FIA reduz multa por palavrões e introduz punições esportivas por críticas a oficiais

Federação Internacional de Automobilismo (FIA) reduziu pela metade multa por palavrões e prometeu julgamentos mais justos. Em contrapartida, passará a punir esportivamente pilotos por críticas a oficiais de prova

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou, nesta quarta-feira (14), uma revisão no Apêndice B do Código Esportivo Internacional que altera de forma significativa o tratamento dado a declarações de pilotos e equipes. Entre as principais mudanças estão redução das multas aplicadas a palavrões ou xingamentos em momentos específicos e introdução de punições esportivas mais severas para casos de abuso e críticas direcionadas a oficiais de prova. As mudanças no Apêndice B já estão em vigor e se aplicam a todos os campeonatos sob responsabilidade da FIA.

Com as alterações aprovadas por votação virtual no Conselho Mundial do Esporte a Motor, o valor máximo por esse tipo de infração caiu de € 10 mil para € 5 mil, uma redução de 50%. Em competições com chancela de Campeonato Mundial da FIA, onde as multas eram multiplicadas, a dedução poderá ser maior.

Além disso, o contexto em que a declaração é feita passa a ser considerado. “Ambientes controlados” — como coletivas de imprensa — terão peso diferente de “ambientes não controlados”, como momentos de rádio dentro do carro em que haja reação espontânea.

A revisão ocorre em meio à crescente tensão sobre o tom das comunicações nas competições. Em 2024, Max Verstappen foi punido após o GP de Singapura por dizer que o RB20 era “um carro fodido” e criticar Mohamed Ben Sulayen na coletiva de imprensa. Em novembro, Charles Leclerc foi multado ao falar “porra” em entrevista no GP da Cidade do México. Em fevereiro deste ano, Adrien Fourmaux também recebeu multa por afirmar que “fodeu tudo” durante o Rali da Suécia. A FIA chegou a ameaçar descontar pontos ou até suspender pilotos.

Max Verstappen foi punido pela FIA por falar palavrão na coletiva do GP de Singapura de 2024 (Foto: Red Bull Content Pool)

As medidas geraram forte reação. Os pilotos da F1 foram praticamente unânimes em criticar as punições, enquanto os do WRC chegaram a fazer “greve de silêncio”, se recusando a dar entrevistas durante o Rali do Quênia. A pressão levou a FIA a recuar e rever as regras.

Por outro lado, passará a tratar casos de abuso verbal ou ataques direcionados a comissários com mais rigor. As multas deixam de ser a resposta principal, e os pilotos poderão ser penalizados esportivamente. Nas provas de monopostos, as punições podem ser três posições no grid de largada — em caso de infração nos treinos — ou cinco segundos — caso ocorra durante as corridas —, enquanto no rali serão adicionados dois minutos ao tempo marcado. A entidade acredita que isso alinha o automobilismo a outros esportes, como futebol e rugby, que tratam ofensas a árbitros com maior severidade.

As novas diretrizes também dão aos comissários a liberdade de suspender uma punição em casos de primeira infração, desde que a gravidade do caso permita. A ideia é tornar as decisões mais proporcionais e equilibradas, permitindo que fatores atenuantes sejam considerados.

“Automobilismo é movido por emoção, e sei disso como ex-piloto. Mas há uma linha que não pode ser cruzada. Essas mudanças fortalecem nosso código esportivo, mas também promovem um ambiente mais justo, reconhecendo o calor da competição”, declarou o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem.

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