Diretor reacende ‘guerra verbal’, responde Newey e diz que “Red Bull é o que é hoje graças à Renault”

Cyril Abiteboul respondeu a Adrian Newey, gênio da aerodinâmica e um dos pilares do sucesso da Red Bull, que o fato de a escuderia de Milton Keynes ter se tornado uma das grandes da F1 se deve à Renault. A fornecedora francesa esteve ao lado da Red Bull por 12 anos, viveu o auge da aliança no início da década de 2010, mas a parceria se encerrou no fim da temporada passada

Um dos episódios da série ‘Drive to Survive’, produzida pela Netflix, retratou o conflito entre Red Bull e Renault nos bastidores ao longo da temporada passada. 2018 marcou o fim de um casamento de 12 anos na Fórmula 1, que teve seu ponto alto no início da década, entre 2010 e 2013, com a conquista de oito títulos, sendo quatro do Mundial de Construtores e outros quatro do Mundial de Pilotos, com Sebastian Vettel. Mas a relação entre a equipe austríaca e a montadora francesa começou a se deteriorar com o início da era híbrida na F1, em 2014, caminhando para a ruptura definitiva no ano passado. A Red Bull uniu forças com a Honda, sua nova parceira, a partir desta temporada.
 
Não é incomum que, mesmo após o fim do casamento, as duas partes se manifestem para falar uma da outra. Recentemente, Adrian Newey, um dos pilares do sucesso da Red Bull e gênio da aerodinâmica, revelou à jornalista britânica Natalie Pinkham que a equipe passou a criticar publicamente a Renault na imprensa para pressionar a fábrica a melhorar a qualidade e a confiabilidade dos seus motores.
 
“Foi um casamento longo, com um longo caminho até o divórcio. Começamos a criticar o motor Renault nos meios de comunicação. Buscamos fazer com que a Renault se esforçasse em fazer um trabalho decente. Nossa estratégia envenenou a relação com a Renault”, admitiu o projetista.
Cyril Abiteboul voltou a disparar contra a Red Bull (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)

“Em 2016, houve uma mudança no alto comando da Renault, e isso mudou a atitude. A relação piorou. Os dois últimos anos foram de um casamento falido. Era um casal divorciado que ainda vivia na mesma casa”, explicou Newey.

 
Cyril Abiteboul, diretor geral da Renault e dono do cargo desde 2015, rebateu as declarações de Newey e reacendeu a ‘guerra verbal’ que trava há algum tempo com a Red Bull. Primeiro, ironizou a estratégia de comunicação da equipe taurina.
 
“Devemos reconhecer os méritos de Christian Horner e da Red Bull em uma coisa: sua estratégia de comunicação é fantástica. A comunicação é parte deste mundo, é parte da F1, da sua estratégia e de suas táticas. Não é a primeira equipe e nem vai ser a última a usar as armas para influenciar”, disparou o dirigente francês em entrevista coletiva em Baku, na semana passada.
 
Abiteboul admite que o início da era híbrida não foi dos melhores para a Renault, mas o executivo lembrou que a montadora francesa foi determinante para os anos de glória da Red Bull.
 
“Concordo com Christian que nosso motor não estava ao nível necessário em 2014 e 2015. A Renault é responsável por fazer da Red Bull o que ela é hoje, de fazê-los vencer quatro títulos seguidos. Desde uma perspectiva financeira com patrocinadores, até uma perspectiva tecnológica com talento, com contratações, a Red Bull é o que é hoje graças à Renault”, afirmou.
 
Por sua vez, Horner justificou a reação da própria equipe ao criticar publicamente a Renault no auge da crise entre as duas partes do ‘casal’. A Red Bull chegou inclusive a ameaçar deixar a F1 se não conseguisse um motor competitivo a partir de 2017, mas tanto Mercedes quanto Ferrari se recusaram a fornecer suas unidades de potência ao time de Milton Keynes. No fim das contas, um novo contrato de fornecimento foi assinado com a Renault, mas o nome da marca francesa não apareceu mais, sendo substituído pela marca TAG Heuer, que batizou os propulsores da Red Bull nos dois últimos anos.
 
“Tentamos várias conversas, estivemos em Paris, encontramos Carlos Ghosn [então presidente da Renault] e apresentamos a ele nossas preocupações. Em 2015, quando o motor era pior que o de 2014, a frustração era tamanha que pensamos que se expuséssemos nossas frustrações, talvez isso causaria uma reação. Você tenta qualquer coisa para criar competitividade”, disse.
 
“Naquele momento, talvez a Renault pôde se dar conta da vergonha que aqueles motores não eram competitivos, não eram confiáveis, não rendiam. Infelizmente, não funcionou”, complementou.

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