De Alonso a Verstappen: quando Interlagos foi crucial nas disputas de título na F1?

2024 marca os 20 anos desde que a Fórmula 1 alocou a etapa de São Paulo para o fim do campeonato. O GRANDE PRÊMIO relembrou todas as ocasiões em que o Mundial foi definido ou teve grande influência do resultado em Interlagos

A edição 2024 do GP de São Paulo é especial. Já são 20 anos desde que a Fórmula 1 realocou a data da corrida no Autódromo de Interlagos para o fim do calendário. Seja em setembro, outubro ou novembro, a decisão se mostrou um enorme acerto ao longo dos anos, e depois de ser conhecida por muito tempo como sede de aberturas ou simples provas de início de campeonato, ganhou contornos dramáticos e memoráveis na história do Mundial.

É claro que, desde a chegada do GP de Abu Dhabi e outras etapas com os promotores despejando um caminhão de dinheiro, São Paulo não recebe mais a etapa final do campeonato [a última foi em 2013], mas nem por isso deixou de ter impacto e trazer novos contornos para disputas mais decisivas. E 2024 não foge da regra, com Max Verstappen rumo ao tetracampeonato mundial, batalhando contra Lando Norris e Charles Leclerc.

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No especial de hoje, o GRANDE PRÊMIO recorda não apenas as finais em Interlagos, mas todas as ocasiões em que a corrida trouxe importante impacto na reta final do campeonato:

2005: Alonso faz história e leva título sobre Räikkönen

Fernando Alonso comemora título mundial, confirmado em 25 de setembro de 2005 (Foto: Getty Images)

Depois da realocação do GP do Brasil ao fim do calendário em 2004, foi apenas no ano seguinte em que o campeonato foi impactado por Interlagos. Com a queda do domínio da Ferrari, aquela temporada viu o jovem espanhol Fernando Alonso, da Renault, dominar praticamente toda a primeira metade do ano, com o ascendente e também jovem Kimi Räikkönen batalhando contra os problemas de confiabilidade da McLaren para promover a briga pelo título.

Quando a Fórmula 1 desembarcou em Interlagos para a antepenúltima etapa da temporada, Alonso tinha 111 pontos contra 86 de Räikkönen. Um simples pódio em São Paulo resultaria em título mundial ao espanhol, e foi exatamente o que aconteceu. Mesmo superado por Juan Pablo Montoya, companheiro de Räikkönen, o segundo lugar fez Fernando se tornar o então mais jovem campeão da história, aos 25 anos e 273 dias.

2006: Alonso faz o básico e frustra aposentadoria de Schumacher

E o espanhol saiu com o bicampeonato em 2006, em uma disputa memorável com Schumacher (Foto: Reprodução)

Para a defesa de título em 2006, Alonso teve a concorrência do heptacampeão mundial Michael Schumacher, naquele que foi seu último ano pela Ferrari antes da primeira aposentadoria. Assim como em 2005, Fernando abriu uma enorme vantagem no começo da temporada, mas viu o ressurgimento do rival veterano, que chegou a empatar a disputa após uma vitória na China, com duas corridas restantes.

Schumacher, por sinal, vencia o GP do Japão em Suzuka até sofrer uma inesperada quebra de motor. Alonso assumiu a liderança e venceu, abrindo 100 pontos contra 90 do alemão antes do GP do Brasil. Basicamente, 1 único ponto bastaria para o bicampeonato do espanhol. No fim, segundo lugar no encerramento da temporada em São Paulo, atrás de Felipe Massa.

2007: Räikkönen frustra McLaren e coroa virada histórica

Kimi Räikkönen subiu no lugar mais alto do pódio em Interlagos, no ano de 2007. Campeão! (Foto: Ferrari)

A temporada 2007 teve uma das brigas por título mais memoráveis da história. Agora na McLaren, Alonso buscava o tricampeonato contra o novato companheiro de equipe Lewis Hamilton. A dupla promoveu uma enorme guerra interna na garagem. Nas pistas, Fernando vencia mais, mas Lewis era mais consistente. Enquanto isso, o finlandês Räikkönen, já na Ferrari, foi galgando espaço com uma recuperação incrível, constantemente no pódio após passar metade da temporada atrás do companheiro de equipe Massa.

