F1 abre 2023 com Red Bull sólida e veloz. Ferrari e Mercedes ainda tateiam novos carros

A Fórmula 1 está de volta! E o primeiro dia de testes para a nova temporada começou com a campeã Red Bull ditando o ritmo. Max Verstappen liderou a sessão e assustou a concorrência. Enquanto isso, as rivais diretas, Ferrari e Mercedes, optaram por uma abordagem mais convencional. A Aston Martin foi o destaque da quinta-feira: primeiro com a presença de Felipe Drugovich na pista e, segundo, pela performance de Fernando Alonso – o vice-líder da tabela no Bahrein

A Fórmula 1 voltou e parece que quase nada mudou. Só parece, felizmente. O novo ano chega com novidades e diversos pontos a se destacar após a primeira sessão de testes coletivos, realizados no Bahrein, às vésperas do campeonato 2023 – que começa em 5 de março, também em Sakhir. Mas a impressão de que o cenário é o mesmo de 2022 se deve à Red Bull e ao bicampeão Max Verstappen. O conjunto vitorioso da última temporada encabeçou a tabela de tempos com uma facilidade assustadora. O que, claro, coloca sempre os rivais sob pressão.

De fato, os taurinos chegaram chegando e colocaram fim ao último mistério do período de lançamentos. Quer dizer, foi possível finalmente conhecer a mais recente criação de Adrian Newey: o RB19. O carro austríaco é uma clara evolução do campeão RB18. Mas há detalhes novos: o assoalho é o grande destaque do projeto dos energéticos, porque surge redesenhado e quase são dois assoalhos, na verdade, que se unem na parte traseira do carro. Os projetistas investiram na eficiência do fluxo de ar, dentro do conceito do efeito solo. Em uma melhor eficiência aerodinâmica, também revisaram as asas – especialmente a asa dianteira, que é realmente muito diferente –, para também não comprometer demais a maior arma do modelo antecessor: a velocidade de reta.

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O carro se mostrou rápido imediatamente, com “pequenas evoluções” que Verstappen listou ao falar das primeiras impressões das atividades em Sakhir. É bom lembrar que a Red Bull foi punida com a perda de tempo no túnel de vento, então tudo precisa ser mais assertivo do que de costume – algo que foi também destacado pelo conselheiro Helmut Marko.

BRIEFING ANALISOU O PRIMEIRO DIA DE TESTES DA FÓRMULA 1 2023

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Além da habitual velocidade da Red Bull, Verstappen conduziu a sessão de forma bastante tranquila. Foi rápido em todos os momentos e apresentou enorme consistência nos diferentes jogos de pneus. Ao contrário do resto do grid, Max assumiu sozinho o tempo de pista nesta quinta-feira (23) e percorreu muitos quilômetros: ao todo, foram 157 voltas no circuito barenita, o que equivale a distância de três GPs. E o mais importante: nenhuma falha aparente. O registro que ponteou a tabela foi de 1min32s837 – melhor que nas atividades do ano passado, mas ainda muito longe do tempo da pole conquistada por Charles Leclerc em 2022.

“Claro, com todo o conhecimento do ano passado, acho que já é um começo muito mais fácil para todos. É bom ver o carro novo, como evoluiu desde o ano passado, como o comportamento é um pouco diferente, e também por causa dos pneus. Foi um bom dia para entender tudo isso”, falou o holandês.

Se por um lado a Red Bull retorna ainda ditando o ritmo, as rivais diretas enfrentaram um primeiro dia de poucas conclusões, em um trabalho que parecia mais focado na análise dos componentes novos e quilometragem. A Ferrari viveu uma sessão mais agitada – marcada, inclusive, por um problema bizarro no bico do carro, depois resolvido rapidamente.

Carlos Sainz chegou a liderar nas primeiras horas, mas os engenheiros se concentraram nas avaliações aerodinâmicas, com os grandes sensores instalados no carro. À tarde, Charles Leclerc assumiu a SF-23 e também deu continuidade aos experimentos. Só chamou a atenção realmente certo desequilíbrio do carro e algum porpoising, principalmente quando o espanhol estava à frente das atividades. A equipe italiana trabalhou uma configuração de médio downforce a maior parte do tempo, mas acabou sendo afetada pelos saltos. Importante dizer que os carros de 2023 têm modificações no assoalho para minimizar os quiques – por isso o fenômeno no carro italiano ligou o alerta no grid.

Ferrari e o nariz deformado durante a manhã de testes no Bahrein (Vídeo: reprodução/F1TV)

Com um programa técnico menos voltado para a performance, os italianos buscaram quilometragem, também com o objetivo de comprovar a confiabilidade do novo projeto. E ainda que Sainz tenha liderado em alguns momentos, a escuderia terminou o dia com o madrilenho na terceira colocação da tabela, com 72 voltas. Leclerc apareceu logo atrás, em quarto, com 64 giros. A diferença entre eles foi de míseros 0s014. É um fato que a Ferrari não começa o ano da maneira brilhante de 2022, mas também é certo dizer: o novo carro tem potencial. A velocidade final, por exemplo, chamou a atenção.

