F1

Com estratégia e sorte, Hamilton vence na Rússia em dia de vexame da Ferrari

Tinha tudo para ser um grande domingo para a Ferrari, mas deu tudo errado. Tática de largada, reclamações de Charles Leclerc e, depois, abandono de Sebastian Vettel. O safety-car virtual virou o jogo da corrida em favor de Lewis Hamilton, que triunfou novamente em Sóchi na base da estratégia e também da sorte. Valtteri Bottas completou a improvável dobradinha prateada, enquanto Leclerc teve de se contentar com o terceiro lugar

Grande Prêmio / FERNANDO SILVA, de Sumaré

Reza o bom e velho ditado popular que ri melhor quem ri por último. A Ferrari festejou no sábado com a quarta pole consecutiva de Charles Leclerc, mas o jogo virou completamente neste domingo (29) de GP da Rússia. De grande favorita à vitória, a escuderia de Maranello fracassou de forma retumbante e viveu um dia de vexame desde o início: a tática de largada e a inversão de Leclerc e Sebastian Vettel, as reclamações insistentes do monegasco e o abandono do alemão na volta 28. Aí o jogo virou em favor de Lewis Hamilton. Com grande atuação, o britânico aliou grande estratégia e a sorte para conseguir um resultado improvável e vencer novamente em Sóchi, mantendo a invencibilidade da Mercedes no Parque Olímpico. É também o primeiro triunfo da Mercedes depois das férias, quebrando uma série de três vitórias da Ferrari.

Para tudo ficar ainda melhor, o britânico ainda fechou o GP da Rússia com a melhor volta da corrida, faturando um ponto extra além dos 25 tentos pelo triunfo em Sóchi, o quarto em seis corridas e a vitória 82 na carreira.

A Ferrari, além de todos os problemas, cometeu um erro de estratégia na hora de chamar Leclerc para mais um pit-stop durante o período de safety-car — por conta da batida sofrida por George Russell. O monegasco voltou em terceiro com pneus macios, atrás da Mercedes de Valtteri Bottas, e não esboçou sequer uma ultrapassagem sobre o finlandês, que terminou em segundo. Dono do sábado, Leclerc teve de se contentar com o último degrau do pódio.

Max Verstappen conseguiu o melhor resultado possível e terminou em quarto. O holandês foi seguido talvez pelo grande nome da corrida: Alexander Albon, que fez ótima atuação depois de ter largado do pit-lane, cruzou a linha de chegada em quinto lugar depois de fazer muitas ultrapassagens, dando mais um passo para se garantir como titular da Red Bull no ano que vem. Carlos Sainz completou em sexto com a McLaren, à frente de Sérgio Pérez, outro que fez bela corrida. Kevin Magnussen, da Haas, terminou em oitavo, mas foi punido em 5s por escapar na curva 2 e não passar pelas placas de sinalização. Assim, o dinamarquês caiu para nono. Lando Norris, com a McLaren, foi o oitavo, e Nico Hülkenberg, da Renault, fechou o top-10.
Lewis Hamilton viu sua estrela brilhar nesta tarde de sábado em Sóchi (Foto: Mercedes)
Saiba como foi o GP da Rússia de Fórmula 1

Que largada de Sebastian Vettel! Que largada de Carlos Sainz! Os dois foram os dois grandes destaques dos momentos iniciais da prova. Seb conseguiu tracionar melhor que Lewis Hamilton e assumiu a segunda posição. Na sequência, foi para cima do companheiro de equipe e fez a ultrapassagem, tomando a ponta de Charles Leclerc. Sainz teve bm belo início de corrida ao superar Valtteri Bottas com direito a uma grande manobra.

Mas o safety-car veio à pista logo na primeira volta. Romain Grosjean, que tinha tudo para fazer grande prova depois de ter largado em oitavo, foi acertado pela Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi — que foi tocado pela Renault de Daniel Ricciardo —, indo parar na barreira de proteção. Fim de prova precoce para o franco-suíço da Haas, enquanto o australiano teve um pneu furado. E Kimi Räikkönen, em péssima fase, queimou a largada e foi punido com um drive-through.
Incidente na largada causa safety-car no início do GP da Rússia (Foto: Reprodução)
Ainda durante o período de safety-car, a Ferrari enviava mensagem a Leclerc informando ao piloto como "trocar as posições" com Vettel durante a corrida. O fato é que a equipe adotou uma estratégia durante a largada para conseguir deixar a Mercedes de Hamilton para trás.

A relargada aconteceu na quarta volta, com o alemão abrindo vantagem na frente, seguido por Leclerc, Hamilton, Sainz e Bottas, com Lando Norris vindo em sexto. Sérgio Pérez, Max Verstappen, Kevin Magnussen e NIco Hülkenberg fechavam o top-10.

Vettel vinha com a melhor volta da corrida, mas já recebia a ordem do pit-wall para deixar Leclerc passar. Enquanto o monegasco perseguia o companheiro de equipe, Bottas finalmente conseguia superar a McLaren de Sainz, subindo assim para quarto. Lá na frente, o piloto da Ferrari #16 já reclamava da demora para inverter posições: "Vocês me colocaram atrás. Respeitei tudo. Vamos conversar depois. Mas agora é difícil reduzir a diferença, obviamente". A equipe respondeu: "Charles, vamos fazer a troca depois. Hamilton está um pouco perto. Foco na corrida".

As atenções estavam todas voltadas à situação da Ferrari na corrida, mas Verstappen conseguia mostrar bom trabalho e subia no pelotão ao passar Pérez e Norris, subindo para sexto na prova. Max partia para cima de Sainz com ritmo de sobra para superar sem dificuldades a McLaren do espanhol, avançando para quinto na volta 17. Quem também ganhava uma posição era Nico Hülkenberg, que também deixava Pérez para trás. Mas pouco depois da ultrapassagem, o alemão fez seu pit-stop e teve problemas na troca de um dos pneus.

