Ferrari surpreende e abre chance para troco na Red Bull no GP do Azerbaijão de Fórmula 1

Melhor piloto de classificação do grid, Charles Leclerc fez uma volta magistral no fim do Q3 para conquistar a quarta pole consecutiva em 2022. A performance foi ajudada por um segundo setor estrondoso que deixou a Red Bull sem ação, mesmo com a maior velocidade de reta. Para a corrida, os ferraristas parecem ter encontrado um acerto ideal para tentar frear os rivais e virar o jogo

Não há muito como contestar: Charles Leclerc está entre os maiores classificadores da história da Fórmula 1. Com o carro na mão, o monegasco deslizou como quis pelas ruas de Baku, driblando os muros e as esquinas, para cravar uma das poles mais espetaculares da carreira. É a sexta posição de honra em oito etapas – a quarta consecutiva em 2022. Mas se engana quem pensa que a performance veio apenas em cima de uma asa traseira menos carregada da Ferrari. A verdade é que Leclerc voou no setor intermediário, e isso lhe deu tempo sobra para superar a Red Bull e assegurar a primeira fila. A partir de agora, os italianos têm como pensar o GP do Azerbaijão como uma nova oportunidade para tentar dar o troco na rival.

O cenário na capital azeri apresentou uma Ferrari mais precavida. Sabe-se bem que a F1-75 tem nas curvas seu ponto mais forte, especialmente os trechos de média e baixa velocidade. A eficiência aerodinâmica é notável nesse ponto. A atualização feita na Espanha agora também ajuda em um melhor gerenciamento de pneus. Mas foi a velocidade em reta que chamou a atenção. Não é que o carro vermelho tenha a mesma performance do RB18, mas a asa traseira revisada foi de enorme auxílio, embora ainda não determinante. O caso é que os italianos foram capazes de equilibrar as forças, entre downforce e eficiência em linha reta – ao mesmo tempo que o carro ganhou velocidade, não perdeu ritmo em curvas. O conjunto disso tudo fez com que Charles e também Carlos Sainz surgissem à frente.

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É claro que há um elemento pessoal em tudo. Quer dizer, a performance única de cada um e, nesse quesito, o monegasco foi de novo superior. Sainz até ensaiou a disputa, mas se deixou levar por pequenos erros ainda no começo da tentativa derradeira. O quarto lugar é um posto amargo para o espanhol, que tinha condição de ir muito além.

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Do outro lado, está Charles. O giro final foi magistral, dominando todas as parciais da pista e tendo o segundo setor – o trecho mais seletivo – como ponto alto. Foi ali que Leclerc assegurou a pole, quando impôs quase 0s4 para os adversários. Tudo isso sem vácuo, diga-se. “Foi uma classificação muito disputada. Estamos nos acostumando com Charles fazendo uma volta incrível no Q3 e, hoje, em sua última tentativa, vimos mais uma vez como ele sempre consegue algo extra de si mesmo e do carro”, afirmou o diretor-técnico da Ferrari, Laurent Mekies.

Ainda existe uma diferença significativa em velocidade final na comparação com os taurinos, mas a Ferrari parece ter agora como lidar em ritmo de corrida. Isso porque, em uma pista em que a classificação não é determinante, o desempenho em stints longs será fundamental. E o calor pode ajudar os ferraristas, que agora desgastam menos os pneus. “Estamos agora nos preparando para a prova, junto com nossos colegas em Maranello. Sabemos que, em termos de corrida, nossos rivais mais próximos são mais rápidos do que na classificação e talvez tenham vantagem sobre nós quando se trata de velocidade em linha reta”, reconheceu o engenheiro ferrarista.

“No entanto, dado o que vimos até agora neste fim de semana, acho que o menor detalhe pode fazer a diferença na corrida, com muitos fatores em jogo. O primeiro deles é o gerenciamento de pneus e, como podemos esperar condições muito quentes, o ritmo de corrida será fundamental”, completou.

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E é um dos pontos fortes da Ferrari. Como em Mônaco, a equipe italiana mostrou que possui um desempenho consistente com pneus médios e maior carga de combustível. “Em Barcelona e em Mônaco nós administramos bem [os compostos], embora em Mônaco fosse difícil enxergar alguma coisa. Mas, no geral, nosso ritmo de corrida aumentou desde que trouxemos atualizações. Amanhã vai ser interessante se isso se repetir aqui também”, explicou Charles.

Certamente, os italianos devem jogar também com Sainz na segunda fila. “Em todas as pistas, é importante sempre poder contar com os dois pilotos na frente e aqui podemos esperar uma corrida muito tática, então ter Carlos próximo aos carros da Red Bull significa que podemos enfrentá-los em igualdade de condições”, lembrou Mekies.

Da mesma maneira que a Ferrari, a Red Bull também aposta no ritmo de corrida e na maior velocidade final para inverter as posições neste domingo. E está certa. Embora não esteja completamente claro o quanto o desempenho taurino se aproxima dos vermelhos, a questão da performance em reta é indiscutível. “Tomara que a gente consiga dificultar a vida deles (Ferrari) amanhã. Com uma reta tão longa como essa, o efeito do DRS é muito potente – mas você precisa estar perto o suficiente para utilizá-lo no segundo setor. Então, será tudo sobre levar a luta a eles. Converter a largada”, pregou Christian Horner, o chefe da Red Bull.

“Pensei, antes de classificação, que seria uma disputa muito acirrada e que a Ferrari tinha a vantagem no ritmo de uma volta, mas mostramos até aqui que, aos domingos, temos um carro bom e competitivo – em uma pista que permite ultrapassagens”, analisou Horner.

Sergio Pérez pode ser um fator determinante na Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Só que os energéticos também têm suas querelas a resolver. Sergio Pérez deu continuidade ao melhor momento da carreira e cravou uma importante segunda posição no grid, à frente de Max Verstappen. O mexicano usou toda a potência do RB18 para assegurar o resultado que poderia ter sido melhor até. O caso é que Pérez enfrentou um problema de motor pouco antes da tentativa final e acabou perdendo um minuto, o que o fez também perder a chance de um vácuo. Daí a reclamação no rádio após o fim do Q3.

Pérez vem de vitória e acabou de ter o contrato renovado. Será interessante entender como a Red Bull vai lidar com isso em um momento do campeonato em que Verstappen não parece tão confortável assim com o carro. “Não é como eu gostaria, mas a equipe estar em segundo e terceiro dá uma boa oportunidade para amanhã. Falta alguma coisa para gente em ritmo de voltas lançadas, isso está claro. Normalmente em stints mais longos o carro é bom, e aqui deve ser o mesmo”, afirmou o campeão do mundo.

A questão toda aqui é que a Ferrari parece menos vulnerável do que em outras pistas nessa configuração, mas a Red Bull tem suas armas. O GP do Azerbaijão, em tese, caminha para ter apenas uma parada, sendo médios-duros o esquema principal. Mas essa também é uma corrida de armadilhas – seja por safety-car, seja por caos natural. Então, todo cuidado é pouco.

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