Em fim de semana onde Alonso brilhou mais que a corrida, F1 se coloca como nunca em xeque no Brasil

O GP do Brasil de 2015 foi uma das etapas menos empolgantes de uma temporada pouco animadora. O cenário para a F1 no país é terrível, com perda de audiência na TV e de interesse da população pela categoria

A F1 não vive um momento nada bom no Brasil. Com a audiência cada vez menor das etapas da temporada 2015 e, consequentemente, a cada vez mais gritante falta de interesse da Globo, emissora oficial da categoria no Brasil, a F1 precisava de uma grande corrida em Interlagos para reacender o interesse do público. Falhou miseravelmente.
 
Modorrento toda vida, o GP do Brasil — costumeiramente uma das melhores etapas do Mundial — não deixou nenhum gostinho de quero mais ao fim das 71 voltas. A grande verdade é que, em linhas gerais, a penúltima prova do calendário só foi mais uma mostra de como a F1 atual é desequilibrada e, na maioria das vezes, pouco ou nada emocionante. Como o clima não jogou a favor da mistura do grid e o tempo ficou firme na classificação e na corrida, já viu, né? 
 
Do resultado e do fim de semana dentro da pista, pouca coisa realmente merece destaque. Nico Rosberg manteve o bom momento após a definição do título e venceu mais uma, antes, também, cravando a pole-position. Já tricampeão, Lewis Hamilton não pareceu lá tão empolgado assim como havia dito para triunfar pela primeira vez na terra de seu ídolo Ayrton Senna.
Hamilton ergue seu troféu (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Atrás deles, Sebastian Vettel ficou em sua já costumeira terceira colocação, mais uma vez sobrando em relação ao restante do grid. Bem depois completou Kimi Räikkönen, em mais uma atuação "chata", como o próprio descreveu o GP do Brasil. Em sexto, Nico Hülkenberg fez excelente fim de semana, mas não precisou brilhar na corrida para ficar com a posição.
 

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Vale mencionar uma dupla que deu alguma graça à corrida: Romain Grosjean e Max Verstappen. O holandês, é bem verdade, largou em nono e chegou em nono, porém, foi protagonista de uma série de disputas, passando e sendo ultrapassado, entretenimento puro, ainda que o próprio não goste muito de ser o showman da categoria. O franco-suíço, ainda em meio a toda carga emocional que vinha dos atentados em Paris, saiu de 14º para ser oitavo, enfileirando ultrapassagens e tirando tudo que era possível da Lotus.
Max Verstappen prepara linda ultrapassagem em cima de Sergio Pérez (Foto: Getty Images)
E por mais que Grosjean e Verstappen tenham dado os poucos momentos de brilho do GP do Brasil, foi Fernando Alonso quem tomou o final de semana de assalto. O espanhol teve a sexta e o sábado interrompidos por mais um par de destruições do motor Honda. Dois motores diferentes, aliás: na sexta, o de Austin; no sábado, o do México. Fora da classificação sem ter a chance de uma volta rápida, brilhou como há muito não fazia.
 
OK, não foi no carro – aquela McLaren continua não andando. Mas quando a unidade de força japonesa foi para as cucuias e a equipe o mandou "parar imediatamente", Fernando encostou o carro, saiu e aproveitou a outra dúzia de minutos do Q1 sentado na beira da pista, vendo o que acontecia. E aí foi piscar para a câmera, pegar sol, distribuir sorriso, expor os patrocinadores e ganhar dinheiro. Tudo num carisma que vez ou outra esquecemos que Alonso tem.
 
Quando enfim conseguiu voltar aos boxes, no final do Q1, encontrou o companheiro Jenson Button, também eliminado a primeira fase da sessão classificatória. Os dois foram ao pódio, então, tirar fotos para registrar algo que a Honda ainda vai demorar para conseguir que a McLaren faça – subir num dos três lugares do púlpito dos desejos da F1. É curioso no mínimo ver dois campeões mundiais, dos melhores pilotos de sua geração, levando com bom humor uma situação de tamanho suplício. 
 
No domingo, antes da prova, Alonso ainda estava dando entrevista e rindo da desgraça alheia com alta satisfação. Por isso, se tivesse uma lista de heróis da prova brasileira, o carisma de Fernando o colocaria na frente, com Verstappen um (muito) distante segundo.
Com uma grande dose de ironia, Fernando Alonso mostra seu enfado com a situação da McLaren (Foto: Reprodução)

Bom, categoria em baixa, corrida fraca…só poderia mesmo ter dado em péssimos números de audiência no Brasil. Pela primeira vez na história, a Globo perdeu com a corrida para as atrações dominicais da Record, sua grande concorrente. A prova marcou péssima média de 10,5 pontos, contra 11,8 da Record, que passava 'Domingo Show' e, depois a 'Hora do Faro'. Em termos de comparação, a edição 2015 do GP do Brasil teve três vezes menos audiência que a de 2008, quando Felipe Massa e Hamilton lutaram pelo caneco até a última volta.

