Coluna Rookie Text, por Gabriel Araújo: Fogo na aldeia
Quem é que não gosta de ver um circo pegando fogo na F1? Sempre é um atrativo a mais pode acompanhar duelo como este que envolve Lewis Hamilton e Nico Rosberg
Quando Nelson Piquet e Nigel Mansell duelaram dentro da Williams em 1986, o título da F1 caiu no colo de Alain Prost. Ayrton Senna e o próprio Prost travaram inúmeras batalhas na McLaren, com sucesso para os dois lados. Lewis Hamilton já passou por situação de briga interna com Fernando Alonso em 2007, novamente na escuderia de Woking, e viu o caneco ficar para Kimi Räikkönen. Diante de tantos exemplos, e existem mais, a pergunta é: afinal, vale a pena disputar tamanho espaço no mesmo time?
Hamilton e Nico Rosberg já começam a briga não só pelo título de 2014, mas também pela Mercedes. Era explícito que, em algum momento, algo aconteceria entre o inglês e o alemão. Mônaco foi apenas o estopim da confusão, com Rosberg errando – de propósito? – na classificação e fazendo com que Hamilton não encaixasse sua última volta rápida.
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Na prova, uma busca implacável de Lewis por Nico durante boa parte da corrida, até um cisco entrar em seu olho esquerdo e a pressão passar de Daniel Ricciardo para cima dele. Vitória, pois, de Rosberg, e que retomou a liderança de campeonato. Liderança que o campeão de 2008 levara quatro provas para abocanhar. Mas… E agora, José? A festa não acabou, não, e as luzes estão longe de se apagarem.
O lado bom, para a Mercedes, é que ninguém poderá tirar o título de suas mãos. Não há terceira força. Não haverá o elemento surpresa, como Prost/86 e Räikkönen/07, que aparece no meio da briga e leva o caneco. O campeonato está dividido entre Mercedes e os outros. Resta saber se também entre Rosberg e Hamilton.

Lewis, aliás, parece que não aprendeu. Viveu o mesmo com Alonso e não se esgota. É atacado no psicológico por Nico e sabe o que acontece, mas quer ganhar na força por sua desconfiança. Na McLaren foi assim, protegido que era da casa. Mas e se a situação não se resolver na Mercedes? Será novamente dessa maneira?
Sobram perguntas, faltam respostas, aparecem palpites. Nunca mais se olharão, os pilotos? Nem conversarão? É necessário cabeça fria para ambos, que dividirão pódios e mais pódios até o fim do ano. É preciso pensar bem antes de algo, e usar a experiência no momento.
Experiência esta que pode partir, ainda, de Niki Lauda, presidente não-executivo da Mercedes. Uma visão como a do austríaco é importantíssima para lidar com o problema. Tricampeão que é, tem poder de definição no time e sabe bem como solucionar situações de magnitude. Mostra-se despreocupado. Bom estar, mesmo. Precisa de paciência para lidar com os rapazes. Deve ajudar a conduzir a conversa, sabe-se lá qual seja, dentro da equipe.
Agora, a batalha prosseguirá no Canadá. Resta saber se dentro e fora da prova ou somente nas pistas. Qualquer acontecimento, mesmo que mínimo, pode fazer com que a bomba exploda nas mãos do time da estrela de três pontas novamente. O Circuito Gilles Villeneuve é especialidade de Hamilton, mas Rosberg pode aprontar em Montreal, o que deixaria, sem dúvidas, o inglês enfurecido.
É momento, sim, de definições para os rumos do campeonato. O Mundial entra em sua melhor fase sem saber se a disputa entre os dois principais pilotos, na melhor equipe do ano, promoverá colegas ou rivais daqui em diante.
E no fim, em meio a tantas perguntas, o cenário se encaixa para mais uma, agora em direção ao público: quem é que não gosta de ver um circo pegando fogo na F1? Sempre é um atrativo a mais. Nos próximos capítulos da novela, portanto, saberemos se, no incêndio, os palhaços se salvarão ou o fogo consumirá um por um.
Indy 500
Corrida bacana. Sempre é. Tudo bem que faltaram as famigeradas bandeiras amarelas, que só começaram a aparecer na volta 150. Mas emoção sobrou. Vitória de Ryan Hunter-Reay sobre Helio Castroneves por apenas 0s060. Épico. Helinho chegou perto da quarta vitória no Speedway. Talvez tenha sido afoito nas voltas finais, ultrapassando um giro mais cedo do que o preciso. Mas o passão de RHR no apagar das luzes também foi fantástico. Grandes pilotos. Briga original para o espetáculo que é Indianápolis. Vale a pena esperar o tempo que for para ver algo assim.
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