Na briga pela ponta, a Ferrari pedia para Leclerc acelerar, só que Vettel respondia e fazia voltas mais rápidas de forma seguida. Só que havia uma grande preocupação, já que Hamilton, com pneus médios, tinha um ritmo de corrida muito bom e não estava tão longe dos carros vermelhos. A vantagem de Vettel para Charles era de 4s3, bastante considerável, e de 7s2 para Hamilton.

Foi na volta 23 que a Ferrari chamou Leclerc para seu pit-stop, trocando os pneus macios pelos médios em 2s5. Vettel seguia na pista e reportava desgaste dos pneus traseiros. No pelotão intermediário, quem se destacava era Alexander Albon, que fazia grande corrida de recuperação depois de ter largado do pit-lane. O anglo-tailandês conseguia subir para oitavo após deixar para trás os carros da sua antiga equipe, a Toro Rosso, de Daniil Kvyat e Pierre Gasly, que vinha muito lento na pista.

Vettel, com ritmo mais lento que Leclerc, fez seu pit-stop exatamente na metade da corrida, na volta 27. O pit-stop do alemão foi 3s, 0s5 mais lento que o do monegasco. Foi aí que aconteceu a troca de posições. Leclerc voltou à frente de Vettel para a sequência da corrida.
Vettel abandonou o GP da Rússia e mudou a história da corrida (Foto: F1/Twitter)
A prova tinha tudo para ser à vera entre os dois, mas Vettel encostou seu carro a pedido da Ferrari por conta de problemas no motor (MGU-K) na volta 28. O alemão ficou enfurecido: "Tragam a porra dos V12 de volta!". A direção de prova acionou o safety-car virtual. A quebra, e o ritmo mais lento de prova, eram muito favoráveis a Hamilton e à estratégia da Mercedes. Não à toa, o pentacampeão logo foi para os boxes fazer a troca de pneus, dos médios para os macios. Deu tudo tão certo que o britânico voltou à frente da Ferrari depois da sua parada. O jogo virava de vez em Sóchi.

Só que se o cenário era amplamente desfavorável a Leclerc com o VSC, a situação melhorava quando o safety-car de fato foi à pista por conta da batida de George Russell na barreira de proteção. Na sequência, a outra Williams, de Robert Kubica, também deixava a prova. Com o SC, a Ferrari chamou Leclerc para mais um pit-stop e calçou o carro com outro jogo de pneus macios para atacar a Mercedes. O monegasco deixou o pit-lane em terceiro, atrás de Hamilton e de Bottas. Ainda durante a bandeira amarela, a Alfa Romeo protagonizava uma cena 'pastelão' nos boxes durante o pit-stop de Räikkönen.

A relargada aconteceu na volta 33. Hamilton puxou o pelotão, enquanto Leclerc partiu para cima de Bottas para tentar ainda brigar pela vitória. O finlandês fazia o papel de escudeiro de Lewis e procurava segurar ao máximo a Ferrari para deixar o companheiro de equipe escapar. Mas Charles não conseguia sequer esboçar uma tentativa de ultrapassagem sobre Bottas.

Daí em diante, a prova teve um ritmo mais sonolento. Verstappen era o quarto, em condição muito confortável, seguido por Sainz. Kevin Magnussen aparecia em um ótimo sexto lugar, mas era ameaçado pela Red Bull de Albon, que fez a ultrapassagem na volta 43. O anglo-tailandês, dono de ótima corrida por conta da sua reação, em seguida partiu para cima de Sainz para conquistar a quinta colocação, uma façanha para quem largou do pit-lane.

Por fim, riu melhor quem riu por último, e Hamilton completou o domingo como vencedor do GP da Rússia e, de quebra, ainda marcou a volta mais rápida e conquistou o ponto extra. Um triunfo improvável levando em conta todo o poderio da Ferrari no fim de semana, mas que fracassou no dia mais importante em Sóchi. A conquista aproxima ainda mais o britânico do hexacampeonato.

F1 2019, GP da Rússia, Sóchi, final:

1 L HAMILTON Mercedes 53 voltas  
2 V BOTTAS Mercedes +3.829  
3 C LECLERC Ferrari +5.212  
4 M VERSTAPPEN Red Bull Honda +14.210  
5 A ALBON Red Bull Honda +38.348  
6 C SAINZ JR McLaren Renault +45.889  
7 S PÉREZ Racing Point Mercedes +48.728  
8 L NORRIS McLaren Renault +57.579  
9 K MAGNUSSEN Haas Ferrari +58.779  
10 N HÜLKENBERG Renault +59.841  
11 L STROLL Racing Point Mercedes +1:00.821  
12 D KVYAT Toro Rosso Honda +1:02.496  
13 K RÄIKKÖNEN Alfa Romeo Ferrari +1:08.910  
14 P GASLY Toro Rosso Honda +1:10.076  
15 A GIOVINAZZI Alfa Romeo Ferrari +1:13.346  
16 R KUBICA Williams Mercedes +25 voltas NC
17 G RUSSELL Williams Mercedes +26 voltas NC
18 S VETTEL Ferrari +27 voltas NC
19 D RICCIARDO Renault +29 voltas NC
20 R GROSJEAN Haas Ferrari +53 voltas NC
           
VMR L HAMILTON Mercedes 1:35.761  
           
REC V BOTTAS Mercedes 1:34.794 29/09/2018  
MV L HAMILTON Mercedes 1:35.761 29/09/2019  

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