Ferrari e Mercedes chegam à final da F1 sem nada a perder e mais decisivas do que se pensa
Apenas em três ocasiões em 2025, o pódio teve Max Verstappen, Oscar Piastri e Lando Norris, não necessariamente nessa ordem. Nas outras 17 corridas realizadas até aqui, os pilotos de Ferrari e Mercedes somaram, juntos, 272 pontos ao terminarem em alguma posição do top-3, e é por isso que elas possuem nas mãos o real poder de decidir o Mundial de 2025
De coadjuvantes, Ferrari e Mercedes definitivamente não têm nada na reta final da temporada 2025 da Fórmula 1. Ainda que o único dos quatro que por lá correm com chances de título seja George Russell — que basicamente teria de ver os três à sua frente andarem para trás para levantar o caneco —, há mais poder de decisão nas mãos dele, de Charles Leclerc, Lewis Hamilton e Andrea Kimi Antonelli do que se imagina, e é por isso que tanto McLaren quanto Red Bull sabem perfeitamente que a única meta possível para que não haja risco nas quatro últimas corridas do ano é sempre brigar pelo top-3.
Hoje, Ferrari e Mercedes duelam pela vice-liderança, uma vez que o título no Mundial de Construtores está nas mãos da McLaren desde o GP de Singapura. Mas essa batalha inglória está totalmente em segundo plano diante do que realmente significa chegar em um fim de semana com Russell, Leclerc e companhia fortes e muito capazes de brigar por uma pole e até pela vitória. Mesmo um pódio já é suficiente para criar mais dores de cabeça do que Lando Norris, Oscar Piastri e Max Verstappen gostariam de ter.
Vejamos de forma prática: nas 20 corridas realizadas até aqui, as únicas que tiveram Norris, Piastri e Verstappen no pódio, não necessariamente nessa ordem, foram Japão, Emília-Romanha e Itália. Russell, o que ainda respira por aparelhos na briga pelo título de 2025, venceu em duas ocasiões (Canadá e Singapura) e foi ao pódio em outras seis! Leclerc, por sua vez, ainda não subiu ao degrau mais alto, mas visitou o local em sete oportunidades. E até mesmo o novato Antonelli conseguiu beliscar um lugarzinho em Montreal ao terminar em terceiro, melhor resultado até aqui.
Falta ainda Hamilton, mas problemas do heptacampeão com a Ferrari à parte, estamos falando de 272 pontos que os reais postulantes ao título deixaram escapar, o que significa que o desenho do campeonato poderia ser totalmente diferente para a reta final.

É por isso que faz muito sentido quando Verstappen fala que a principal barreira na luta pelo título é que perdeu muitos pontos no início do campeonato. A impressionante recuperação desde o GP dos Países Baixos, descontando 64 pontos para o líder depois de deixar Zandvoort com um déficit de 104, realmente exibe uma possibilidade do penta ainda muito verdadeira, só que essa inconsistência no começo tende a ser fatal.
A situação, aliás, é mais extrema quando se olha para a disputa entre o duo papaia. Norris e Piastri chegam a São Paulo separados por um mísero ponto, e isso quer dizer que cada um depende unicamente de si. Basta, portanto, chegar à frente do companheiro de equipe, só que aquele que chegar atrás corre sérios riscos de ver o título escorrer por entre os dedos se ainda estiver com um aerofólio vermelho ou prateado imediatamente à frente.
Só que essa também é uma faca de dois gumes justamente por ajudar a eliminar mais rápido um dos três da jogada. E, nesse caso, quem realmente tem muito a perder é Verstappen, pois está 36 pontos atrás de Norris, que reassumiu a liderança no México. Para o penta se tornar realidade, é preciso contar com alguns pequenos tropeços dos papaias, e Ferrari e Mercedes serão fundamentais nessa equação. Oferece um perigo, porém, que é o risco de ser o primeiro a se ver longe da disputa se a história se inverter. Mais uma vez vale menção à fala do #1 ao dizer que tem de ser perfeito e vencer todas as corridas que ainda restam.
Ano passado, o GP de São Paulo foi uma verdadeira loucura por conta da chuva. Verstappen, que adora água, teve performance apoteótica, e Interlagos ainda viu as duas Alpine (Pierre Gasly e Esteban Ocon, na ocasião) irem ao pódio. Las Vegas, contudo, trouxe certa normalidade, e foi a Mercedes quem levou a melhor, também em grande estilo, com Russell e Hamilton fazendo a dobradinha. Carlos Sainz, por sua vez, pôs a Ferrari no terceiro posto. A McLaren, que àquela altura já tinha nas mãos o melhor carro do grid, só conseguiu voltar ao pódio no Catar, com o terceiro lugar de Piastri. Verstappen foi o vencedor do GP, enquanto Leclerc ficou em segundo. E o ano encerrou com vitória de Norris, com os pilotos da Ferrari fechando o top-3.
O que se viu no ano passado em cada um desses eventos tem grandes chances de se repetir, até pela natureza dos circuitos serem mais favoráveis ao lado A ou B. A Mercedes ainda aposta as fichas em Las Vegas por causa do clima mais ameno, enquanto Ferrari saiu fortalecida com o desempenho do México. As duas vão, portanto, roubar, sim, pontos vitais de alguém do trio, não há a menor dúvida disso.
É o que esperamos, na verdade, já que uma pimenta sempre vem bem a calhar.
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