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A Williams tomou um caminho controverso em meio a uma reformulação técnica. E agora as decisões tomadas estão cobrando seu preço. Ao assumir o cargo de diretor-técnico do time no ano passado, Paddy Lowe conduziu uma série de mudanças internas e alterou drasticamente o projeto do carro de 2018 – o primeiro sob seu comando. Ainda no ano passado, Felipe Massa – então negociando a permanência na equipe, que acabou não confirmada – chegou a dizer que o FW41 tinha um aspecto bem mais agressivo. E de fato, o carro é bem diferente do antecessor. Mas não no bom sentido. O modelo é mais complexo, nervoso e difícil de entender. Nas palavras de Robert Kubica – o experiente reserva da equipe de Grove – o bólido tem problemas persistentes e não dá pinta de que as falhas tenham soluções fáceis. A prova é a colocação da Williams no campeonato após duas etapas: sem pontos e a posição derradeira. É algo a se pensar, principalmente se levar em consideração que o time terminou 2017 como a quinta força do grid.
Depois de uma pré-temporada pouco conclusiva, que serviu mais para dar quilometragem à jovem e inexperiente dupla da esquadra inglesa do que compreender o novo carro, o GP da Austrália foi um fiasco. Sergey Sirotkin ficou no Q1 na classificação, enquanto Lance Stroll ainda se salvou e largou de 13º. Na corrida, o russo abandonou depois que uma embalagem de lanche cobriu o duto do freio – azar, é bem verdade -, mas não havia ritmo. Tanto que o canadense foi apenas o 15º.
Lance Stroll está longe de ser líder na Williams (Foto: Williams)
O cenário ainda ficaria pior. No Bahrein, em uma pista mais real, a situação do time britânico se mostrou como ela é: um desastre. Os dois pilotos foram limados na primeira fase da classificação. Sirotkin saiu do 18º posto, enquanto Stroll fechou o grid – tomando mais de 3s do tempo do pole, Sebastian Vettel. No domingo, ambos foram os últimos colocados. De novo, a dupla brigou com o carro, que é ineficiente do ponto de vista da aerodinâmica, apesar da inspiração vir de Ferrari e Mercedes. E sofre com problemas de refrigeração. O único ponto de ponta de vantagem segue sendo o uso dos motores alemães, que se anula se o carro não corresponde. Ou seja, a luz amarela foi ligada, tanto que Lowe decidiu voltar à fábrica, na Inglaterra, tão logo acabou a corrida barenita, como forma de entender melhor a performance e buscar soluções.
"Há muito a entender. Temos que nos afastar e trabalhar muito duro nisso. Pelo menos temos mais informação agora. Algo deu errado desde Melbourne", admitiu engenheiro inglês, completou: "Todo mundo tem seus problemas, mas os nossos são maiores. O carro não se mostrou tão rápido quanto gostaríamos nos testes da pré-temporada. Os dados iniciais nos deram motivos para acreditar que estaríamos em sexto ou sétimo. Por isso estamos surpresos."
Diante do mau desempenho, a impaciência dos pilotos já começa a inundar as garagens. Stroll acha que “a Williams não está correndo, apenas sobrevivendo”. Uma clara reclamação, que pode virar uma dor de cabeça gigante em Grove, uma vez que o Lance é o cara responsável por boa parte do orçamento do time. Mas talvez seja a declaração de Sergey que melhor defina o momento equipe após as duas primeiras etapas: “
No Bahrein, ficamos com cara idiotas.”
O fato é que a Williams tem muito trabalho pela frente com esse carro mal nascido e parece perdida quanto ao caminho que precisa tomar. Apesar dos treinos extras e da temporada completa que possui no currículo, Stroll está longe de ser um líder em Grove. Ainda falta quilometragem – não só no carro -, e isso compromete a evolução. Não há um ponto de referência, de comparação ou discussão. Ou seja, o papel que Massa exerceu até ano passado faz muita falta agora. O mesmo acontece com Sirotkin – e, neste caso, ainda pior. Uma vez que o piloto faz apenas seu primeiro campeonato na F1. E pouco pode oferecer em termos de soluções.
Sergey Sirotkin faz apenas sua primeira temporada (Foto: Williams)
O russo até se mostrou melhor que o canadense em alguns momentos, mas não é o bastante para uma tentativa de ajudar a equipe a entender o carro. A questão é que o time vive agora aquilo que teimava em admitir: seus titulares não possuem bagagem suficiente para o tipo de desenvolvimento que a Williams precisa e, portanto, dificilmente terão como auxiliar os engenheiros.
Ainda que seja cedo para afirmar, a equipe vive uma fase de zero expectativa de melhora. E tem em Robert Kubica uma opção. O polonês tem acordado a chance de andar em três sextas-feiras ao longo da temporada, o que deve servir como uma orientação, mas é pouco perto do que a esquadra precisa. E o pior: isso não deve mudar, uma vez que os titulares desembolsaram mais por seus cockpits e não podem se dar ao luxo de perder treino livre.
A verdade é que, com dois pilotos inexperientes e pagantes, a Williams se encontra em um beco sem saída em 2018. E caminha para o vexame.
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