Com nove largadas a menos, Vettel iguala mística marca de 41 vitórias de Senna no Mundial de F1

Sebastian Vettel venceu o ótimo GP da Hungria deste domingo (26) para alcançar uma marca mística na F1: a de 41 vitórias, igualando Ayrton Senna. Ele é o segundo piloto a fazê-lo, 15 anos depois de Michael Schumacher. De quebra, tornou-se o maior pontuador da história

O 41 se tornou um número místico na F1 após a morte de Ayrton Senna. 41 foi o número de vitórias que o tricampeão conquistou no Mundial em seus dez anos de carreira. Uma marca que, até este domingo (26), apenas um outro piloto havia alcançado. Um outro alemão.
 
Sim, Alain Prost tem 51 triunfos na carreira, mas já havia se aposentado quando Senna bateu na Tamburello no GP de San Marino de 1994.
 
Seis anos depois, no GP da Itália de 2000, Michael Schumacher igualou Ayrton. Na internet, o vídeo daquela entrevista coletiva é famoso: o então bicampeão chorou ao falar da marca. Não só por se lembrar de Senna, mas porque, naquele mesmo dia, o fiscal de pista Paolo Gislimberti morreu ao ser atingido por uma roda que se soltou da Jordan de Heinz-Harald Frentzen.
Sebastian Vettel venceu o GP da Hungria neste domingo, sua 41ª vitória na F1 (Foto: AP)
Em uma triste coincidência, o GP da Hungria também começou com referências a uma perda: a bela homenagem feita pelos pilotos no grid a Jules Bianchi, o primeiro a morrer na F1 desde Senna.
 
Mas só se supera tragédias seguindo em frente, e foi o que Vettel fez assim que as luzes se apagaram na segunda tentativa de largada em Mogyoród. Lewis Hamilton, o pole, tracionou muito mal. O alemão, terceiro, muito bem. Talvez não melhor do que Nico Rosberg, mas com a vantagem de largar do lado limpo da pista. Trouxe consigo Kimi Räikkönen, e com o 1-2 na frente do pelotão, a Ferrari passou a ditar o ritmo da prova. O domingo ficou ainda mais lindo para os tifosi quando Hamilton errou atrás de Rosberg e saiu da pista na chicane, caindo para 11º.
 
E Vettel, assim como Senna, sabe o quanto é importante estar na liderança na primeira volta. Foi assim que o brasileiro ganhou boa parte de suas provas, controlando desde o início. Vettel, que nunca venceu partindo em uma posição pior que a terceira, também.

"Igualar o número de Senna é fantástico, nem sei como colocar em palavras", disse.
 

Ayrton Senna venceu em Adelaide, em 1993, pela 41ª e última vez na F1 (Foto: Getty Images)
Como Vettel chegou a 41 vitórias
 

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O primeiro triunfo de Vettel, para muitos, é comparável à mais lembrada apresentação da carreira de Senna na F1.

 
Sua estreia na categoria foi em 2007, substituindo Robert Kubica na BMW em Indianápolis. Naquela corrida, pontuou. No fim do ano, já era o titular da Toro Rosso, que até 2005 corria como Minardi — talvez a mais tradicional ‘pior equipe’ da história da F1. Mas, para 2008, o carro era basicamente uma Red Bull de Adrian Newey com um motor melhor, o Ferrari em vez do Renault. E, a partir da metade da temporada, Seb despontou a andar entre os primeiros, até a chegada a Monza. 
 
Em um fim de semana chuvoso do início ao fim, Vettel dominou. Fez a pole e liderou de ponta a ponta. Enquanto os postulantes ao título ficaram apenas no pelotão intermediário, ele não deu chances para a ótima McLaren do não tão ótimo Heikki Kovalainen. Um ano e meio após a aposentadoria de Schumacher, ele fez tocar em Monza o hino alemão seguido do hino italiano. Ali, surgiu um gênio do automobilismo, hoje dono de quatro títulos mundiais.
 
Vettel se mudou para a Red Bull em 2009, venceu quatro vezes e foi vice-campeão, superando Rubens Barrichello no encerramento em Abu Dhabi. Em 2010, foram cinco triunfos na campanha do primeiro título. Em 2011, dez para assegurar o bi. Em 2012, com uma arrancada esplêndida no fim da temporada, bateu Fernando Alonso para se tornar o mais jovem tricampeão da história, quebrando a marca de Senna. Subiu ao alto do pódio cinco vezes. Em 2013, foram incríveis 13 vitórias e o recorde de nove conquistas consecutivas. Uma digna forma de se sagrar tetracampeão.
 
Após passar 2014 em branco com a queda da Red Bull e da Renault no início da era dos V6 turbo, comprovou novamente sua capacidade com a mudança para a Ferrari. Foi ao pódio na estreia e, na segunda corrida, fez o que ninguém esperava tão cedo: derrotou a Mercedes na Malásia.
Sebastian Vettel brinca com a taça da vitória em Sepang, a 40ª (Foto: AP)
No início do ano, a meta de Maurizio Arrivabene para a recuperação da Ferrari, que também passou 2014 em branco, era ganhar dois GPs. Check.
 
Esta foi a 149ª largada de Vettel na F1. Senna, no GP da Austrália de 1993, disputava sua 158ª prova. Schumacher, no GP da Itália de 2000, sua 141ª.

O próximo da fila para superar Senna é Hamiton, que tem 38 vitórias e o melhor carro da F1 2015 em mãos. Até o fim do ano, o inglês tem mais nove chances de emular seu grande ídolo.

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