Fiscais, selos e câmeras de segurança: como FIA controla o parque fechado na F1
Assunto tem ganhado força nos últimos dias com a confirmação de que a Red Bull tinha um dispositivo que poderia modificar o assoalho do RB20 durante o parque fechado
Antes do GP dos Estados Unidos, a Red Bull havia sido acusada por rivais de utilizar um ‘truque’ que infringe o regulamento da FIA ao alterar o assoalho durante o parque fechado. A equipe, por sua vez, admitiu o uso do dispositivo e fez alterações para a etapa em Austin. No entanto, o assunto levantou dúvidas de como o parque fechado é controlado pelos comissários e fiscais de prova e como o dispositivo do RB20 havia passado despercebido de início.
A grande dúvida gira em torno da Red Bull ter utilizado o dispositivo escondido ou não. Segundo o time austríaco, isso nunca ocorreu e seria muito difícil fazer isso sem ser flagrado. Já a FIA acredita no processo de vigilância adotado no parque fechado e reforçou isso através de declarações de Manuel Leal, delegado técnico adjunto da federação.
Leal afirmou que há várias etapas de verificação no parque fechado que começam antes mesmo da temporada, com a entrega de uma “lista de operações” que as equipes costumam fazer seguindo o regulamento. Depois disso, os comissários “monitoram cada ajuste” que é feito nos carros.
“Temos 20 ficais monitorando cada operação que está sendo realizada no carro e registrando isso para que possamos verificar mais tarde. Além disso, no início da temporada, as equipes precisam enviar uma lista de operações que normalmente realizarão no parque fechado dentro do regulamento, e nós as aprovamos ou não”, pontuou.

“Cada carro é diferente, então podem dizer que para verificar a câmara de combustão, precisam remover as velas de ignição e, para remover as velas de ignição, precisam tirar outra coisa. Essa lista é dada aos fiscais para que possam acompanhar o que está acontecendo”, comentou.
Além disso, um sistema de câmeras também é instalado em cada garagem e sob cada um dos 20 carros para assegurar que nenhum mecânico está mexendo mais do que deveria no monoposto. Os times também têm de entregar uma “ficha de configuração” de cada bólido com detalhes técnicos que não podem ser modificados.
“Temos uma câmera sobre cada carro que é monitorada e gravada. Essencialmente, é semelhante ao circuito fechado que qualquer empresa de segurança poderia operar. Monitoramos em tempo real, há pessoas assistindo constantemente, e podemos visualizar qualquer coisa que aconteça com aquele carro”, continuou Leal.
“As equipes precisam declarar uma ficha de configuração para cada carro antes da classificação. Isso detalha cambagem, convergência, pesos de canto e assim por diante. Então, por exemplo, se baterem e precisarem montar o carro novamente, iremos até lá e verificaremos se estão apenas reparando os danos do acidente e não mudando a configuração”, esclareceu.

“Precisamos ver a mesma cambagem, a mesma convergência e queremos fazer uma verificação da configuração. Se algo precisar ser substituído, como um potenciômetro em uma suspensão que falhou, precisamos ver evidências da falha, e se estiver relacionado a um ponto crítico de desempenho, como distribuição de peso, lastro, configuração de suspensão ou aerodinâmica, então haverá uma pessoa da FIA verificando se está igual”, completou.
Por fim, Leal detalhou que a FIA pode adicionar selos a peças que gostaria de monitorar, mas que sejam difíceis de acompanhar via câmeras ou ao vivo através de um fiscal, como o dispositivo suspeito da Red Bull em Austin. Segundo o diretor, mais de 40 mil selos já foram pedidos apenas nesta temporada, reforçando a rigorosidade do sistema de vigilância.
“Os motores e transmissões estão, claro, selados. Mas temos o direito de aplicar selos em qualquer parte que desejamos monitorar. Então, se houver algo que nos preocupa e que é crítico e difícil de ver ao vivo, mesmo com as câmeras, adicionaremos um selo”, explicou Leal.
“Geralmente, são transmissões, unidades de potência, sistemas de recuperação de energia, painéis de carroceria e o assento, mas podemos colocar selos onde necessário. Acho que ao longo da temporada pedimos até 40 mil selos, então isso indica quão rigorosas são as verificações”, disse.

“O pessoal da FIA geralmente faz verificações de configuração e especificações de peças na manhã de domingo, apenas para garantir que não haja nada que um comissário tenha perdido, o que, para ser honesto, é raro. Mas é apenas um nível adicional de vigilância para garantir que as equipes tenham cumprido o regulamento, que temos um nível de competição igual e que, a menos que haja uma razão convincente, vamos para a corrida com os carros na condição em que se classificaram”, encerrou.
A Fórmula 1 volta às pistas já neste fim de semana, entre os dias 25 e 27 de outubro, para o GP do México, na Cidade do México.
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