Ex-Suzuki, diretor da Alpine compara e diz que “piloto trabalha mais” na F1 que na MotoGP

Davide Brivio é conhecedor profundo do universo da MotoGP e está iniciando sua jornada na Fórmula 1 como diretor de corridas da Alpine. Mas o pouco tempo na principal categoria do esporte a motor já é o bastante para o italiano entender semelhanças e diferenças no trabalho dos pilotos

Volta rápida na pista de Miami, que recebe a F1 em 2022 (Vídeo: Miami)

Davide Brivio é uma cara nova na Fórmula 1. O experiente dirigente italiano, que entrou para a história da MotoGP com trabalhos vitoriosos na Yamaha e levou a Suzuki de volta ao topo do esporte no ano passado, foi contratado pela Alpine para assumir a função de diretor-esportivo e saiu de um universo de ponta do esporte a motor para outro. E mesmo com pouco tempo na F1, Brivio já consegue fazer algumas comparações. Uma delas é: os pilotos da categoria trabalham mais em relação aos seus pares na MotoGP.

As declarações do italiano de 56 anos ao site local Quattroruote não representam nenhum demérito aos pilotos da MotoGP. Brivio explica que os pilotos da Fórmula 1, em razão da maior complexidade dos carros e da quantidade maior de engenheiros, precisam analisar mais informações e ficar mais tempo em reuniões. Daí a sua conclusão na comparação entre Fórmula 1 e MotoGP.

DAVIDE BRIVIO; ALPINE; FÓRMULA 1; FERNANDO ALONSO;
Davide Brivio, diretor de corridas da Alpine, ao lado de Fernando Alonso (Foto: Alpine F1 Team)

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“O ambiente [da F1] é diferente, é maior, com muito mais gente. Eu diria que também é de muito mais engenharia, tanto para o bem quanto para o mal. Tudo é analisado com muito mais atenção e com instrumentos mais sofisticados. Além disso, graças às características do carro, eles têm movimentos muito menos imprevisíveis na comparação com as motos”, explicou.

“Aqui na Fórmula 1 há uma grande tecnologia, o que sempre me fascinou, não por si só, porque não sou engenheiro, mas pela organização e pelos procedimentos”, comentou o italiano.

“Diria que há muitas semelhanças. Mas devo dizer que na Fórmula 1 o piloto trabalha mais e passa mais tempo com a equipe. Porque tudo é analisado com mais atenção, com muito mais gente. Ele tem de trabalhar com mais engenheiros, gastar mais tempo nos briefings, analisar dados e ter isso em mente quando estiver no rumo certo”, salientou Brivio.

O diretor da Alpine, em que pese ter ressaltado as diferenças, também enxerga muitas semelhanças entre os pilotos da Fórmula 1 e da MotoGP. “Então, quando o piloto está na pista, ele está em contato via rádio com a equipe, então ele segue recebendo as informações que ele tem de ter em mente. No entanto, eles são atletas, então os problemas, os momentos bons e ruins, a necessidade de mante a motivação em alta, o treinamento físico, são todos aspectos semelhantes”.

Davide Brivio comandou a Suzuki no título de Joan Mir na MotoGP em 2020 (Foto: Suzuki)

De um aspecto mais pessoal, Brivio admitiu que ainda está tateando e conhecendo aos poucos o novo ambiente ao qual está inserido no esporte a motor. Por isso, disse que precisa de tempo para conseguir contribuir da melhor forma com a Alpine.

“Sobre o que posso trazer com a minha experiência, ainda estou tentando entender isso, mas espero que, de um ponto de vista externo, isso seja útil. Cheguei em janeiro, quando já estava tudo organizado, mas vai chegar o momento de tomar algumas decisões estratégicas para o futuro e depois vou ter de começar a trabalhar mais com a equipe”, comentou.

Mesmo tendo um histórico no esporte a motor todo dedicado ao motociclismo, Brivio revelou que a Fórmula 1 é uma paixão que vem desde quando era um menino.

“Tenho orgulho de dizer que nasci em Monza, perto de uma das pistas mais importantes. Quando era criança, costumava assistir à Fórmula 1 em agosto, quando as equipes e, em particular, a Ferrari, iam para o GP da Itália. Então, minha paixão nasceu há muitos anos, ainda que desde sempre esteja focado nas motos, trabalhando durante muitos anos, primeiro com o motocross e depois com a motovelocidade”, afirmou Davide, graduado em Informática em 1982.

“Mas sempre olhei para a Fórmula 1 e para os carros como uma inspiração. Enquanto trabalhava com a MotoGP, gostava de ver pelo menos um GP no ano, observar esse mundo e tirar ideias para ajudar no meu trabalho. Essa foi a chave para tomar a decisão quando veio a proposta para trabalhar na F1, e assim saber ainda mais a respeito. E tem sido fascinante para mim, depois de muitos anos, e acho que tenho a sorte de fazer um trabalho que é a minha paixão e até ser pago por isso. É um grande privilégio, tenho certeza disso”, concluiu.

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