F1

Equipes da F1 se opõem à possibilidade de retorno da guerra de pneus em 2021

Enquanto FIA e Liberty Media discutem o novo pacote de regras da Fórmula 1 para a temporada 2021, as equipes começam a se amontoar em direção contrária a uma possível mudança: a de reatar a guerra de pneus no Mundial, algo que não acontece desde 2006

Grande Prêmio / Redação GP, do Rio de Janeiro
Desde a temporada 2007 a Fórmula 1 conta com uma única fábrica fornecedora de pneus - que desde 2011 é a Pirelli, com contrato até 2023. Mas a F1 trabalha num novo pacote de regras para a temporada 2021 e considera inclusive trazer de volta a guerra dos pneus. As equipes, entretanto, se mostram contrárias ao retorno do duelo entre as fabricantes de pneu.
 
A Pirelli deixou claro que só aceitaria voltar a ter rivais caso os pneus adotados para o pacote de 2021 tenha 18 polegadas e custo bem menor, algo que apeteceu os donos da F1, o Liberty Media. Apesar disso, a ideia de guerra de pneus continua soando estranha e antiquada para os times. 
 
"Na atual geração da F1 ter vários fornecedores de pneus não se encaixa no modelo. Nós não testamos os pneus todas as semanas e os pneus não fazem, por assim dizer, uma grande diferença de desempenho. Então, em nossa filosofia de trabalho atual, [preferimos] ter um único fornecedor", afirmou o engenheiro-chefe da F1, Paul Monaghan. 
 
"Mudaria tudo que está na mesa agora - e acredito que os planos para o futuro - se trouxéssemos vários fornecedores. Não sei se ajudaria a aproximar o grid ou separar mais. No momento não estamos equipados para seguir nesse caminho", disse.
A largada do GP da Áustria (Foto: Mercedes)
O diretor-técnico da Racing Point, Andrew Green, foi mais firme nas críticas e avaliou que seria prejudicial ao espetáculo como um todo, uma vez que tende a separar mais as equipes. 
 
"Acredito que ter vários fornecedores de pneus vai de encontro ao método de tentar aproximar o grid e melhorar o show. Vamos acabar com grandes diferenças causadas pelos pneus. Atualmente todos temos os mesmos pneus e podemos fazer nosso trabalho para cima e para baixo no grid. Acredito que a equipe que faz o melhor trabalho com os pneus deveria ser recompensada por isso, então acho que esse [guerra de pneus] é o caminho correto, para ser honesto", seguiu.
 
O chefe da McLaren, Andreas Seidl, lembrou que a guerra de pneus não evitou domínio irrestrito de uma equipe. Entre 2001 e 2004, por exemplo, havia disputa entre fornecedoras enquanto a Ferrari controlava o Mundial. 
 
"Não devemos esquecer que mesmo nos anos das maiores guerras de pneus, algumas vezes houve domínio total de uma equipe durante temporadas completas. Não estou convencido que essa é a solução. É importante que agora entre equipes, FIA e FOM, nós tenhamos calma para realmente definir qual a meta de pneus para ano que vem e 2021", finalizou. 
 
Desde o começo dos anos 1990, a F1 contou com três fornecedoras únicas de pneus: a Goodyear entre 1992 e 1996, a Bridgestone entre 1999 e 2000 e depois entre 2007 e 2010 e a Pirelli desde então. A guerra de pneus aconteceu no meio desses anos, entre 1997 e 1998 e depois entre 2001 e 2006.  


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