F1 anuncia adiamento dos GPs do Bahrein e Arábia Saudita por conflitos no Oriente Médio
Fórmula 1 anunciou adiamento GPs do Bahrein e Arábia Saudita por conta dos conflitos militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio. Categoria não se posicionou sobre possíveis substituições
A Fórmula 1 anunciou neste sábado (14) que os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita não acontecerão em abril, como estavam agendados no calendário de 2026 em razão da escalada das tensões no Oriente Médio. A decisão foi tomada após a deterioração do cenário de segurança na região diante do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A categoria não se manifestou sobre possíveis reposições às etapas, mas deixou margem por não utilizar o termo cancelamento.
Esperava-se que a F1 comunicasse o cancelamento das etapas, reduzindo-se a 22 na temporada, mas a nota divulgada pela categoria aponta uma escolha cuidadosa das palavras para dizer que não acontecerão em abril, algo que dá margem para entender que podem ser realocadas no calendário caso a situação no Oriente Médio esteja apta para tal.
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As corridas no Bahrein e na Arábia Saudita estavam marcadas para o próximo mês, entre 10 e 12 de abril e 17 e 19 de abril, respectivamente. De acordo com a BBC, a F1 pode sofrer um prejuízo comercial de mais de £ 100 milhões (cerca de R$ 760 milhões) caso as provas não sejam realizadas, já que os países pagam duas das maiores taxas para sediar corridas do calendário.
“Embora esta tenha sido uma decisão difícil de tomar, é, infelizmente, a correta neste momento, considerando a atual situação no Oriente Médio. Quero aproveitar esta oportunidade para agradecer à FIA [Federação Internacional de Automobilismo], bem como aos nossos incríveis promotores, pelo apoio e total compreensão, uma vez que estavam ansiosos para nos receber com sua energia e paixão habituais. Mal podemos esperar para retornar assim que as circunstâncias nos permitirem”, disse Stefano Domenicali, CEO da F1.

Presidente da FIA, Mohammed Bem Sulayem também falou sobre o adiamento das duas etapas da F1. “A FIA sempre colocará a segurança e o bem-estar de nossa comunidade e de nossos colegas em primeiro lugar. Após cuidadosa consideração, tomamos esta decisão com essa responsabilidade firmemente em mente. Continuamos esperando por calma, segurança e um rápido retorno à estabilidade na região, e meus pensamentos permanecem com todos os afetados por estes eventos recentes”, disse.
“Bahrein e Arábia Saudita são incrivelmente importantes para o ecossistema da nossa temporada de corridas, e espero retornar a ambos assim que as circunstâncias permitirem. Meus sinceros agradecimentos aos promotores, aos nossos parceiros e aos nossos colegas de todo o campeonato pela abordagem colaborativa e construtiva que levou a esta decisão”, completou o dirigente.
Portais como RacingNews365, Motorsportweek e BBC noticiaram que os circuitos de Portimão, em Portugal, Ímola, na Itália, e Istambul Park, na Turquia, foram considerados como substitutos, mas não houve manifestação por parte da F1.
Ainda segundo o RacingNews365, autoridades sauditas pressionaram os chefes da F1 para que a corrida fosse mantida no calendário, mas a instabilidade contínua na região foi um obstáculo grande demais para ser superado, comprometendo a segurança de todos os envolvidos no esporte.

Ao menos, oficialmente, o príncipe Khalid bin Sultan Al-Abdullah Al-Faisal, presidente da Federação Saudita de Automobilismo e Motociclismo (SAMF) e da Saudi Motorsport Company (SMC), aceitou a decisão da F1.
“A Federação Saudita de Automobilismo e Motociclismo respeita a decisão tomada pela F1 em relação ao calendário de corridas de 2026. Os fãs em todo o Reino estavam, mais uma vez, ansiosos pelo Grande Prêmio da Arábia Saudita de Fórmula 1 em Jedá neste mês de abril, mas compreendemos as considerações por trás desta decisão e permanecemos em estreita parceria com a Fórmula 1”, comentou.
Quem acompanhou o discurso foi o xeique Salman bin Isa Al Khalifa, diretor-executivo Circuito Internacional do Bahrein. “Apoiamos totalmente a decisão da F1 e somos gratos a eles e à FIA pelo apoio e pela parceria duradoura. Esperamos receber de volta os fãs de todo o mundo no Bahrein quando a Fórmula 1 retornar. Em nome de todos nós do circuito, aproveito esta oportunidade para oferecer nossos sinceros agradecimentos a todos na comunidade da F1 que dedicaram seu tempo para nos enviar mensagens de apoio”, afirmou.
Em 28 de fevereiro, após Teerã, capital do Irã, e outras quatro cidades serem alvos de ataques dos Estados Unidos e de Israel, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) reagiu e lançou mísseis contra a Atividade de Apoio Naval (NSA) dos EUA no Bahrein, onde está sediada a Quinta Frota da Marinha americana. O local está a cerca de 35 km do Circuito Internacional do Bahrein, que receberia a F1 em abril.

Além do Bahrein, houve relatos de explosões e sirenes de alerta no Catar, no Kuwait, na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, onde estão Dubai e Abu Dhabi. Sistemas de defesa antimísseis foram acionados.
O bombardeio do Irã foi uma reação a um ataque coordenado dos regimes dos Estados Unidos e de Israel a cidades iranianas. O conflito teve início após semanas de negociações e pressão dos EUA para que Teerã encerrasse o programa nuclear.
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