F1

Christian Fittipaldi recorda temporada 1994 e elege Footwork como “carro mais prazeroso” da carreira

Ao longo da sua carreira na F1, Christian Fittipaldi conquistou três quarto lugares como melhor resultado. Dois deles foram obtidos em 1994 com a Footwork. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, o brasileiro recordou que o FA15 empurrado pelo motor Ford Cosworth foi o mais prazeroso que já guiou na sua carreira, encerrada no fim de janeiro em Daytona
Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
 Christian Fittipaldi no GP de San Marino de 1994 (Foto: Twitter)
 
Dos mais de 30 anos de carreira, Christian Fittipaldi viveu três deles na F1. Entre 1992 e 1994, o neto do ‘Barão’ Wilson Fittipaldi, filho de Wilsinho e sobrinho de Emerson teve a chance de acelerar naquele que é o Olimpo do esporte a motor. Vindo da conquista do título da F3000 Europeia em 1991, no ano seguinte Christian conseguiu uma vaga na Minardi, onde ficou duas temporadas, antes de se transferir para a Footwork em 1994.
 
E foi justamente naquele fatídico ano marcado pela morte de Ayrton Senna que Christian viveu sua melhor temporada na F1. Graças a um projeto bem-sucedido liderado pelo engenheiro Alan Jenkins: o FA15 empurrado pelo motor Ford Cosworth HB. O carro não era apenas dono de uma bela pintura. Foi o “mais prazeroso” da longa carreira de Christian nas pistas, contou o piloto com exclusividade ao GRANDE PREMIUM.
Christian Fittipaldi no GP da Alemanha de 1994 (Foto: Twitter)
“O mais prazeroso foi a Footwork, antes de cortarem todo o difusor logo depois da corrida de Mônaco. Infelizmente, por causa da tragédia de Ímola, eles acabaram com uma mudança radical no regulamento e sofremos um pouco com isso. Se não mudasse o carro até o final do ano, tenho certeza que aquele carro entraria não uma vez, mas várias vezes no pódio”, recordou.
 
Depois de ter abandonado o GP do Brasil, Christian teve pela frente a segunda corrida de 1994, o GP do Pacífico, em Aida. Fittipaldi igualou o seu melhor resultado até então na F1 ao terminar a prova no Japão em quarto lugar, na mesma prova que marcou o primeiro pódio da carreira de Rubens Barrichello. O piloto já havia chegado em P4 no GP da África do Sul do ano anterior, correndo pela Minardi.
 
“As primeiras quatro corridas foram fantásticas, mas tivemos muitos problemas mecânicos. Na única corrida que terminei, em Aida, fui o quarto”, disse.
 
Foi um começo de temporada promissor com um carro que tinha seu potencial. No trágico GP de San Marino, por exemplo, Christian chegou a andar em terceiro antes de abandonar por conta de problemas no câmbio. Na corrida seguinte, em Mônaco, Fittipaldi alcançou o melhor grid da sua carreira na F1: sexto lugar.
 
Só que tudo mudou para pior na Footwork na sequência da temporada. Por conta da tragédia em Ímola, a FIA providenciou uma série de mudanças no regulamento técnico para tornar os carros mais lentos. Assim, o FA15 perdeu toda a sua capacidade de estar ali, com chance de beliscar bons pontos — os seis primeiros pontuavam naquele tempo. Ainda assim, Fittipaldi voltou a marcar um quarto lugar na disputa do GP da Alemanha, que teve Morbidelli em quinto.
 
Ao fim da temporada 1994, Fittipaldi decidiu dar um novo rumo à sua carreira e deixou a Europa rumo aos Estados Unidos. O destino era a Indy como piloto da Walker, sendo companheiro de equipe de Robby Gordon. Christian foi um dos tantos brasileiros que estrearam na Indy em 1995, assim como Gil de Ferran e André Ribeiro.