Com novo bico, Alfa Romeo mostra luta aerodinâmica para compensar motor Ferrari

A Alfa Romeo é a equipe com mais mudanças até aqui. Na pintura e no bólido em si. A equipe de Hinwil não parece querer depender do motor Ferrari para voar mais alto na Fórmula 1

O lançamento da Alfa Romeo C41, realizado nesta segunda-feira (21) na Polônia, foi diferente dos de McLaren e AlphaTauri na semana passada. Além de não ser entediante ou demorada, a apresentação do carro revelou um modelo que de fato tem novidades. A primeira e mais óbvia delas é a pintura, com o branco ganhando protagonismo. Só que outro aspecto fica claro também: o esforço no desenvolvimento aerodinâmico do carro.

Basta olhar para o bico do carro. A Alfa Romeo gastou seus tokens – ‘moeda’ da Fórmula 1 para um número limitado de ajustes entre 2020 e 2021 – para redesenhar o componente. Colocando os dois carros lado a lado, fica fácil perceber que a nova versão tem bico mais fino, seguindo tendência lançada pela Mercedes em 2019. Além disso, a dianteira do bico, com pequena entrada de ar, foi reconfigurada.

Alfa Romeo apresentou o C41 nesta segunda-feira na Polônia (Foto: Alfa Romeo)

Na traseira, a tampa do motor também ganhou nova configuração. A de 2021 é mais compacta que a de 2020, além de não contar mais com a pseudo-barbatana presente até então. Outras alterações de menor importância podem ser vistas na asa traseira, nos sidepods e nos bargeboards – este último aparentemente bem mais desenvolvido agora do que 12 meses atrás. E olha que essas não devem ser as únicas mudanças, já que é normal equipes esconderem novidades até a pré-temporada.

“O C41 é o resultado de uma situação muito inusitada na Fórmula 1, com o regulamento nos impossibilitando de desenvolver um carro inteiramente novo para esse ano”, afirmou Jan Monchaux, diretor-técnico da Alfa Romeo. “Por esse motivo, nosso carro de 2021 tem muitos pontos em comum com o C39, com a exceção do bico, com o qual investimos nossos dois tokens, e de elementos que o regulamento nos forçou a mudar, como o assoalho. Vamos conhecer o carro bem melhor do que costumamos conhecer nos testes, mas vai ser crucial fazer o melhor nesses três dias para checar se a realidade bate com nossas expectativas”, seguiu.

O cuidado extra da Alfa Romeo com a aerodinâmica faz sentido. A equipe, que tinha se consolidado como uma força do pelotão médio até 2019, despencou para o fim do grid tão logo a Ferrari errou a mão no motor em 2020. Ainda está fresco na memória: as duas clientes de Maranello, Haas e Alfa Romeo, passaram o ano inteiro apenas lutando entre em si e contra a ainda mais lenta Williams. Briga contra equipes mais fortes? Só em corridas caóticas, ou contra a própria Ferrari se a pista fosse de altíssima velocidade.

A Ferrari prometeu rever o motor e fazer mudanças profundas em 2021, aproveitando o último ano antes do congelamento válido entre 2022 e 2025. Talvez a nova unidade tenha novamente um nível aceitável de rendimento, mas ninguém tem garantias disso. Assim, a Alfa Romeo não pode mais apenas cruzar os dedos e torcer para um motor potente esconder possíveis falhas no C41.

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Se a unidade de potência de 2021 seguir tão medíocre quanto a de 2020, o prêmio de consolação da Alfa Romeo deve ser uma vantagem crescente sobre a Haas, rival direta por também ter motor Ferrari. Enquanto a escuderia suíça se empenhou para corrigir o que dava, a americana já adota um discurso de usar a temporada vindoura como um ano de transição, concentrando esforços em 2022. Isso tudo, entretanto, segue no campo da teoria enquanto a pré-temporada não chega.

Se o C41 permitir à Alfa Romeo pelo menos um pouco mais do que o oitavo lugar alcançado no Mundial de Construtores de 2020, superando ao menos uma equipe, já terá sido uma boa campanha. A própria chefia de Hinwil diz isso. Resta esperar e ver se o novo bólido ajuda a recuperar alguma moral antes das grandes mudanças previstas para 2022.

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