Como on-board da Renault ajudou Racing Point a descobrir sistema de freio ilegal

A Racing Point queria corrigir falhas no seu próprio sistema de freio e se lembrou de um vídeo divulgado pela própria Fórmula 1 do carro da Renault. Ao consultar a FIA a respeito da legalidade da configuração automática de frenagem, a equipe britânica começou um processo que resultou na desclassificação dos franceses em Suzuka

A decisão da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) de desclassificar a Renault do GP do Japão, consequência de um sistema de frio considerado ilegal, veio acompanhada de uma nova questão. Afinal, como a Racing Point, que dedurou o carro francês, ficou sabendo sobre detalhes do R.S.19? Depois de acusações do vazamento de informações através de um ex-funcionário, informações divulgadas pela revista alemã ‘Auto Motor und Sport’ indicaram algo mais simples: foi um vídeo on-board de Daniel Ricciardo ainda nos testes de pré-temporada, disponível aqui, que começou a desmascarar o artifício.
 
O vídeo, capturado através de uma câmera GoPro instalada no capacete de Ricciardo, apresenta uma visão privilegiada do funcionamento do volante do R.S.19. A Racing Point notou que Daniel não precisou alterar configurações de freio – para frente ou para trás – em momento algum da volta. Além disso, o visor do volante apresentava o item ‘balanço de freio’ mudando por conta própria, sem intervenção do piloto.
 
Nada aconteceu à época, com a Renault usando o sistema desde fevereiro. A Racing Point também não pensou muito a respeito, lembrando-se apenas quando precisou corrigir uma falha no seu próprio sistema de configuração de freio.
 
“Isso começou em Silverstone, quando tivemos um problema com nosso sistema de frenagem”, disse Otmar Szafnauer, chefe de equipe. “O sistema falhou, tivemos uma quebra no botão. Foi depois de um safety-car, quando o Sergio [Pérez] colocou completamente para frente [a configuração do freio] para aquecer os pneus, mas aí não conseguiu voltar porque o botão falhou. Foi aí que ele acabou acertando o Hülkenberg”, recordou.
É possível ver o sistema ilegal da Renault em ação através de vídeo divulgado no YouTube (Foto: Reprodução)

“A gente começou a pensar em formas de deixar [o sistema] mais robusto. Aí percebemos que a Renault em particular tinha um sistema automático que a gente queria fazer. Não queríamos protestar contra a Renault, só queríamos fazer o mesmo. Nós escrevemos para a FIA e eles disseram categoricamente que não poderíamos fazer isso. Esperávamos que, com o protesto, a FIA dissesse que a gente podia fazer também, só que não funcionou desse jeito”, seguiu.

 
O sistema não foi determinado como ilegal do ponto de vista do regulamento técnico, mas comissários da FIA julgaram que a configuração automática era um auxílio à pilotagem proibido do ponto de vista do regulamento esportivo.
 
A Renault contra-atacou, afirmando que o vídeo não foi a única forma com que a Racing Point sustentou o protesto. A equipe francesa sustenta a tese de que um ex-funcionário entregou informações sobre o sistema.
 
“Isso [o vídeo] mostra um sistema legal, do conhecimento da FIA e de acordo com o regulamento técnico. Como não tínhamos nada a esconder sobre esse sistema inovador, não escondemos nada. A informação submetida pela Racing Point foi recebida por um ex-funcionário da Renault, que foi para a Racing Point, e não somente através do vídeo”, comunicou a Renault.
 
Ricciardo e Hülkenberg, respectivamente sexto e décimo no GP do Japão, foram desclassificados. O australiano perdeu 8 pontos, enquanto o alemão perdeu 1.
 

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