“No geral, um primeiro dia positivo. A confiabilidade foi boa e pudemos rodar sem problemas, cobrindo todo o plano de corrida e reunindo dados valiosos, o que é encorajador. Progredimos bem com o ajuste durante o dia e também conseguimos fazer boas leituras nos pneus que testamos em Abu Dhabi, então, no geral, bom progresso feito até agora e estou ansioso para continuar amanhã”, explicou Carlos, que cravou em sua melhor volta o tempo de 1min33s253 – 0s4 pior que o de Verstappen.

Pelos lados da Mercedes, o dia obedeceu ao programa costumeiro da octacampeã. Ou seja, acumular quilometragem. A equipe dividiu os trabalhos entre George Russell (manhã) e Lewis Hamilton (tarde). E no total, percorreu 152 giros. Um registro importante, muito parecido com o que a Red Bull foi capaz com Max. A equipe prata teve menos problemas do que no ano passado, é verdade, e ficou aliviada por não perceber mais os assustadores saltos. Mesmo assim, o time trabalhou mais focado no ritmo de corrida e no comportamento dos pneus.

Ambos os carros andaram com grande e média carga de combustível, mesclando o uso dos compostos médios e também dos mais duros da gama da Pirelli. Os tempos de volta foram muito consistentes, especialmente os do heptacampeão no fim da tarde. Há ainda um certo desequilíbrio em curvas. Como outras equipes, a Mercedes também testou os elementos aerodinâmicas com sensores e a parafina.

Hamilton ficou satisfeito com a confiabilidade, mas desconversou sobre a potencial posição dos alemães na hierarquia do grid.  Conseguimos passar pelo nosso programa e acumular muitos dados. Também tivemos boa confiabilidade, o que contribuiu para nossa quilometragem total. Ainda é difícil saber onde estamos na ordem das equipes, mas vamos sentir isso melhor nos dias que estão por vir”, disse Lewis, que ficou na sexta posição da folha de tempos, 0s6 acima da marca do líder da Red Bull.

Felipe Drugovich teve um apagão quando saía para o seu teste, no Bahrein (Vídeo: reprodução/Twitter)

Enquanto Mercedes e Ferrari tatearam seus novos carros, uma outra equipe se colocou nos holofotes: a Aston Martin. Aliás, a equipe britânica povoou as manchetes. Seja por falhas, seja por performance. Felipe Drugovich teve a chance de guiar o AMR23 no Bahrein, substituindo o lesionado Lance Stroll – ainda não se sabe a extensão das fraturas e recuperação, mas, por ora, a escuderia avalia dia a dia. De toda a forma, o brasileiro foi responsável pela primeira bandeira vermelha do dia, quando uma pane eletrônica tomou conta do modelo, deixando Felipe a pé.

Mais tarde, o campeão da F1 2022 foi capaz de voltar e percorreu 40 voltas, antes de entregar o carro a Fernando Alonso. Apesar do início confuso, Drugovich conduziu os experimentos da equipe sem maiores incidentes. Agora, a volta do piloto ainda não está clara. Para o segundo dia, o time já determinou que o espanhol vai assumir os trabalhos, enquanto Felipe fica stand-by.

E falando no bicampeão, o dia foi tão movimentado quanto acidentado tem sido esse início de temporada para a Aston Martin. Fernando pode completar 60 voltas, mas perdeu tempo de pista depois de um dano verificado no assoalho após um pit-stop. Mais tarde, o veterano foi à pista e, com pneus médios C3, acertou a marca de 1min32s866, saltando para a segunda colocação da tabela. Poderia ter sido ainda melhor não fosse um erro na curva 15. Ainda assim, serviu como um alívio ao fim de um dia agitado.

Nos outros destaques do dia estão a McLaren – não necessariamente como bons destaques. A equipe inglesa enfrentou problemas de freios e atravessou uma sessão com pouca quilometragem. O saldo melhorou após boas voltas de Lando Norris à tarde, suficientes para colocar o carro laranja na quinta posição. Williams e Alfa Romeo figuraram no top-10 e há de se chamar a atenção para a boa quilometragem/confiabilidade dos novos modelos.

Enquanto isso, a Alpine deixou a desejar. Em nenhum momento os pilotos surgiram em posições de notoriedade e fecharam o dia com uma quilometragem apenas minimamente aceitável, digamos assim. Haas e AlphaTauri não brilharam, mas também não passaram vergonha.

A F1 volta para o segundo dia nesta sexta-feira. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades dos testes coletivos de pré-temporada da F1 AO VIVO e EM TEMPO REAL. A sexta-feira de testes tem início às 04h00 (de Brasília).

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