Após um erro e abandono na China, Hamilton tinha um cenário simples em Interlagos. Com 107 pontos, precisava apenas de um quinto lugar para sair com a taça. Porém, errou na largada e, voltas depois, desligou o próprio carro ao esbarrar em um botão. Apesar de boa recuperação, foi apenas sétimo colocado, estacionado em 109 pontos.

O título ficou nas mãos de Räikkönen, que venceu e foi de 100 pontos para 110. Sem condições de igualar o ritmo da Ferrari, Alonso veio a completar o campeonato apenas em terceiro, com 109.

2008: Hamilton leva taça com drama na última curva

O abraço de Ron Dennis e Lewis Hamilton após o título de 2008, no Brasil (Foto: McLaren)

Depois do trauma de 2007, Hamilton tinha a missão de dar a volta por cima em Interlagos, mas agora contra um novo rival: Massa, de Ferrari, que no melhor ano da carreira, chegou na corrida de casa com a possibilidade de ser o primeiro brasileiro campeão mundial desde Ayrton Senna. Após o triunfo na China, Lewis tinha 94 pontos contra 87 do rival.

Massa fez a sua parte, dominando o fim de semana e vencendo com tranquilidade. Hamilton precisava de um quinto lugar para sair com o título, e andou nessa faixa por quase toda a prova, até que a chuva veio no final e bagunçou tudo. Lewis foi ultrapassado por Sebastian Vettel, de Toro Rosso. E com Timo Glock mantendo a Toyota na pista com pneus de pista seca, Hamilton viu o título em risco, caindo para sexto.

Porém, a chuva apertou na última volta e Glock virou um ‘passageiro da agonia’. O alemão não resistiu ao ataque de Hamilton na última curva, que conquistou o primeiro título mundial da carreira por apenas 1 ponto.

2009: Button comanda ‘História de Cinderella’ da Brawn GP

Button foi campeão mundial de Fórmula 1 em 2009, com a Brawn GP (Foto: Reprodução)

Jenson Button começou 2009 sem emprego. Após a Honda anunciar a saída da Fórmula 1 ao fim de 2008, a carreira do britânico no Mundial parecia acabada. Até que o antigo chefe de equipe Ross Brawn adquiriu o espólio deixado pelos japoneses e batizou a nova equipe como Brawn GP. O modelo BGP 001 foi um enorme choque, com um potente motor Mercedes e o polêmico difusor duplo na parte traseira.

O chacoalhão da Brawn na Fórmula 1 foi imenso: Button venceu 6 das primeiras 7 corridas do ano, disparando na liderança do campeonato e puxando o companheiro de equipe Rubens Barrichello em segundo. Apesar do crescimento das rivais na segunda metade, em especial da Red Bull, Jenson fez um bom trabalho de administração e chegou em Interlagos, agora a penúltima do ano, com 85 pontos contra 71 de Barrichello e 69 de Sebastian Vettel.

Jenson até esteve ameaçado após o sábado, quando caiu no Q2 da classificação, mas fechou em quinto lugar, uma posição atrás de Vettel e três na frente de Barrichello, que apesar da pole, sofreu com a estratégia errada e um furo de pneu na reta final. A cereja do bolo de uma das histórias mais surreais que o esporte a motor viu.

2010: Vettel mantém chances de título vivas com vitória

Em 2010, o GP do Brasil também foi a penúltima corrida do campeonato, e com uma batalha muito apertada, ainda com cinco postulantes ao título: o líder Fernando Alonso, de Ferrari, com 231 pontos; Mark Webber, da Red Bull, com 220; Hamilton, de McLaren, com 210; Vettel, da Red Bull, com 206, e Jenson Button, agora na McLaren, com 189.

Vettel saiu em segundo e tomou a ponta em cima de Nico Hülkenberg logo na largada. Daquele ponto, dominou completamente a corrida, mantendo as chances de título vivas para Abu Dhabi. Com Mark Webber em segundo, a Red Bull levou o primeiro título de Construtores da história. Em Yas Marina, semanas depois, Sebastian levou o campeonato mesmo abrindo a prova com 15 pontos de desvantagem para o líder Alonso, que, preso atrás do russo Vitaly Petrov, amargou o vice mais inexplicável da carreira.

