Chefe da Red Bull cita ‘push-to-pass’ e volta a defender mudança no motor da F1 2026

Christian Horner, chefe da Red Bull, afirmou mais uma vez que seria importante para a Fórmula 1 alterar a proporção entre o motor de combustão interna e a parte elétrica dos carros para a temporada 2026

Os debates que tratam sobre as mudanças que podem acontecer nas unidades de potência para a temporada 2026 da Fórmula 1 — quando o novo regulamento entra em vigor — continuam a todo vapor. Chefe da Red Bull, Christian Horner voltou a falar do assunto e deu alguns detalhes sobre a reunião que foi realizada durante o fim de semana do GP do Bahrein, quando a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) conversou com equipes e fabricantes de motores.

Tudo começou há algumas semanas, quando o jornal Motor ES relatou que, durante algumas simulações no circuito de Monza, na Itália, a Mercedes demonstrou que o aspecto híbrido do motor é completamente deficiente. Com base nos dados obtidos, a potência elétrica dos carros estaria se esgotando no meio da reta principal, deixando os mesmos dependendo apenas do motor de combustão interna, traduzindo-se em uma potência entre 540 e 570 CV — menor do que de um carro de Fórmula 2, por exemplo.

Pressionada por algumas equipes, a entidade presidida por Mohammed Ben Sulayem então apresentou possíveis mudanças no regulamento no último encontro da Comissão de F1. A proposta seria fazer com que a proporção de 50% de motor de combustão interna e 50% de bateria seja mantida apenas para a classificação. Para a corrida, a ideia é reduzir a potência elétrica de 350 kW para 200 kW — fazendo com que essa mesma relação passe a ser de 36% para as baterias e 64% para a combustão.

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Mercedes e Red Bull se colocaram em lados opostos (Foto: XPB/Press Association Images)

De acordo com o The Race, a mudança tem como objetivo obter um desempenho mais consistente nas retas e aumentar as oportunidades de ultrapassagem. Para que a proposta entre em vigor, no entanto, é necessário o consenso de 70% dos votantes — embora tenha ficado muito claro até aqui que exista uma clara divergência de pensamento entre os principais protagonistas do grid. Chefe da Mercedes, Toto Wolff foi quem mais se posicionou contra.

Em entrevista ao portal Planet F1, Horner, por sua vez, voltou a defender a ideia ao alertar sobre a possibilidade de o ‘lift and coast’, técnica de pilotagem onde os pilotos levantam o pé do acelerador em retas e trechos de alta velocidade para economizar combustível e reduzir o desgaste dos freios, tornar-se mais frequente — o que não seria algo positivo, na visão do chefe da Red Bull.

“A FIA finalmente deu uma olhada nos regulamentos e percebeu que no próximo ano poderá ocorrer de forma sistemática o fenômeno do ‘lift and coast’, com os pilotos obrigados a preservar energia elétrica ou entrar em modo ‘recarga’ — um cenário que os deixará loucos”, começou. “Os carros terão o DRS sempre aberto e, portanto, esse aspecto não fará diferença para favorecer as ultrapassagens”, acrescentou.

“Por isso, os delegados da FIA apresentaram uma proposta que prevê manter todas as especificações técnicas inalteradas, mas reduzir a energia da bateria durante a corrida, de modo a efetivamente criar uma espécie de ‘push-to-pass’ ao se utilizar a energia elétrica”, explicou.

Carro da temporada 2026 da F1 (Foto: Reprodução/FIA)

“Acredito que seja uma proposta válida. No contexto geral da F1, vale a pena considerá-la. Não muda as especificações. Não muda a potência máxima desses motores. Muda apenas a forma como ela seria efetivamente utilizada”, encerrou o comandante da Red Bull.

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