Pilotos do WRC encerram silêncio após acordo por flexibilização de regras contra palavrões
Depois de ficarem em silêncio nas entrevistas pós-estágios no Rali do Quênia, os pilotos do WRC vão voltar a falar com a imprensa após o término das sessões já na próxima etapa, no Rali das Ilhas Canárias
A resistência dos pilotos do Mundial de Rali [WRC] às regras contra palavrões estabelecidas pela Federação Internacional de Automobilismo [FIA] esfriou nesta terça-feira (22). O co-piloto e presidente da Aliança Mundial dos Pilotos de Rali [WoRDA], Julien Ingrassia, confirmou que as estrelas da categoria vão voltar a falar nas entrevistas pós-estágios já na próxima etapa, nas Ilhas Canárias.
Em fevereiro, no Rali da Suécia, Adrien Fourmaux foi a primeira vítima das restrições da FIA ao ser multado em €10.000 (R$ 66.793 na cotação atual) por falar um palavrão durante uma entrevista a uma emissora de televisão. O episódio provocou uma reação imediata dos pilotos, que protestaram na etapa seguinte.
No Rali do Quênia, os protagonistas do WRC não falaram ou conversaram apenas na língua natal com a imprensa em entrevistas pós-estágios. Enquanto isso, a WoRDA conversava nos bastidores com a FIA para que as regras contra palavrões fossem menos rígidas e não aplicadas “no calor do momento”.
Ingrassia, em entrevista à revista inglesa Autosport, confirmou que as duas partes chegaram a “uma solução muito boa” para encerrar o silêncio dos pilotos do WRC.

“Todos perceberam que nosso esporte é único, com elementos muito específicos. Não conhecemos nenhum outro esporte em que os atletas dão cerca de 20 entrevistas ao vivo no calor do momento durante um único evento. Chegamos a uma solução muito boa. Agora decidimos que o itinerário dos ralis será dividido em duas zonas”, explicou.
“A zona controlada, que inclui coletivas, área de entrevistas e zona de mídia — locais onde os pilotos podem estar com a cabeça mais fria — é onde o Apêndice B [do Código Esportivo Internacional] será aplicado. Depois, temos as zonas não controladas, que são as entrevistas no final dos estágios e as comunicações via rádio, pois sabemos que os pilotos podem ter uma reação ruim se, por exemplo, baterem em uma pedra ou algo do tipo”, seguiu Ingrassia.
“Essas zonas são não controladas e, claro, enquanto estivermos falando apenas de palavrões e não de violência ou má conduta grave, concordamos — algo parecido com a Fórmula 1 — que, como os pilotos lá também falam palavrões no rádio com a equipe e não são punidos, o mesmo se aplicará aqui. Chegamos a esse acordo, que é muito bom porque resolve muita coisa, e agora podemos focar no esporte em si, à medida que nos aproximamos do Rali das Ilhas Canárias. Sabemos que a atmosfera dos fãs lá vai ser bem intensa, e temos todos os ingredientes para um grande evento”, continuou.
Ingrassia também reforçou que confia na palavra da FIA e que foi convidado a participar do próximo comitê de pilotos do WRC para garantir a continuidade da comunicação transparente entre as duas partes.
A próxima etapa do WRC está programada para acontecer entre os dias 24 e 27 de abril, com o Rali das Ilhas Canárias, na Espanha. A categoria ainda vai passar por Portugal, Itália, Grécia, Estônia, Finlândia, Paraguai, Chile, Europa Central, Japão e Arábia Saudita em 2025.
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