Com ajuda de nova tecnologia, Fórmula 1 aponta Senna como mais rápido desde anos 80

Avaliação, realizada usando nova ferramenta analítica da Amazon Web Services (AWS), ainda coloca Schumacher e Hamilton na cola do tricampeão

Quem é o piloto mais rápido das últimas quatro décadas? É uma pergunta que sempre contou com respostas subjetivas, diferentes abordagens e argumentos, mas a Fórmula 1 pretende responder de uma vez. E, segundo uma nova tecnologia, é Ayrton Senna.

A análise foi feita pela Fastest Driver [piloto mais rápido, em tradução livre], desenvolvida pela AWS – Amazon Web Services. “É uma ferramenta única que usa tecnologia de machine learning (ML) – ou aprendizagem de máquina – para fornecer classificação objetiva e baseada em dados dos pilotos”, diz a descrição do sistema.

A discussão leva em conta todos os pilotos que passaram pelo Mundial entre 1983 e os dias atuais, todos que estão na base de dados fornecida pela F1 para a AWS. Além da leitura de dados, o fator carro é excluído da avaliação.

A análise leva em conta voltas lançadas de treinos classificatórios. Com isso, Senna fica na primeira colocação e tem o heptacampeão mundial Michael Schumacher no encalço, 0s114 atrás. Lewis Hamilton é o terceiro e tem desvantagem de 0s275 para Ayrton.

“Ao comparar colegas de equipe em sessões de qualificação, a ferramenta baseada em machine learning foca sua análise no desempenho do piloto, construindo uma rede de colegas de equipe em todo o intervalo de tempo, todos interligados e, portanto, comparáveis”, explicou a F1.

“Ao comparar os tempos de volta apenas entre companheiros de equipe, o algoritmo Fastest Driver normaliza efetivamente o desempenho do carro e da equipe. De forma geral, isso constrói uma imagem de como os pilotos de diferentes gerações podem ser comparados, analisando a mais pura indicação de velocidade bruta – a volta de qualificação”, encerrou.

Apesar do top-3 ser bastante imaginável, outros grandes pilotos do período ficaram fora da lista dos dez mais rápidos: Alain Prost, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Damon Hill, Jacques Villeneuve, Mika Häkkinen, Kimi Räikkönen e Jenson Button, todos campeões mundiais, não aparecem.

Atrás de Hamilton, Max Verstappen ocupa a quarta colocação, logo à frente de Fernando Alonso e Nico Rosberg. O sétimo já é um tanto quanto surpreendente: Charles Leclerc. Mas o oitavo e o nono colocados são azarões dos maiores se alguém quisesse apostar em quem apareceria nesta lista: Heikki Kovalainen e Jarno Trulli, respectivamente 0s378 e 0s409 mais lentos que Senna. Sebastian Vettel é o décimo.

“Tem sido muito empolgante trabalhar neste projeto; retirando o homem da máquina e olhando para uma riqueza de dados de cada piloto ao longo da história. Com a ajuda da AWS, fomos capazes de abordar algo que tem sido solicitado por muitos anos: classificar os pilotos por um atributo bruto de velocidade pura em uma volta voadora, atravessando os anos, independentemente da qualidade do carro”, afirmou Dean Locke, diretor de broadcast e mídia da F1.

“Estamos muito animados em poder colaborar continuamente com uma organização como a F1, que possui um rico catálogo de informações em dados”, falou Priya Ponnapalli, cientista de deep learning e diretora do Amazon Machine Learning Solutions Lab. “Com o machine learning, há várias oportunidades de aplicar a tecnologia para responder a problemas complexos e, neste caso, esperamos ajudar a resolver disputas antigas com os fãs usando dados para basear decisões” apontou.

O antigo engenheiro da Ferrari e diretor da Williams, Rob Smedley, que atualmente é o diretor de sistema de dados da F1, ainda exaltou a utilidade da ferramenta da AWS para ajudar as equipes a tomar decisões baseadas em informações analíticas em vez de apenas impressões.

“Como os pilotos são, na maioria das vezes, o ativo mais caro da equipe, é importante que o processo de seleção seja o mais robusto possível. Um processo como este, portanto, seria implantado pela equipe de estrategistas da F1 a fim de apresentar a seleção mais objetiva e baseada em evidências possível”, finalizou.

Com Hamilton perto dos recordes de vitórias e títulos de Schumacher, a F1 retorna em duas semanas para o GP da Bélgica.

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