Coluna Rookie Text, por Gabriel Araújo: Velho Continente, Velha F1
A temporada europeia passou voando e, no fim, o assunto é o mesmo do início: Hamilton ou Rosberg, quem será campeão?
Acabou a temporada europeia da F1. Os amantes da categoria, em grande maioria, têm o período como o melhor do ano: corridas tradicionais, circuitos bacanas, países interessantes e, claro, o panorama de mudança que pode surgir a partir do GP da Espanha – neste ano, foi disputado em 11 de maio. Mesmo que algo de extremo aconteça e seja ruim, o tempo europeu da categoria deixa saldos positivos. No Velho Continente, há o retorno da velha F1.
A volta das férias pode sempre mudar algo. Em 2014, particularmente, pouco alterou. A Mercedes seguiu dominando, como na primeira época asiática, mas a disputa entre os nomes do time, Lewis Hamilton e Nico Rosberg, se acirrou. O inglês deixou Barcelona como líder e termina, em Monza, 22 pontos atrás do (ex) amigo. Mas bem na fita.
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Os ânimos afloraram por volta do GP de Mônaco, com a escapada do alemão, vencedor da prova, na Mirabeau durante a classificação, prejudicando o campeão de 2008. Mas ambos se acertaram — ou pelo menos divulgaram um acerto. Tudo sussa, ao menos até o GP da Hungria.

No meio tempo, as interessantíssimas provas durante a Copa do Mundo, que todos acompanham com extrema atenção: Áustria e Inglaterra. Ironias à parte, corridas bacanas – em Zeltweg, a ascensão da Williams com a primeira dobradinha em classificação após 11 anos, a primeira pole de Massa após seis e o primeiro pódio de Bottas. Em Silverstone, a vitória de Hamilton em casa — como a de Rosberg na Alemanha, corrida seguinte.
Em Hungaroring, após três GPs de um mar calmo e tranquilo, a maré voltou a subir. Hamilton não deu passagem a Rosberg, que contava com estratégia diferente e chegou uma posição à frente do líder do Mundial. Legal, mesmo, acabou sendo a disputa pela vitória, nessa ordem, entre Daniel Ricciardo, Fernando Alonso e Lewis. Em uma prova de improváveis emoções, uma vitória da Red Bull para esquentar tudo de vez. Ali, o clima subiu definitivamente.
O ápice veio, enfim, na Bélgica. As férias de agosto não acalmaram ninguém. A bela pista de Spa-Francorchamps sediou outra grande prova, com mais uma vitória de Ricciardo, que se aproximava comendo pelas beiradas em meio à tensão mercêdica. Logo na primeira curva, Rosberg tocou em Hamilton – um pneu furado deste, um pedaço de bico perdido daquele. Prova no lixo para Lewis, que veio a abandonar, e com sucesso para o alemão – objetivo concluído, briga alargada.
E chegou Monza. Erros de Rosberg, vitória de Hamilton, volta de Massa ao pódio. Especulações para todos os lados, tiros no escuro para ver em quem acertam. A pressão do inglês afetou Nico, que perdeu o momento para o companheiro-rival. Desde que não prejudiquem o time, como em Spa, podem brigar à vontade. Rosberg sente o golpe e demonstra fragilidade – vaiado foi, aliás, no pódio. Com 22 pontos de diferença, Hamilton tem totais condições de título.
A temporada europeia passou voando e, no fim, o assunto é o mesmo do início: Hamilton ou Rosberg, quem será campeão? A dúvida persiste e, por isso, o giro pelo Velho Continente indica superávit de disputa. Restam seis provas, pontos dobrados, uma volta por Ásia e América. Cingapura, Japão, Rússia, EUA, Brasil, Abu Dhabi. Seis corridas decisivas. A Europa não resolveu nada. E quanto menos resolver, melhor. Briga é o que todos querem, rivalidade move a categoria. O circo pegando fogo é demais. Velho continente, velha categoria. Que venha mais, muito mais.
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