Ex-chefe revela que Alpine operava “dezenas de milhões” abaixo do teto da F1 em 2021

O teto orçamentário da Fórmula 1 nunca foi um problema para a Alpine no início, revelou o ex-chefe, Otmar Szafnauer, e trabalhar bem abaixo do limite foi decisivo para investir em contratação para o setor de aerodinâmica

Demitido da Alpine após o GP da Bélgica de 2023, o 12º da temporada da Fórmula 1, Otmar Szafnauer contou que o teto orçamentário nunca foi problema para a equipe quando foi implementado, pois o time operava muito abaixo do valor inicialmente fixado em US$ 145 milhões (R$ 703 milhões, na cotação atual). Isso, aliás, foi o que permitiu ao ex-dirigente recrutar pessoal principalmente para o setor de aerodinâmica.

Szafnauer falou sobre o assunto em participação no podcast do jornalista Peter Windsor. O teto de gastos foi estabelecido com o intuito de reduzir a disparidade de performance entre as equipes consideradas de ponta e os times menores. Apesar do forte apoio da Renault por trás, a Alpine se encaixava no segundo grupo.

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Otmar foi contratado para chefiar a base de Enstone de 2022 em diante, e assim que chegou à equipe francesa, percebeu que teria a chance de mexer em peças e realizar contratações para cumprir o ambicioso plano de 100 corridas até chegar ao topo.

Windsor comentou como a restrição orçamentária atrapalha os times de recrutar pessoal, e Szafnauer concordou. “Sim, mas isso pressupõe que já se esteja no limite. Se não estiver, há espaço para contratações — o que tínhamos na Alpine, pois não estávamos no limite.”

A Alpine teve um ano bem abaixo das expectativas em 2023 (Foto: AFP)

“Quando cheguei lá, estávamos dezenas de milhões abaixo do limite, portanto tínhamos espaço para contratar”, salientou, explicando na sequência que passou “seis meses” revisando o trabalho e ficou chocado por não haver grupo de desempenho aerodinâmico instalado na fábrica.

“Sempre tive a filosofia de que não se deve fazer mudanças só por mudar. É necessário ter um bom entendimento e mexer em áreas que você sabe que serão melhores graças a isso, e foi exatamente isso que fiz na Alpine. Foi um pouco demorado, entendi as áreas que faltavam e comecei a fazer mudanças”, salientou.

“Quando cheguei lá, não havia um grupo separado de desempenho aerodinâmico, por exemplo. E nas equipes maiores, são de 20 a 25 pessoas bem atentas a isso, é um grupo à parte do aerodinâmico. É quase como um grupo de dinâmica de veículos, mas focado na aerodinâmica, e a Alpine não tinha isso. Mas antes de sair, recrutei um novo chefe para lá, tirei-o do grupo de aerodinâmica e comecei a recrutar pessoas. Esse é apenas um exemplo”, concluiu.

A primeira baixa surpreendente da Alpine em 2023 foi a saída do CEO Laurent Rossi, logo após ser ultrapassada pela McLaren depois do GP da Inglaterra. Mais duas corridas realizadas, e a debandada foi completa. Szafnauer entrou na mesma barca de demissões de Alan Pérmane, diretor-esportivo, e Pat Fry, executivo-técnico. Davide Brivio, diretor de corridas, foi o mais recente a deixar a equipe francesa.

A Fórmula 1 retorna de 21 a 23 de fevereiro de 2024 para os testes coletivos da pré-temporada, no circuito de Sakhir, no Bahrein.

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