Coluna Apex, por Andre Jung: Proteção e protestos

Nesse mundo de vereditos que estamos vivendo, não é pequena a grita para que os monopostos passem a ter capota, mas o que parece simples não é nada fácil. Não é de agora que se tenta encontrar uma solução razoável para proteger a cabeça dos pilotos. Entre os prós e contras, os carros permanecem abertos

Às vezes é difícil engatar uma coluna como essa de hoje. Desde domingo, estou tentando achar um gancho, uma sacada que faça valer a pena a paciência dos que topam ler essas palavras jogadas no cyberspace.

Depois do acidente — e posterior morte — de Justin Wilson, não consigo achar nada relevante, aliás, diante da tragédia quase tudo perde a relevância. Como sabem, minha coluna é sobre a F1, onde Justin teve uma passagem discreta e que não fez jus ao seu talento. Grandalhão, não era visto com bons olhos pelos projetistas, mas tinha muita velocidade no sangue e rumou para onde o receberam melhor.

Nesse mundo de vereditos que estamos vivendo, não é pequena a grita para que os monopostos passem a ter capota, mas o que parece simples não é nada fácil. Não é de agora que se tenta encontrar uma solução razoável para proteger a cabeça dos pilotos. Entre os prós e contras, os carros permanecem abertos.
(Ilustração: Marta Oliveira)
São dezenas de categorias de monopostos, isso sem falar do kart. Os pilotos correm de cara para o vento faz tempo, e parte da identificação que o público do automobilismo tem com seus ídolos passa por vê-los em ação, dentro de seus cockpits abertos.
 
Do tempo de Ayrton Senna, em que o nível de proteção à cabeça do piloto era próximo a zero, para os dias de hoje, muita coisa evoluiu. Com o Hans e com capacetes e viseiras muito mais resistentes — Felipe Massa que o diga —, as probabilidades de um acidente fatal diminuíram consideravelmente. 
 
Recentemente, tivemos a perda de Jules Bianchi, o jovem talento francês que se preparava para assumir um posto na Ferrari. Nesse caso específico, a morte ocorreu em decorrência da violenta desaceleração, seu cérebro foi mortalmente ferido pela súbita desaceleração.
 
Poucos anos atrás, John Surtees perdeu um filho que corria a temporada da F2. Um pneu subiu aos céus, depois de um forte acidente, e desceu precisamente sobre a cabeça do rapaz. Difícil imaginar que capota resistiria àquela pancada. Caso resistisse, para onde lançaria aquele pneu desgovernado? Muito provavelmente para fora da pista, onde fica o público.
 
O caso de Justin Wilson não é muito diferente, o risco dos pequenos detritos, como foi a mola que atingiu Massa em 2009, tem boa possibilidade de ser evitado, mas fragmentos de grandes proporções, voando em alta velocidade, atingindo um carro também em alta velocidade, produzem choques com altíssima pressão, e os custos para instalar um dispositivo capaz de resistir a um choque assim são difíceis de financiar.
 
Bom, continuo achando que os fórmulas devem ser carros abertos, apesar dos pesares.
 
A patacoada da Williams foi um momento marcante (sem trocadilho), um fiasco que demonstra o longo caminho que a equipe ainda tem de percorrer para voltar a ser grande. Sem conseguir fazer seus carros renderem com os compostos macios, a equipe definitivamente ‘apanhou’ dos pneus no GP da Bélgica.
 
O protesto de Sebastian Vettel com a Pirelli tem dois lados. Ok, pneus não podem simplesmente explodir, o risco é altíssimo, especialmente numa pista rápida como Spa, mas todos viram o que aconteceu com Nico Rosberg nos treinos livres, quando testava a durabilidade dos pneus e foi surpreendido com uma explosão no mesmo traseiro direito. Ali havia uma lição que não foi devidamente assimilada no box ferrarista.
 
Na Lotus, impressiona o brilhantismo de Romain Grosjean em contraste com as trapalhadas de Pastor Maldonado. O dinheiro da PDVSA é crucial para a economia combalida da equipe inglesa, só isso explica o venezuelano não ter sido demitido ainda.
 
Depois da parada ainda no início da prova, a equipe tratou de por integralmente na conta de Maldonado a culpa pelo ocorrido, explicando que uma saída de pista na Eau Rouge tinha danificado a embreagem — razão da quebra na sequência.
 
Kimi Räikkönen estava aliviado com o contrato renovado, mas a sorte (falta de) continua a mesma, nem mesmo na pista onde tem melhores resultados, os problemas mecânicos o deixaram em paz.
 
A Renault parece ter melhorado bastante seu motor durante o período sabático —  a confirmar em Monza. A Honda chegou a falar que já havia superado o desempenho do motor francês, talvez um tipo de piada dos japoneses que a gente não entende muito bem.
 
Enquanto isso…
 
…a Sauber comemorou o novo motor Ferrari, mas com a evolução geral, seu lugar no grid não melhorou…
 
…Sergio Pérez voltou a mostrar um de seus momentos de talento…
 
…Fernando Alonso, sem resultados e sem perspectivas, abre a boca para dizer que se arrepende de não ter deixado a Ferrari antes… Ah, se inveja matasse.
 

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