Em “contato constante” com família, Brawn apoia esquema de privacidade que envolve Schumacher

Ross Brawn, que nos últimos 30 anos foi diretor-técnico, chefe e amigo próximo de Michael Schumacher, revelou que mantém contato com a família do heptacampeão e que o esquema de privacidade é algo que o sempre reservado ex-piloto gostaria que acontecesse, como mostrou durante toda a carreira. Brawn também lembrou com carinho de quando foram rivais, no Mundial de Protótipos, em 1991, e afirmou que Schumacher, mesmo quando poupava combustível, era muito mais rápido que o resto

São poucas as pessoas com acesso ao estado de saúde de Michael Schumacher, que completa 50 anos de idade nesta quinta-feira (3). Entre as figuras do esporte, o ex-chefe da Ferrari e atual presidente da FIA, Jean Todt, é quem tem o maior contato. Mas o ex-diretor-técnico de Michael nos tempos de Benetton e Ferrari e chefe na Mercedes, Ross Brawn, também mantém contato com a família. Atual diretor-esportivo da F1, ele concorda totalmente com a forma como os Schumacher lidam com o tratamento do heptacampeão.
 
Segundo Brawn, que teve uma relação muito próxima a Schumacher durante mais de 20 anos, disse que a privacidade foi como o ex-piloto sempre tratou a vida pessoal. Por isso, faz sentido que seja assim também no momento mais difícil deste meio século de vida. 
 
"Estou constantemente em contato com Corinna [esposa do ex-piloto] e concordo totalmente com a decisão deles. Michael sempre foi uma pessoa muito privada, esse foi um princípio que carregou por toda a carreira. A vida e a família estão de acordo com essa escolha", afirmou ao jornal inglês 'Daily Mail'.
 
"É completamente compreensível que Corinna quisesse manter essa mesma abordagem, mesmo após um evento trágico. É uma decisão que tempos de respeitar. Tenho certeza que milhões de pessoas ainda são fãs de Michael vão entender também", opinou.
Ross Brawn e Michael Schumacher (Foto: Mercedes)

Já para outra mídia, o podcast 'Beyond the Grid', Brawn lembrou algo que aconteceu antes de ambos pularem para a F1. O ano era 1991 quando o engenheiro chefiava o projeto da Jaguar do Mundial de Protótipos, uma versão embrionária do WEC, e tinha na Sauber Mercedes – que contava com um jovem Schumacher em seus quadros – como maior rival. 

 
De acordo com Brawn, Schumacher era mais rápido que todos os outros mesmo na volta em que estava poupando combustível enquanto os rivais despejavam a potência. A razão da Jaguar ter sido campeão assim mesmo? Que a Mercedes tinha uma política de dar o mesmo tempo de pista a todos os seus pilotos.  
 
"No ano em que ganhamos o campeonato com a Jaguar, em 1991, a única oposição que tivemos foi Michael na Mercedes, porque os outros pilotos não eram nem próximos de tão bons comparados a ele. Os protótipos eram rápidos, mas era necessário controlar o combustível. Michael em uma volta de gerenciamento de energia era muito mais rápido que o resto", falou.
 
"Nós nos salvamos devido à Mercedes dar o mesmo número de stints para seus pilotos. Michael dava dores de cabeça, mas contra os outros pilotos nós ficávamos cômodos", lembrou.
 
E lembrou ainda que um dos pilotos da Jaguar, Derek Warwick, quase chegou aos finalmentes com Michael após um desentendimento na pista. "Tive que entrar no meio dois dois antes que o Warwick pegasse ele."
 
Ainda naquele ano de 1991, aos 22 anos de idade, Schumacher foi chamado para a F1 pela Jordan para substituir Bertrand Gachot, que havia sido preso por uma briga de trânsito na Inglaterra. Schumacher entrou no GP da Bélgica e, quando deixou a F1 depois disso, em 2006, tinha sete títulos mundiais e 91 vitórias.

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