Ferrari é favorita com Red Bull perto. Mercedes já pensa no GP do México

O primeiro dia de atividades no México revelou uma Ferrari, especialmente nas mãos de Sebastian Vettel, velocíssima. Mas também uma Red Bull que corre por fora, tentando o bote. A Mercedes? Essa aí tem um problemão para resolver e só pensa mesmo na corrida de domingo

Não se engane pela simplicidade do curto traçado do Hermanos Rodríguez, que tem nessa longa reta de 1,2 km a grande atração. A pista mexicana é traiçoeira, tem trechos sinuosos e é preciso entendê-la bem para se sair melhor que as rivais. Basicamente, foi o que a Ferrari fez nesta sexta-feira (25) no México, palco da 18ª etapa da temporada 2019. No insosso primeiro treino, Charles Leclerc já sinalizava o bom comportamento da SF90: andou de pneus médios e ficou a somente 0s1 do melhor tempo da tabela, obtido por Lewis Hamilton. À tarde, o cenário se tornou mais claro, na medida em as três principais equipes se mostraram como são, de fato.
 
Pelas mãos de Sebastian Vettel, a Ferrari se apresentou velocíssima. O pneu macio vermelho – ainda que um estágio mais duro neste ano – caiu muito bem a carro. Vettel foi capaz de tirar tudo deles, obtendo um nível bem interessante de aderência na sessão vespertina. Daí esse tempo de 1min16s607, praticamente 0s1 melhor que a marca do ano passado, no mesmo TL2. É peculiar também perceber que as mudanças na composição dos pneus realmente têm feito enorme diferença para os tempos em 2019. A conclusão, portanto, é que Vettel é um fortíssimo candidato à pole neste sábado, ainda que a posição de honra do grid, tal qual na Rússia, não é tão comemorada diante do retão até a primeira freada, mesmo para alguém que é empurrado por um motor tão excelente quanto esse dos italianos.
Sebastian Vettel (Foto: Beto Issa)
Curioso mesmo foi ver Max Verstappen colado no tetracampeão. Também com uma volta muito boa, o holandês comprovou a eficiência do RB15, aproveitando bem a perda de potência das unidades rivais. É incrível também notar como, apesar de carros diferentes, a Red Bull consegue se adaptar muito bem a esse circuito. Embora não tenha o mesmo nível de aderência das rivais, principalmente da Mercedes, Verstappen extraiu performance com usa pilotagem agressiva. Mas talvez vá precisar um pouco mais disso em classificação, uma vez que o sábado é o dia do ‘modo festa’ que a Honda ainda não tem.
 
Ainda assim, não dá para descartar os rapazes dos energéticos. A ideia aqui é trabalhar bem com o ritmo de corrida. Mas antes de entrar nessa questão, é bom dizer que a Mercedes, que ficou atrás aí dos dois carros da Ferrari e de Max, enfrentou problemas de granulação nos pneus, especialmente nos macios. E ficou muito evidente, por consequência, a dificuldade em obter tempo em uma única volta. Ou seja, os prateados terão de ir atrás de hoje para amanhã de um desempenho para a classificação. Com o ritmo dessa sexta-feira, a primeira fila parece distante. 
 

"Não é bom o suficiente ainda. Sabemos que essa é uma pista difícil para nós. Acho que é uma das piores. Tivemos problemas com o pneu aqui na baixa temperatura no ano passado e estamos perdendo desempenho na comparação com os nossos rivais", disse Toto Wolff, o chefão da Mercedes à Sky Sports.
 
"Acredito que será uma questão de fazer os pneus sobreviverem. E tentar chegar ao fim" completou.
Lewis Hamilton (Foto: Beto Issa)
Mas se a performance em classificação não está lá essas coisas, o desempenho em corrida, como vem acontecendo, é o forte dos carros prata. A equipe dividiu as simulações entre seus dois pilotos. Enquanto Lewis Hamilton andou com os médios/amarelos e depois com os vermelhos/macios, Valtteri Bottas se dedicou aos compostos duros/brancos. Neste cenário, o pentacampeão foi muito melhor que a concorrência, fazendo valer a melhor aderência do W10 nos trechos de baixa velocidade e que exigem eficiência. O carro mais pesado também parece ter permitido um desempenho competitivo, o que pode fazer os alemães arriscarem um pneu médio na fase intermediária da classificação.
 
Hamilton deu início ao ensaio de corrida usando os compostos médios e enfileirou voltas na casa de 1min21s0, variando até 1min21s7. Com os vermelhos, o inglês conseguiu tempos também em 1min21s. Bottas, por outro lado, andou em 1min22s3 com os macios, mas impôs um bom ritmo com os brancos: entre 1min21s e 1min22s.
 
A Ferrari, por sua vez, trabalhou bem com os médios, o que também é interessante. E não será estranho ver os carros vermelhos optarem pelos compostos médios no Q2 amanhã. Com esses mesmos compostos, Vettel não foi capaz de andar no desempenho de Hamilton, permanecendo na casa de 1min22s. E Verstappen acompanhou bem a performance do tetracampeão. “Acho que precisamos nos concentrar mais na corrida, manter os pneus sob controle e então eu acho que podemos ter uma boa corrida”, falou Max, resumindo bem o cenário.
Max Verstappen (Foto: Beto Issa)
Ao que parece, a escolha da tática e o cuidado com os pneus serão fundamentais na disputa da F1 ‘A’ neste fim de semana. Com a Mercedes menos veloz do que esperava, mas forte em corrida, Ferrari e Red Bull têm sua chance de ouro no sábado.
 
Já a F1 ‘B’ ganhou um tempero a mais com a Toro Rosso liderando o pelotão. Ambos os pilotos foram, particularmente, muito bem e deixaram McLaren e Renault para trás. Será uma briga das mais apertadas ali.

A F1 volta a acelerar no Autódromo Hermanos Rodríguez neste sábado, a partir de 12h (horário de Brasília), com o terceiro treino livre, enquanto a sessão classificatória acontece às 15h. O GRANDE PRÊMIO acompanha o fim de semana do GP do México AO VIVO e em TEMPO REALSiga tudo aqui.

 

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