Com Mercedes em liga própria, GP da Itália desafia e põe Red Bull em apuros na F1 ‘B’

Como os primeiros treinos livres demonstraram, a Mercedes realmente nem precisava do ‘modo festa’ para se impor. A esquadra corre sozinha neste domingo e só condições muito adversas para tirar a vitória. Agora, a Red Bull está em maus lençóis. Desta vez, Max Verstappen ficou longe dos carros pretos e terá trabalho para encarar os emergentes do grid

O curtinho post da Mercedes logo após a espetacular pole-position de Lewis Hamilton em Monza vai muito além da graça com os rivais. A performance é avassaladora e motivo de embaraço. E quem achou que o fim do ‘modo festa’ poderia reduzir a diferença entre o excelente W11 e o resto enganou-se redondamente. A esquadra hexacampeã segue imbatível. Tanto é verdade que o time alemão já vinha se preparando para esse dia, para o momento em que seria impedido de usar o recurso que criou e desenvolveu desde que domina a F1. Só que, neste sábado (5), os homens de preto esculacharam. A potência extra não fez qualquer diferença. Mesmo sem vácuo, os dois W11 atropelaram os rivais, e Hamilton foi implacável com seu pobre companheiro de equipe. Demolindo os números, o inglês garantiu sua 94ª posição de honra do grid. O tempo de 1min18s887 é agora o recorde do veloz circuito italiano, registrado com a maior média de velocidade da história da F1: 265,362 km/h. Quer dizer, boa sorte para quem ainda acha que terá alguma chance neste domingo.

Valtteri Bottas chegou perto, é verdade, mas terá de alinhar mesmo na segunda colocação. A marca do finlandês foi apenas 0s069 mais lenta que a do colega de equipe. Assim como acontecera em Spa, a Mercedes optou por uma configuração mais conservadora no que diz respeito à velocidade final. Os engenheiros sacrificaram a performance em linha reta por um melhor ritmo nas curvas, e isso se mostrou um acerto ainda maior em Monza. A prova é que, na Bélgica, Max Verstappen quase roubou o segundo posto do nórdico. Agora, o holandês ficou a mais de 0s8 e, pior, no quinto lugar. E não foi o único a ser massacrado. O problema é que esse abismo para a Mercedes vai custar muito caro aos energéticos, sobretudo a Max, único até o momento a enfrentar a marca da estrela.

“É claro que quando começamos a temporada, você assume que vai brigar com a Mercedes e, agora em Monza, estamos atrás de uma McLaren e uma Racing Point. Isso não é bom, o carro não parece certo comparado com o ano passado. Vamos lutar pelo terceiro lugar, mas não é para isso que estou aqui, então realmente não me importo”, disse o vice-líder do Mundial, após a sessão que definiu o grid de largada.

“Nós não previmos isso. Mas Monza não é muito representativo para destacar a falta do ‘modo festa’. Por outro lado, também vimos uma diferença menor nos tempos de volta entre o Q1, Q2 e Q3, então alguma mudança houve”, disse um Helmut Marko, consultor da Red Bull, ainda com uma pulguinha atrás da orelha. Porém, a performance do RB16 é motivo de maior preocupação.

“Não é um bom fim de semana para nós”, admitiu Verstappen. “Tentei de tudo no carro: menos downforce, mais downforce, mudei o equilíbrio e, no fim, cravei o mesmo tempo de volta. Isso mostra que o carro não tem equilíbrio”, declarou.

Portanto, o GP da Itália desafia os taurinos, que apostavam em uma redução na vantagem da Mercedes. Diferente de outras etapas, quando teve apenas os carros pretos como alvo, Verstappen terá de encarar um pelotão intermediário compacto e altamente explosivo. A começar por Carlos Sainz. O espanhol tirou tudo do conjunto McLaren-Renault para garantir uma excelente terceira colocação no grid. Quis o destino dar também algum alento ao jovem, que, apesar do talento e de resultados sólidos, vem sofrendo com os alaranjados em termos de operação e confiabilidade. Carlos já vinha merecendo uma oportunidade como essa, ainda mais assistindo ao calvário de sua futura equipe.

Carlos Sainz e a McLaren são motivos de preocupação para a Red Bull (Foto: McLaren)

A posição do madrilenho também ganha destaque pela vitória no duelo contra Sergio Pérez. O mexicano havia imposto um ritmo fortíssimo com a Racing Point, que também não sofreu tanto assim com a perda da potência extra do motor Mercedes. A diferença entre os dois foi de apenas 0s025. Projeção de briga apertada na tarde italiana. E mais uma dor de cabeça para Verstappen, que terá de dividir a terceira fila com Lando Norris e essa McLaren bem acertada. Não há diferença de uso de pneus para o início da corrida, uma vez que todo o top-10 optou pelos pneus vermelhos macios no Q2. É uma prova de uma única parada. A sacada será o pneu da segunda parte: o composto duro parece o mais eficaz e duradouro. A Pirelli não descarta o médio, no entanto.

Mas não para aí. O dono do RB16 #33 ainda terá de lidar com um Daniel Ricciardo buscando a recuperação. Ainda que pese o desempenho da McLaren, a Renault fábrica é uma decepção até aqui. Depois da velocidade apresentada em Spa, esperava-se mais da classificação dos carros amarelos e pretos. O australiano ainda obteve a sétima colocação, enquanto Esteban Ocon, que se negou a abrir passagem a Kimi Räikkönen, sequer entrou no Q3. De qualquer forma, o ritmo de corrida é forte, especialmente nas mãos de Ricciardo. E ainda tem um Pierre Gasly que pode aumentar as dores de cabeça, porque vem ainda de um sólido desempenho na Bélgica.

Até Sebastian Vettel se rendeu à Mercedes na Itália (Foto: AFP)

Portanto, a freada do fim da reta dos boxes, após o apagar das luzes, será imperdível.



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