. “Se você quer um bom agito no começo da corrida, então é como se Esteban Ocon ou Sergio Pérez pudessem estar em um pódio a cada corrida se eles fizessem um bom trabalho. No momento, você tem duas Mercedes, duas Ferrari e duas Red Bull, e isso é um pouco chato”, encerrou.
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