Ferrari assume “ingenuidade” em adaptação de Hamilton: “Achamos que estava sob controle”
Frédéric Vasseur reconheceu que tanto ele quanto Lewis Hamilton acreditaram que teriam tudo sob controle na transição da Mercedes para a Ferrari, só que a realidade tem sido mais dura
Quem poderia imaginar que o maior vencedor da história da Fórmula 1, com sete títulos mundiais nas costas, levaria tantas corridas para se adaptar à equipe mais tradicional do grid? Foi esse pensamento “ingênuo” que acabou traindo o chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur, que se deparou com um Lewis Hamilton com muito mais dificuldades para lidar com o carro vermelho do que o esperado — hipótese que o francês reconhece que não poderia ter sido subestimada.
A chegada de Lewis à escuderia de Maranello foi o anúncio mais surpreendente da história recente da Fórmula 1. Depois de 12 temporadas defendendo a Mercedes e colocando de vez o nome entre os gigantes da categoria, aceitou a proposta ousada da Ferrari para buscar o tão sonhado oitavo título do Mundial, só que o caminho tem se mostrado muito mais espinhoso.
Desde a primeira etapa, na Austrália, Hamilton expôs o esforço para entender dos comandos do volante às conversas com o engenheiro de corrida, Riccardo Adami. A vitória na sprint da China, contudo, passou a impressão de que o visto em Melbourne foi só o choque da estreia. Ledo engano. Até o momento, 14 GPs completados, os melhores resultados do heptacampeão foram dois quartos lugares.
Para completar, o desempenho em classificações também tem ficado muito aquém do esperado. Na última, na Hungria, Lewis chegou a dizer que era um “inútil” após cair no Q2. Em entrevista ao site da revista alemã Auto Motor und Sport, Vasseur saiu em defesa do piloto, mas reconheceu que houve erro fundamental da sua própria parte.

“Lewis tem tido azar ultimamente, muitas vezes são as circunstâncias”, começou ao ser perguntado sobre o que acontece com Hamilton. “Em Budapeste, ele esteve à frente de Charles [Leclerc] no Q1 e apenas 0s1 mais lento no Q2. Ele ficou a 0s015 de avançar. No final, um terminou em primeiro [Leclerc] e o outro, em 12º. Parece bobagem, claro. Mas não foi tão distante, e teríamos terminado em 11º e 12º com os dois”, continuou.
“Olhando para trás, tenho de admitir que nós — quero dizer, Lewis e eu — subestimamos a transição para um ambiente diferente. Ele esteve na mesma equipe por 18 anos, se é que posso colocar McLaren e a Mercedes juntas. Era uma equipe inglesa, e o ambiente do motor sempre permaneceu o mesmo”, acrescentou, pontuando que a Ferrari possui atmosfera muito distinta.
“Há uma diferença maior entre a Ferrari e a Mercedes do que entre a Mercedes e a McLaren. Quando Lewis chegou à Ferrari, ingenuamente pensamos que ele teria tudo sob controle. Ele não é como Carlos Sainz, que troca de time a cada poucos anos e estaria familiarizado com esse processo. Lewis precisou de quatro ou cinco corridas para controlar a situação. Desde o GP do Canadá, está na pista”, concluiu Vasseur.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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