2012: Vettel leva tricampeonato sobre Alonso em corrida épica

Sebastian Vettel durante a disputa do GP do Brasil de 2012 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

2012 foi uma das temporadas mais malucas da história. Com oito vencedores de corrida diferentes, também foram quatro os pilotos na liderança do campeonato. Porém, a história foi se afunilando a dois nomes apenas: o então bicampeão Vettel, que chegou a estar 42 pontos atrás de Alonso, que fez o possível e impossível com uma Ferrari defasada.

Depois de uma sequência de vitórias na fase asiática do calendário, Vettel assumiu a liderança e chegou para a final em Interlagos com 13 pontos sobre o espanhol. Um quarto lugar bastaria para o tricampeonato, mas passou longe de ser fácil. Sebastian até largou na ‘posição do título’, mas um toque com Bruno Senna na primeira volta o jogou para as últimas posições.

Em uma corrida caótica e marcada pela chuva, Alonso teve uma atuação exemplar e ficou na segunda posição, mas Vettel saiu com o terceiro título mundial ao cruzar a linha de chegada em sexto, apenas 3 pontos à frente de Fernando.

2014: Rosberg vê Hamilton derreter e adia disputa para Abu Dhabi

A popular ‘Guerra Prateada’ da Mercedes com Hamilton contra Nico Rosberg chegou a Interlagos com o britânico na marca de 316 pontos, 24 a mais que o alemão, que encarava um jejum de sete corridas sem vencer após abrir a temporada na liderança e até criar certa distância em cima do rival.

Largando da pole, Rosberg viu Hamilton tentar coisas diferentes ao estender os stints apesar do desgaste intenso dos pneus em São Paulo. O inglês acabou pagando por isso, rodando na descida do lago e perdendo segundos que poderiam ser valiosos na briga pela vitória. Nico voltou a vencer, com Lewis em segundo e reduzindo a distância para 17, com a final em Abu Dhabi acontecendo com pontuação dobrada.

O sonho de Rosberg acabou em farelos na corrida seguinte. Apesar de largar da pole-position, perdeu a ponta na largada e sofreu com problemas de energia no carro, cruzando apenas em 14º e vendo Hamilton campeão do mundo pela segunda vez.

2016: Hamilton sobrevive ao dilúvio e leva decisão para Abu Dhabi

O terceiro capítulo da Guerra Prateada teve um cenário diferente de 2014. Desta vez, Rosberg tinha a liderança do campeonato e administrava a situação enquanto Hamilton, muito prejudicado pela quebra de motor na Malásia, buscava o atraso. Quando desembarcaram em Interlagos, o alemão tinha 349 pontos contra 330 do britânico tricampeão.

O cenário encontrado no GP do Brasil foi de uma das chuvas mais intensas dos últimos tempos na Fórmula 1, com largada atrasada e sob safety-car, além de duas bandeiras vermelhas. Nestas circunstâncias, Hamilton dominou de cabo a rabo, levando a vitória e adiando a decisão para Abu Dhabi, enquanto Rosberg, beneficiado por uma rodada de Max Verstappen, foi segundo.

Os esforços de Hamilton foram em vão até na final em Abu Dhabi. Mesmo com a vitória, viu o companheiro de equipe conquistar a taça com 5 pontos de vantagem.

2021: Hamilton inicia arrancada com maior corrida da carreira

Lewis Hamilton venceu no Brasil en 2021 (Foto: AFP)

Ausente do calendário em 2020 por conta da pandemia de Covid-19, Interlagos retornou com a nomenclatura ‘GP de São Paulo’, e agora como a 19ª das 22 etapas do Mundial de 2021. Verstappen, da Red Bull, vivia um completo momento de alta com 312.5 pontos contra 293.5 de Hamilton.

Na classificação, Lewis arrebentou e cravou a pole-position, mas, de forma dramática, foi desclassificado após a inspeção técnica da FIA descobrir que o sistema de DRS da Mercedes estava mais aberto que o permitido. O heptacampeão largou a corrida sprint de último e terminou em um incrível quinto lugar.

Após uma nova punição, agora por trocar partes do motor, Hamilton largou em décimo no domingo, e em mais uma exibição memorável, remou até a vitória em cima de Verstappen, que saiu muito criticado pela postura na defesa nos duelos contra o inglês.

Hamilton ainda venceu os GPs do Catar e da Arábia Saudita, chegando empatado em pontos com Verstappen na decisão em Abu Dhabi, onde acabou derrotado após ser ultrapassado na última volta em um dos finais mais controversos que a Fórmula 1 já viu.

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