FIA alega flexibilidade e datas diferentes para Honda trabalhar durante quarentena da F1

Enquanto os países europeus fechavam serviços não essenciais, o Japão passava pela pandemia de Covid-19 de maneira mais branda, permitindo que a Honda trabalhasse nos motores. A FIA explicou a brecha no acordo enquanto muitas fabricantes de motor, como Ferrari, Mercedes e Renault – todas sediadas na Europa – não trabalharam no desenvolvimento das peças

Quando chegou ao GP da Áustria, primeira etapa da temporada 2020 da Fórmula 1, a Honda apresentou evoluções em seu motor e deixou algumas adversárias questionando como a montadora japonesa foi capaz de fazer isso.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, muitas fabricantes de motor, como Ferrari, Mercedes e Renault – todas sediadas na Europa – precisaram fechar suas fábricas durante a quarentena por medidas sanitárias. A Honda, porém, escapou desse problema, com o Japão não passando por um intenso período de reclusão, liberando assim o trabalho de seus funcionários. Mesmo a Honda tendo sede na Inglaterra, em Milton Keynes, a fábrica de motores fica em Sakura, no Japão.

A grande questão no paddock é se a Honda ganhou vantagem por trabalhar enquanto as concorrentes não podiam ir às fábricas na Europa. E é aí que entra a FIA para esclarecer a situação.

A AlphaTauri é uma das equipes com motores Honda no grid da Fórmula 1 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

De acordo com Nikolas Tombazis, diretor-técnico da Federação Internacional de Automobilismo, uma das considerações feitas durante a pandemia é que nenhuma fabricante deveria ser punida pelas regras mais rígidas de proteção em seu respectivo país.

“O fechamento da Honda foi diferente das outras fabricantes. Não em termos de duração, mas de quando aconteceu. A explicação é que todas as equipes e produtores de motores aceitaram que durante a extraordinária condição de lockdown, ninguém faria quarentena compulsória só porque outro país foi mais atingido pela Covid-19”, afirmou o dirigente.

“Um exemplo é a Itália, que foi atingida mais cedo e entrou em lockdown, seguida pelo Reino Unido. Nós afirmamos que todas as quarentenas precisam ser iguais, não pode ter uma equipe ou montadora com vantagem ou desvantagem por conta disso”, completou Tombazis.

Alexander Albon e sua Red Bull-Honda na Hungria (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Quando a pandemia começou a se espalhar pela Europa, Renault, Ferrari e Mercedes interromperam as atividades. A Honda, no entanto, foi permitida seguir os trabalhos, pois a quarentena no Japão foi decretada depois dos demais países.

“O Japão teve uma evolução completamente diferente da Covid e de sua quarentena. Nós não sabíamos, quando acordamos esses termos em abril, que o Japão teria um lockdown no verão, dependendo de como a pandemia evoluísse no país. Então demos uma flexibilidade para a Honda, para que ela pudesse fechar depois. É por isso que a Honda trabalhou enquanto os europeus estavam em quarentena”, explicou Tombazis.

O diretor da FIA ainda pontuou que as modificações feitas pela Honda para o GP da Áustria não acrescentavam potência para os carros da Red Bull e AlphaTauri, mas ajudavam a melhorar a confiabilidade das unidades de potência.

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