 
Aliás, o fracasso de audiência no GP do Brasil parece ser o que faltava para a Globo ter certeza que o produto já não é assim mais tão lucrativo. Por mais que Bernie Ecclestone reclame de falta de apoio da emissora, está cada vez mais complicado imaginar investimento pesado na cobertura do evento. A Globo desistiu, no meio da temporada, de passar os treinos classificatórios, reduzindo-o a meros informes em sua programação. No confronto de horários com o futebol, repassou ao SporTV as corridas dos EUA e do México, perdendo, inclusive, o título de Hamilton. 10 ou 11 pontos são miseráveis quando se olha para sete anos atrás e se cravam números triplamente maiores.

A única coisa que prende a F1 à Globo são as polpudas cotas de patrocínio. A emissora vai receber dos seis patrocinadores R$ 450 milhões em 2016, tendo o compromisso de ampliar suas exposições principalmente na internet. Porque sabe que na TV em si a coisa vai mal.

 
Se fora do autódromo a F1 não teve lá grande projeção neste fim de semana, a presença do público em Interlagos também poderia ter sido bem maior. Na corrida, alguns espaços vazios, na classificação, consideráveis, nos treinos livres, incontáveis. 
Galvão Bueno comandou o novo esquema da Globo para dias de corrida (Foto: Reprodução)
Outro fator que afeta a falta de interesse do público brasileiro está, mais uma vez, ligada à falta de competitividade. Apenas com a Mercedes e, vá lá, a Ferrari com chances de vencer corrida, claramente o ânimo dos fãs acaba comprometido. Ainda que Massa possa brigar por pódio, ainda que Felipe Nasr consiga arrancar pontos, a cultura do brasileiro no esporte sempre foi e, possivelmente sempre será, de ter sempre de vencer. Tanto que não esquece de entoar em Interlagos o 'olê, olê, olê, olá, Senna, Senna'. 
É difícil pensar numa única solução mágica que a televisão poderia tomar para voltar a esquentar seu caso com a F1. Talvez aquelas revistas especializadas que sugerem algo que envolva se enrolar em papel celofane para apimentar a relação possam fazer melhor, mas parece, neste caso, um assunto muito complexo. A Globo tem suas culpas, não há dúvida. Pouco foi feito para tentar achar uma saída nos últimos anos. Entrevistas no grid, caíram; balada F1, caiu (após uma tentativa). A emissora não parece se interessar em ser resiliente quanto ao assunto. Pelo contrário, parece satisfeita com as cotas e resignada quanto ao destino. Assim que os patrocinadores minguarem, que a F1 seja repassada ao SporTV.
 
Também é injusto pensar apenas na Globo como culpada. Primeiro, porque a grande responsável é a própria F1, que vende um produto chato, travado e incompatível com o Século XXI. Que tem corridas chatas aos montes, com mudanças de regras desgovernadas e disparidade desenfreada. Que tem dificuldades em ver as mídias sociais como aliadas. Que promove um culto aos pilotos e chefes em tempo de interatividade e aproximação. Bernie Ecclestone transformou a F1 numa máquina de fazer dinheiro décadas atrás, mas não consegue entender os novos tempos e as novas demandas do novo mundo. 

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Posted by Grande Prêmio on Quinta, 12 de novembro de 2015

O Brasil é só mais um dos países do mundo onde a audiência televisiva cai e os fãs diminuem. Coloque na balança que o Mundial precisou deixar a Alemanha – país mais com mais títulos de Pilotos na história e lar da atual construtora dominante -, um dos seus maiores redutos de sucesso, por ser um abismo financeiro – um prejuízo balofo e anual. Monza está ainda sob perigo, o que não pode ser nem por um minuto visto como normal. Enquanto as paredes caem discretamente em frente a Bernie, ele tenta se apegar às paredes do passado com tanto força que a F1, para muita gente envolvida, se tornou um mal investimento e algo que se mantém apenas pela paixão. E essa é uma receita fracassada.
 
A CBA, aquele descaso varzeano já famoso, não consegue colocar em prática um projeto fundamentado. Não é apenas criar campeões mundiais, mas a incapacidade completa e quase que inacreditável de fomentar o esporte no Brasil. Sem nomes, sem perspectivas, sem nada. Se aparece um nome ali e acolá com reais condições de percorrer todo o caminho, como Pedro Piquet, é pela sorte de ter vários elementos pessoais positivos aliados ao óbvio talento.

Encontrar uma boa saída para a F1 hoje é uma tarefa quase hercúlea, o que não é promissor. Está na cara que o Mundial precisa se reinventar. O que suscita uma pergunta: é Ecclestone a pessoa que vai tirar a F1 do buraco internacional que se enfiou? Está difícil construir um caso para o inglês. Assim como está difícil argumentar que a F1 é um morto ambulante na Globo, esperando apenas o dinheiro encurtar para deixar a TV aberta em definitivo.

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