Como ‘órgão censurador’, F1 transforma comunicação por rádio em pecado capital. E solução vai ser se livrar dela

A comunicação por rádio na F1 assumiu status de vilã. Em uma tentativa de exigir mais dos conhecimentos dos pilotos, a FIA vetou a transmissão de instruções cruciais para o funcionamento dos carros. E, para uma medida tola dessas, a única solução parece ser uma posição radical

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O rádio passou a ser, ao longo dos anos, um dos artifícios mais importantes da F1. Através dele, as equipes trataram de deixar as placas dos boxes em segundo plano, conseguindo tirar proveito de um meio de comunicação muito mais confiável. Já se vão décadas e mais décadas utilizando o sistema primeiro concebido por Guglielmo Marconi.
 
Ao longo dos últimos meses, todavia, a situação virou de cabeça para baixo. Desde o GP de Cingapura de 2015, o rádio passou a ser visto como inimigo maior de uma F1 que sabe que precisa se corrigir, mas não sabe como. Com a ideia de fazer os pilotos trabalharem mais, a FIA decidiu que instruções sobre regulações do carro estariam proibidas ao longo dos GPs. A premissa inicial é de que o piloto deve ser capaz de remediar qualquer problema de rendimento que seu bólido venha a apresentar. O problema é que, partindo desse princípio, criou-se um método completamente abstrato de punir a tudo e a todos.
 
Os GPs da Inglaterra e da Hungria foram os maiores exemplos da arbitrariedade que toma a F1. Nico Rosberg precisou aceitar a punição de 10s por comunicação ilegal com o único propósito de terminar a corrida em Silverstone. O mesmo aconteceu com Jenson Button, que viu sua prova fadada ao fracasso por conta de um drive-through ainda nas primeiras voltas em Hungaroring. Note, nem os comissários da categoria são capazes de definir uma punição padrão.
Placas na F1: o futuro é esse? (Foto: Beto Issa)

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“Existem certas coisas que um piloto não deve perguntar. Mas para mim é patético receber uma punição por evitar um incidente. Quando se tem uma unidade de força tão complexa que um piloto não consegue decifrar tudo sozinho e seu pedal de freio apresenta problemas, acredito que isso é uma preocupação com a segurança. Então para mim não deveria haver punição quando você resolve algo que irá evitar um acidente”, reclamou Button.
 

Os dois casos servem para ver que a F1 parte para um rumo perigosíssimo. Os rádios muito em breve vão acabar perdendo a função. Não é tão exagerado pensar que, qualquer hora dessas, vão servir apenas para os pilotos expressarem suas emoções. A felicidade ao vencer, a irritação em uma disputa, a decepção em um acidente. Quase um gameplay da vida real. Os competidores virando os comentaristas de si mesmos. Quem fizer oposição vai acabar dando de cara com a FIA, que assume o papel de ‘órgão censurador’.

A mensagem de rádio que Rosberg recebeu foi punitiva na Inglaterra (Foto: Reprodução)

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No meio desse auê é impossível evitar uma pergunta: banir o rádio por completo seria uma ideia tão ruim assim? Certamente é menos patético do que punir pilotos por receber informações cruciais – mas ainda soa patético. A categoria mais tecnológica de todas, com motores híbridos e afins, utilizando placas para informar os competidores, e de um forma extremamente limitada?

Ainda não é uma grande ideia, mas certamente é melhor do que o meio termo de hoje. Assumindo que a F1 desistiu de facilitar a vida dos pilotos, é hora de tomar uma decisão por completo. “No more half measures”, diria Mike Ehrmantraut para Walter White.

Se a ideia da FIA é fazer o grid da F1 parecer extremamente técnico, com vastos conhecimentos sobre carros e regulagens, só existe um grande passo que possa ser dado: parar de fazer a categoria inteira parecer uma piada completa.

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