FIA encerra discussão sobre dispositivo da Red Bull e garante situação “sob controle”
Diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis explicou que os ajustes feitos pelo dispositivo da Red Bull são "números muito, muito pequenos", portanto não seria possível averiguar alguma infração no passado apenas por imagens de TV
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pôs um ponto final nas recentes discussões que inflamaram o paddock da Fórmula 1 por conta do dispositivo da Red Bull que ajusta a configuração do assoalho. O diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis, explicou que o lacre posto no sistema do RB20 garantirá a impossibilidade de qualquer alteração em regime de parque fechado, mas assumiu que se trata de “números muito pequenos”, portanto não seria possível verificar se houve, de fato, infração em corridas anteriores.
A polêmica começou na última quarta-feira (16). A peça em questão é capaz de ajustar o ângulo do ‘front bib’ ou ‘T-Tray’ — ‘bandeja T’, em tradução livre, um suporte vertical localizado na parte frontal do carro, perto da suspensão dianteira, que cria um vão entre o bico e o início do assoalho.
Trata-se de um ajuste que provoca uma melhora significativa dos requisitos relacionados à altura do carro em volta rápida (com o tanque vazio) e na corrida (mais pesado por conta do combustível), podendo ser feito por um mecânico, mas o que levou a FIA a endurecer a fiscalização foi a possibilidade de haver um meio de isso ser feito pelo piloto dentro do cockpit.
A Red Bull assumiu o uso do sistema, mas negou que fosse possível qualquer mudança no parque fechado, só que a McLaren não engoliu a declaração e cobrou da FIA uma “investigação minuciosa”. Para evitar problemas futuros, representantes da federação fiscalizaram o carro taurino depois do treino livre do GP dos Estados Unidos e adicionaram um lacre ao dispositivo.

“Na corrida anterior [em Singapura], fomos informados de que certos projetos poderiam permitir uma mudança na altura da frente do carro, que algumas pessoas chamam de bib (babador, em tradução livre), no parque fechado, e não tínhamos nenhuma indicação ou prova de que alguém estivesse fazendo algo assim”, explicou Tombazis à Sky Sports.
“Isso seria claramente ilegal de acordo com os regulamentos do parque fechado. Mas não tínhamos nenhuma indicação clara de que alguém estivesse fazendo isso. Por isso, dissemos que, a partir desta corrida [nos EUA], não deve haver nenhuma possibilidade de que tal coisa possa ser feita”, acrescentou.
“Portanto, se uma equipe tiver um design que permita uma troca rápida dessa altura, terá de ser vedado para que não seja acessado no parque fechado. E acho que todas aderiram a isso e, no que nos diz respeito, está razoavelmente sob controle”, completou o diretor da FIA.
“Fizemos tudo o que era necessário para impedir que houvesse qualquer acusação. É claro que se trata de um campeonato acirrado e as pessoas ficam bastante entusiasmadas com os carros umas das outras. Portanto, não podemos concluir definitivamente as corridas anteriores ou quaisquer insinuações entre as equipes em um ambiente tão competitivo. Mas, na situação atual, acreditamos que não se trata de uma história”, seguiu.
Quanto à investigação cobrada por Zak Brown, Tombazis explicou que não seria possível qualquer averiguação com base em imagens de câmeras de TV. “Estamos falando de alguns milímetros ou algo assim, potencialmente. Estamos realmente falando de números muito, muito pequenos. Não acredito que seja algo que possamos verificar.”
“Mas, como disse, não temos nenhuma indicação, prova ou coisa do gênero de que algo desagradável tenha acontecido antes”, encerrou Tombazis.
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