F1

Cinco anos depois de comprar Brawn GP, Mercedes chega ao topo da F1 com título do Mundial de Construtores

A Mercedes anunciou no fim de 2009 a aquisição do time que acabara de conquistar o título mundial para voltar a ter uma equipe própria no Mundial de F1. Cinco anos depois, chegou ao topo
Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
 Hamilton (Foto:AP)
A Mercedes conquistou, neste domingo (12), o primeiro dos dois títulos que estão em jogo na temporada 2014 do Mundial de F1. Com três corridas restando no campeonato, a equipe alemã, baseada em Brackley, no Reino Unido, faturou venceu o Mundial de Construtores pela primeira vez em sua história. E em grande estilo, com uma dobradinha que reafirmou a soberania do F1 W05 Hybrid sobre os demais carros do grid.

Esse título faz parte de um projeto que começou há cinco anos com a aquisição da Brawn GP, então campeã da F1.
Paddy Lowe foi ao pódio para comemorar o título da F1 com Hamilton e Rosberg (Foto: Getty Images)
Na década de 1950, a Mercedes já havia sido campeã da F1 com Juan Manuel Fangio, em 1954 e 1955, mas naquela época não existia um campeonato de equipes — criado apenas em 1958.

A história da montadora de Stuttgart no automobilismo foi abreviada pela decisão de, após o trágico acidente de Pierre Levegh nas 24 Horas de Le Mans de 1955, retirar o apoio oficial às corridas.

O retorno só aconteceu na década de 1980, em competições de protótipos, e a fabricante alemã só estampou a estrela de três pontas em carros de F1 outra vez em 1994, com a Sauber — um ano antes, bancava a preparadora Ilmor, mas ainda não aparecia oficialmente.

A relação com a Sauber na F1, contudo, não durou muito. Foi com a McLaren que a associação rendeu dividendos. Estabelecida em 1995, a parceria faturou a primeira vitória no GP da Austrália de 1997, com David Coulthard, e rendeu o bicampeonato de Mika Häkkinen em 1998 e 1999, além do título de Construtores em 1998.
Motor Mercedes levou Mika Häkkinen ao bicampeonato da F1 (Foto: Getty Images)
Nos anos seguintes, o conjunto viu a ascensão da Ferrari, que dominou a F1 até 2004, e da Renault, em 2005 e em 2006. Ainda assim, fez campeonatos fortes em 2000, 2001 e 2005 lutando pelo título com Häkkinen, Coulthard e Kimi Räikkönen, respectivamente.

O jejum deveria chegar ao fim em 2007, com Fernando Alonso ou Lewis Hamilton, mas a guerra interna que eclodiu dentro da McLaren entregou o caneco para a Ferrari de Räikkönen. E a imagem negativa passada pelo SpyGate colaborou para a deterioração do relacionamento, que já ia ficando ruim na medida em que a marca queria ter mais influência em Woking, mas Ron Dennis se recusava a permitir.

O surgimento da Brawn GP em 2009 abriu os olhos para um novo caminho. A ex-Honda tinha em mãos um carro ótimo que, com o bom V8 da Mercedes, tornou-se uma das mais carismáticas campeãs da história da F1. E, no fim do ano, a Mercedes comprou o time e recolocou as Flechas Prateadas na F1.

Esse projeto começou com a manutenção de Ross Brawn e a contratação de Michael Schumacher, aposentado desde 2006, para formar dupla com Nico Rosberg. Mas as mudanças no regulamento e, entre 2011 e 2013, as dificuldades para compreender melhor o funcionamento dos compostos produzidos pela Pirelli, significaram que a conquista da F1 não foi imediata.

A primeira vitória foi conquistada apenas em 2012, na China, com Rosberg. Para 2013, foi feita a opção pela contratação de Hamilton para o lugar de Schumacher, o que deu mais do que certo. Uma importante mudança também aconteceu no comando: considerando-se culpado pelo fracasso das três primeiras temporadas, Norbert Haug pediu demissão. Toto Wolff chegou para substituí-lo e contratou Paddy Lowe, da McLaren, para dar uma nova luz ao time técnico. Deu mais do que certo.
Lewis Hamilton comemora vitória em Sochi, a 13ª da Mercedes em 2014 (Foto: AP)
O projeto do motor V6 turbo da Mercedes foi excepcional. O propulsor construído em Brixworth, no Reino Unido, é de longe o melhor da F1 atual, e isso foi a chave do sucesso. Mas é preciso dizer que o chassi também é muito bom, haja vista o êxito em pistas que exigem mais downforce do que potência, como Barcelona e Mônaco.

Em 2014, já foram conquistadas 13 vitórias, nove com Hamilton e quatro com Rosberg, nove dobradinhas, 15 pole-positions e um total de 565 pontos que uma escuderia pode marcar no campeonato todo. O recorde pertence à Red Bull, que fez 650 pontos em 2011 e 596 em 2013. Ainda é possível igualar o recorde de poles da mesma Red Bull — 18 em 2011 —, e missão não mais difícil é se tornar a equipe com o maior número de vitórias em uma temporada: 16, batendo as 15 da McLaren em 1988 e da Ferrari em 2002 e 2004.

Depois dessa conquista, a equipe pode ficar mais tranquila com relação à disputa de seus pilotos pelo outro título, o do Mundial de Pilotos. Após a quarta vitória consecutiva, Hamilton abriu 17 pontos para o alemão. Daniel Ricciardo ainda tem chances matemáticas, mas remotíssimas. Ele precisa marcar 17 pontos a mais que o inglês no GP dos Estados Unidos, em 2 de novembro, para conseguir se manter vivo. Não vai acontecer em uma condição normal.

95% da missão foram cumpridos.